Material Nocivo Usado Em Telhas
O que você precisa saber sobre revestimentos e substâncias perigosas em telhas
Ambientes de construção civil tratam constantemente de materiais que liberam partículas ou compostos ao longo do tempo. Telhas de amianto-cimento foram massivamente utilizadas no Brasil entre as décadas de 1950 e 1990, e ainda hoje existem milhões de lotes com essa cobertura instalada. O problema não é o cimento em si, mas a fibra mineral chamada amianto, também identificada como asbesto. Quando a telha envelhece, quebradiça ou é furada sem procedimento adequado, as fibras são liberadas no ar e se tornam um risco respiratório documentado por décadas de estudos epidemiológicos. A classificação mais comum que se encontra em fiscalizações e laudos técnicos refere-se ao amianto crocidolito e amphibólio contidos nas telhas de cimento-amianto. Existem outros aditivos e pigmentos que podem estar presentes, mas a fibra de amianto é a que define o risco real. Telhas de fibrocimento com amianto têm peso específico entre 1,8 e 2,0 kg/m² e acabamento que, com o tempo, fica esfarelando nas bordas e na superfície superior, especialmente quando há infiltração recorrente ou limpeza com jato de água em alta pressão. Eu já vi um case recente onde um empreendimento imobiliário comprou um terreno com galpão antigo e a equipe de demolição simplesmente Quebrou as telhas com marretas para "limpar o terreno mais rápido". Três meses depois, vizinhos relataram problemas respiratórios persistentes e a fiscalização sanitária multou a construtora por negligência. O custo da indenização e da contenção ambiental chegou a quatro vezes o valor do serviço de remoção correta que eles tinham evitado. Não é uma história isolada.
A identificação prática começa pelo histórico do imóvel. Se a construção foi feita antes de 1998, época em que a Lei nº 9.055/1995 já proibia a extração e comercialização do amianto no Brasil, a probabilidade de presença do material é alta. A análise laboratorial por difração de raios-X é o padrão-ouro para confirmação. Custa entre R$ 150 e R$ 400 por amostra dependendo do laboratório e da região. Amostras mal coletadas geram resultado falso-negativo porque a fibra pode estar presente apenas em camadas inferiores do compósito.
Como proceder quando o material está presente
A remoção de telhas de amianto-cimento exige plano de trabalho específico. O primeiro passo é notificar a vigilância sanitária municipal e, em alguns estados, o órgão ambiental estadual. A legislação varia. Em São Paulo, por exemplo, a resolução CONAMA 1/1993 e normas estaduais complementares regulam o transporte e destinação. No Rio Grande do Sul, o CERAM é o órgão responsável pela homologação de áreas de disposição final. Verifique sempre a regulamentação local antes de iniciar qualquer obra. O processo correto de remoção começa com a umidificação controlada da telha. Telha seca é fibra solta no ar. A umidificação usa água com agente tensoativo, não água pura, porque a água sozinha repele a superfície do fibrocimento envelhecido e não penetra adequadamente. A proporção típica é 2% de surfactante aniônico em volume de água. Cada telha deve ser retirada inteira, sem quebra, usando ventosa de sucção ou gancho especial, e acondicionada em sacos plásticos reforçados de pelo menos 200 micras, selados com fita adesiva robusta. O trabalhador precisa de EPI completo: macacão descartável tipo Tyvek, respirador com filtro P100 para partículas, luvas de nitrila, óculos de proteção vedados e botas de segurança. O risco real não é apenas a inalação de fibras, mas o contato dérmico prolongado. Fibra de amianto pode permanecer ativa por anos em roupas e equipamentos, então o descarte do EPI deve seguir o mesmo fluxo dos resíduos de telha. Lavagem dos equipamentos com soluções alcalinas é recomendada, mas o ideal é o uso descartável.

Existe uma nuance que poucos consideram: a estrutura de suporte. As ripas de madeira que seguram telhas de amianto frequentemente retêm fibras embutidas por décadas de exposição a intempéries. Remover apenas as telhas e deixar as ripas no lugar gera risco residual. A prática correta é substituir todo o sistema de fixação ou tratar as ripas existentes com encapsulante à base de resina acrílica, aplicando duas demãos cruzadas. Isso contém as fibras que já se depositaram nos poros da madeira ao longo dos anos.
Alternativas e limitações
O encapsulamento é uma opção quando a remoção total não é viável financeiramente ou estruturalmente. Um revestimento polimérico de alta aderência, aplicado por pulverização, pode selar a superfície da telha e impedir a liberação de fibras. O material dura entre 8 e 12 anos, dependendo da exposição solar e das condições climáticas locais. Após esse período, é necessário reavaliar o estado do selante e aplicar nova camada ou proceder à remoção definitiva. Não é uma solução permanente, e isso precisa ficar claro desde o início. Telhas de concreto, cerâmica e policarbonato estrutural são as substitutas convencionais. Telha de concreto custa entre R$ 18 e R$ 35 por metro quadrado instalado, dependendo do modelo e da região. Telha cerâmica sai entre R$ 25 e R$ 50 por m² instalado. O policarbonato estrutural varia de R$ 40 a R$ 80 por m². Além do custo, há a questão do peso. Telha de amianto-cimento pesa cerca de 20 kg/m². Telha de concreto pesa entre 35 e 45 kg/m². A estrutura de suporte existente pode não ter sido dimensionada para a carga adicional, exigindo reforço de vigas e ripamentos. Isso pode duplicar o custo total da substituição se não for planejado antecipadamente. Um problema comum que eu observo frequentemente é a instalação de telhas novas sobre as antigas, sem remoção prévia. Tecnicamente é possível em certas condições, mas é uma prática arriscada porque qualquer dano futuro à camada nova expõe a camada antiga e gera ponto de liberação de fibras. A única situação em que isso é aceitável é quando a telha antiga está íntegra, bem fixada e receberá um revestimento encapsulante profissional por baixo da nova cobertura. Mesmo assim, a manutenção futura fica comprometida porque o acesso à estrutura original fica bloqueado.
A destinação final dos resíduos de amianto segue regras específicas. O transporte deve ser feito em veículo fechado, com lona impermeável e declaração de transporte de resíduo perigoso assinada pelo gerador e pelo transportador. A área de disposição final precisa ser credenciada como receptor de resíduos classe perigosos da NBR 10.004. Usinas de cimento que utilizam resíduos como complemento combustível em fornos de clínquer podem esse material em condições controladas, mas isso depende de autorização específica do IBAMA e do órgão ambiental estadual. Leve isso em conta ao cotar o serviço, pois o frete até uma área habilitada pode triplicar o custo em regiões interiores.

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