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Livros De Thomas More

Livros De Thomas More

Thomas More: os livros que vale a pena ler e como encontrá-los

A grande maioria das edições brasileiras de Thomas More não faz justiça ao autor. As traduções de Utopia variam absurdamente em qualidade, e muitas delas são revisões antigas que misturam termos sem necessidade. Os livros de thomas more são poucos em número, mas densos. Não é algo que se devore em uma tarde. Em geral, você vai encontrar Utopia traduzido pela Editora UNESP, pela Martin Claret e por algumas editoras menores. A tradução da UNESP, feita por José Original, é amplamente considerada a mais fiel ao texto latino original. A da Martin Claret também é razoável, mas tem escolhas diferentes que podem confundir quem lê o inglês ou o latim paralelamente. Fora essas, há edições da Editora 34, da Cultrix, e às vezes reedições da Nova Fronteira que circulam por sebos online. Para os livros menos óbvios, como o Diálogo Concernendo as Heresias e o Diálogo do Consolo contra a Tribulação, o mercado brasileiro é bem mais limitado. A editora Editora 34 chegou a publicar uma coletânea com Utopia e trechos selecionados, mas o estoque é irregular. O site da Amazon Brasil e a Magazine Luiza costumam ter as edições mais acessíveis, mas atenção ao ano de publicação: edições anteriores a 2010 frequentemente carregam traduções desatualizadas com notas que já foram contestadas por estudiosos.

Se você procura as obras completas em português, a opção mais confiável hoje é montar sua própria coleção comprando Utopia separadamente e buscando os textos menores em antologias de pensamento político renascentista. Não existe uma única edição brasileira que reúna tudo o que More produziu. Isso é uma frustração real, e não algo que os editores pareçam interessados em resolver. Eu já perdi tempo procurando uma edição barata do Diálogo do Consolo contra a Tribulação em português e descobri que praticamente não havia nenhuma tradução completa disponível no Brasil. Acabei recorrendo à versão inglesa da Dover Publications, que é barata e tem introdução crítica decente. Se você lê inglês, essa é a saída mais prática. Se não lê, fica na mão mesmo. A obra é curta, mas a edição brasileira que circula é praticamente inexistente no varejo comum.

O que ler e em que ordem

Comece por Utopia. É o livro mais conhecido, mas também o mais mal compreendido. A estrutura da obra é uma conversa em três partes, escrita em latim em 1516. A primeira parte critica a Inglaterra de Henrique VIII. A segunda descreve a sociedade ideal da ilha de Utopia. A terceira discute como viagens e comércio poderiam conectar os dois mundos. Muita gente lê só a segunda parte e sai achando que More estava defendendo o comunismo ou algo parecido. Isso é um erro básico. O texto é irônico em vários momentos. More usa a figura de Raphael Hythloday como narrador dentro da obra, e o próprio nome do personagem já é uma pista: "Hythloday" vem do grego e significa algo como "aquele que fala bobagens". More não está necessariamente endossando tudo o que Hythloday diz. Ele está criando uma tensão deliberada entre a crítica social e a descrição de uma sociedade alternativa. Esse recurso retórico é importante e costuma ser apagado em traduções malfeitas. Depois de Utopia, vá para o Diálogo do Consolo contra a Tribulação, escrito em 1553 enquanto More estava preso na Torre de Londres, esperando a execução. É um diálogo entre um pai e seu filho sobre como manter a fé e a razão em tempos de perseguição. O texto é menor, cerca de 80 páginas em qualquer edição razoável, e exige uma leitura mais lenta. Não é um livro de autoajuda. É uma reflexão filosófica e teológica prática, escrita sob pressão extrema. A qualidade do pensamento é alta, mas a forma dialogada pode parecer repetitiva para quem não está acostumado com o gênero.

Utopia eBook : More, Thomas: Amazon.com.br: Livros
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O Diálogo Concernendo as Heresias, também de 1529, é um texto de polêmica religiosa. More debate com defensores da Reforma Protestante e critica ideias que considerava perigosas para a coesão da sociedade inglesa. É um livro mais datado, com argumentos que fazem sentido no contexto da época, mas que hoje parecem excessivamente dogmáticos. Vale a leitura por questões históricas, mas não espere descobertas revolucionárias aqui.

Pegadinhas e armadilhas que todo leitor novo encontra

A primeira é achar que Utopia é um manual de organização social. Não é. É uma obra literária e filosófica que usa a estrutura do gênero utópico para fazer crítica social. More nunca afirmou que a sociedade descrita era viável ou desejável de forma incondicional. Ele estava explorando contradições, não propondo um projeto de governo. A segunda pegadinha é o problema das traduções. O termo "utopia" em si é uma invenção de More: vem do grego e significa literalmente "lugar que não existe". Mas em grego também pode ser lido como "eu-topos" (bom lugar) ou "ou-topos" (não-lugar). Essa ambiguidade intencional se perde em praticamente todas as traduções portuguesas, que tratam a palavra como se fosse apenas "lugar ideal". Perder essa nuance muda a interpretação de vários trechos. Uma terceira questão prática: os índices remissivos das edições brasileiras são fracos. Se você quer pesquisar um conceito específico, como "propriedade privada" ou "liberdade religiosa" nos textos de More, provavelmente vai depender de sua própria leitura atenta ou recorrer a comentários acadêmicos. Não conte com ferramentas de navegação boas nas edições comerciais.

Limitações e alternativas

O principal problema dos livros de thomas more no Brasil é a escassez de edições comentadas. Diferentemente de autores como Maquiavel ou Hobbes, More não tem uma tradição editorial robusta em língua portuguesa. A maioria das traduções vem sem notas explicativas suficientes, e os comentários disponíveis são em inglês. Se você leva a leitura a sério, vai precisar consultar edições críticas em latim ou inglês eventualmente. Uma alternativa viável é usar a edição da Cambridge University Press de Utopia, que tem introdução longa, notas detalhadas e versões paralelas em latim e inglês. O preço é mais alto, mas a qualidade compensa. Para os diálogos religiosos, a University of Toronto Press publica a obra completa de More em série, com traduções anglófonas e comentários acadêmicos de alto nível. Existe um projeto de tradução desses diálogos para português, mas ainda está em andamento e não há data previsível para conclusão. Se o objetivo for apenas conhecer as ideias centrais de More sem mergulhar nos textos originais, um manual introdutório como o de George M. Logan e Robert Black (publicado pela Cambridge) em português é útil, mas limitado. Ele cobre o contexto histórico e os argumentos principais, mas substitui a leitura direta por resumos que inevitavelmente simplificam demais a ironia moreana.

Livro Utopia More De Thomas More | MercadoLivre
Livro Utopia More De Thomas More | MercadoLivre

Resumo prático

Leve Utopia como ponto de partida, mas leia com atenção à estrutura dialógica e à ironia do autor. Prefira a tradução da UNESP ou da Martin Claret, evitando reimpressões antigas sem revisão. O Diálogo do Consolo contra a Tribulação é essencial para entender More como pensador e como pessoa. O Diálogo Concernendo as Heresias é interessante historicamente, mas menos relevante hoje. Foque em encontrar edições comentadas quando possível, porque as edições básicas brasileiras falham em capturar nuances importantes do texto. E não subestime a dificuldade de achar traduções completas em português das obras menores — prepare-se para recorrer a versões em inglês se o português não estiver disponível.