Mas Ainda Ou Mais Ainda
A diferença entre "mas ainda" e "mais ainda" que ninguém explica direito
Essa dúvida aparece todo dia em listas de e-mail corporativas, grupos de redatores e até em revisões de tese. As pessoas escrevem uma coisa quando queriam dizer outra, e o corrector automático da maioria dos processadores de texto simplesmente não marca como erro. Vou direto ao ponto. O segredo não é decorar regras. É perceber a função sintática de cada elemento. "Mas" é uma conjunção adversativa. "Mais" é um advérbio de intensidade ou um pronome indefinido. Quando você coloca "ainda" junto, a coisa se complica porque "ainda" também tem dois sentidos: temporal ("todavia", "até agora") e intensivo ("ainda mais"). Mas ainda = "mas" + "ainda". O "mas" é a peça central. A frase tem valor de oposição. Exemplo: "Ele estudou muito, mas ainda não passou no exame." O "mas" contrapõe dois fatos. Se você retirar o "mas", a frase perde o sentido de oposição e fica só "ele estudou muito ainda não passou", o que soa estranho justamente porque a conjunção adversativa sumiu.
Mais ainda = "mais" + "ainda". O "mais" é a peça central. A frase tem valor de intensidade progressiva. Exemplo: "O resultado foi bom, mais ainda se considerarmos o prazo." Aqui não há oposição. Há um acréscimo, um aumento de grau. O "mais" modifica o adjetivo ou o verbo de forma intensiva. Eu costumava testar isso substituindo mentalmente. Se dá para trocar por "contudo" ou "no entanto", é mas ainda. Se dá para trocar por "ainda mais" ou "em maior grau", é mais ainda. Funciona na grande maioria dos casos.
O caso problemático que eu encontrei
Estava revisando um contrato de prestação de serviços e me deparei com: "O fornecedor executou o projeto, mais ainda assim deveria ter entregue antes do prazo." Alguém escreveu "mais" quando o correto era "mas". A frase ficou semanticamente confusa porque "mais ainda assim" não carrega a oposição que o contexto exigia. Troquei para "mas ainda assim" e o sentido ficou claro: havia uma expectativa frustrada, não um acréscimo de intensidade. O problema é que, na fala cotidiana, muita gente pronuncia as duas formas de modo idêntico. O "s" final de "mas" muitas vezes se perde na articulação, e o ouvido não distingue. Isso gera erros de escrita que passam despercebidos porque não há marcação ortográfica automática confiável.

Armadilhas comuns que passam despercebidas
Uma pegadinha frequente é a construção "não apenas... mas ainda". Nesse caso, o "mas ainda" introduz uma adversativa que complementa uma afirmação anterior. Exemplo: "Não apenas terminou o relatório, mas ainda o apresentou com antecipação." Aqui o "mas" é real, é oposição adicionada, não intensidade. Errar e colocar "mais ainda" nesse contexto soa como se quem falasse estivesse improvisando. Outra: "mais ainda" pode funcionar como locução adverbial de intensidade em posições mais formais, especialmente em textos jurídicos e acadêmicos. "Tais fatores são relevantes, mais ainda quando considerados isoladamente." Nesse uso, o "mais ainda" equivale a "ainda mais" ou "sobretudo". Não é errado, é apenas mais elaborado. Alguns revisores mais rigorosos preferem "ainda mais" por clareza, mas a forma clássica é aceitável. O que funciona mal em todo contexto: usar "mais ainda" onde o sentido é claramente de oposição. Se a frase exige um "porém", um "contudo" ou um "todavia", você precisa de "mas ainda". Forçar "mais ainda" nesse lugar quebra a estrutura lógica do período.
Resumo prático sem enrolação
Mas ainda exige oposição. Teste com "contudo". Se a frase se sustenta, está certo. Mais ainda exige intensidade crescente. Teste com "ainda mais". Se a frase se sustenta, está certo. Na dúvida, releia a frase em voz alta e preste atenção se o sentido é de contraste ou de acréscimo. O ouvido, treinado, ajuda mais do que a gramática prescrita na maioria das vezes.
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