Melhor Oleo Para Fritar
Aquecendo o óleo: o que realmente importa
A maioria das pessoas foge da fritura porque o óleo cheira mal na cozinha ou a comida fica empapada. Eu passei uns quatro anos trabalhando em uma cozinha de restaurante que fazia frituras todo dia, e aprendi na marra que o tipo de gordura muda tudo, mas não do jeito que todo mundo pensa. Eu já vi gente usar óleo de soja comprado na feira a granel e reclamar que as batatas saíam escuras rapidamente. O problema não era só a qualidade do óleo, era a temperatura e a frequência com que eles renovavam a banha. Quando você fritava sem controle, o óleo atingia o ponto de fumaça e começava a criar compostos amargos. Isso arruinava o sabor da comida e gerava aquela fumaça irritante que fica grudada na roupa.
Qual é o melhor oleo para fritar
Se você tem uma fritadeira doméstica ou só quer fazer uma fritura rápida em casa, o óleo de canola é uma opção decente. Ele aguenta cerca de 204°C e não tem sabor forte. O problema é que canola puro fica um pouco mole pra mim quando vou fritar algo mais pesado, como frango empanado. O que eu prefiro é uma mistura. Misturo canola com óleo de amendoim na proporção de três para um. O amendoim sobe pra 227°C e dá uma crosta mais firme. O canola mantém o custo baixo e o sabor neutro. Quando eu preciso fritar coisas que vão ficar muito tempo no óleo, tipo coxas de frango, eu troco o canola por óleo de girassol. O girassol tem pontos de fumaça parecidos, mas é mais estável quimicamente. Tem gente que recomenda óleo de dendê. É válido, mas o dendê dá cor e sabor forte. Se você quer fritar algo que não altere o gosto original do ingrediente, o dendê não serve. Eu já tentei fritar batatas rústicas com dendê numa receita experimental e o resultado ficou enjoativo. A batata absorveu o sabor do óleo e perdeu a textura crocante que eu queria.
A questão do ponto de fumaça
O ponto de fumaça é o momento em que o óleo começa a se decompor. Aí ele solta aldeídos, acroleína e um monte de composto que faz mal. Não adianta só comprar óleo caro se você aquece além disso. Cada gordura tem um limite. Óleo de oliva extra virgem perde as propriedades lá pelos 190°C. Óleo de linhaça nem chega a 107°C e já queima. Eu uso um termômetro de cozinha de cerca de sessenta reais. Não é luxo, é economia. Sem termômetro, você fritou no olho e gastou duas vezes mais óleo do que deveria. O óleo queima por fora antes de cozinhar por dentro, e aí você joga comida no lixo. Num restaurante, isso vira prejuízo rápido. Outra coisa que muita gente esquece é que o óleo perde qualidade com o tempo. Cada vez que você fritava, partículas de proteína e amido ficavam grudadas no fundo da panela. Essas partículas carbonizam e escurecem o óleo mais depressa. Eu costumo coar o óleo após cada uso com um pano de prato limpo ou um filtro de café. Leva uns dois minutos e o óleo dura muito mais.

Problema real que eu enfrentei
Numa ocasião, eu estava fritando beringelas pra um rodízio e o óleo de canola começou a formar espuma. A espuma indicava que tinha muita proteína ou umidade no óleo. Se eu continuasse, o óleo subiria pras bordas da fritadeira e poderia pegar fogo. Eu desliguei o fogo imediatamente, esperei esfriar e troquei todo o conteúdo. A fritadeira ficou parada por uns quinze minutos enquanto eu limpava o fundo com bicarbonato. Depois disso, eu nunca mais confiei só no canola pra beringelas. Beringela solta muita água. Aí eu troquei por uma mistura com 70% de óleo de amendoim e 30% de canola. O amendoim é mais resistente à hidrólise. A espuma quase não volta mais. Só que eu aprendi isso testando errado, porque gastar óleo queimado não é barato.
Óleo de frango versus óleo vegetal
Tem gente que usa gordura de frango derretida (chamada de schmaltz) pra fritar. É uma tradição judaica e funciona muito bem pra batatas e cebolas. O schmaltz dá um sabor marcante que muita gente ama. O problema é que ele solidifica em temperaturas mais baixas. Se você fritar em casa e o óleo esfriar na panela, vai virar uma manteiga amarelada no fundo. Limpar isso é chato. Eu uso schmaltz só quando faço frituras tradicionais alemãs ou pra dar sabor específico. Pra uso diário, fico com o vegetal mesmo. E se você for vegano, claro, Schmaltz não entra na lista.
Recomendações práticas
Se você fritava vez ou outra, óleo de canola ou girassol resolve. Se fritava com frequência, invista em uma mistura com amendoim. Troque o óleo a cada três ou quatro usos, dependendo do volume. Mantenha a temperatura entre 170°C e 180°C. Evite fritar alimentos molhados diretamente. Escorra a umidade com papel toalha antes de botar na panela. Óleo de coco tem seu lugar, mas o sabor de coco domina tudo. Use só se quiser esse gosto. Óleo de milho é similar ao de soja, mas custa mais caro sem vantagem real. Eu pessoalmente não vejo motivo pra pagar mais por milho.
Quando o óleo já não serve
Sinais de óleo degradado: cor escura, cheiro de ranço, fumaça em temperatura baixa, espuma persistente. Se o óleo escureceu demais ou cheirou errado, jogue fora. Não adianta coar e continuar usando. Compostos oxidados não somem com filtro. Além disso, óleo velho gera mais acroleína, que é irritante pros olhos e pra via respiratória. Eu já ouvi gente dizendo que pode misturar óleo novo com velho pra economizar. Isso não funciona bem. O óleo novo contamina o velho mais rápido porque os radicais livres do óleo degradado atacam as moléculas novas. O ideal é renovar completamente quando o óleo mostrar os sinais citados.
Custo e disponibilidade
Óleo de canola é o mais fácil de achar em qualquer mercado. Girassol e amendoim às vezes aparecem em lojas de produtos naturais. Dendê é comum em feiras e mercearias menores. Schmaltz você acha em açougues que trabalham com linhas europeias ou faz em casa derretendo pele de frango. O preço varia bastante. Canola custa menos da metade do amendoim por litro. Se você fritava muito, a conta fecha só com canola mesmo. Se fritava pouco e queria qualidade, o amendoim compensava.
Alternativas menos óbvias
Óleo de argan é bonito, mas inviável pra fritura. Custa uma fortuna e queima rápido. Óleo de macadâmia é estável, mas também caro. Ghee (manteiga clarificada) aguenta bem alta temperatura, mas deixa sabor de manteiga que nem todo mundo gosta. Eu jáou fritar queijo coalho em ghee e ficou interessante, mas não substitui o óleo vegetal no dia a dia. Tem gente que recomenda óleo de avocado. Aguenta até 271°C, o que é excelente. O problema é o preço. Um litro de óleo de abacate custa o triplo do canola. Se você fritava profissionalmente, talvez valesse a pena pelo ponto de fumaça alto. Em casa, o custo-benefício não fecha.

Higienização e descarte
Não jogue óleo pela pia. Entupimento de encanamento é problema real. Deixe esfriar, filtre em um recipiente fechado e leve a um ponto de coleta. Muitos municípios têm programas de reciclagem de óleo vegetal. Aí vira biodiesel. Eu já participei de um projeto desses e o ciclo fecha direito. Limpar a fritadeira com bicarbonato e água morna resolve resíduos carbonizados. Evite sabão em excesso porque o gosto fica na louça. Enxágue bem e seque antes de guardar.
Conclusão prática
O melhor óleo pra fritar depende do que você vai fritar, da frequência e do orçamento. Canola é o caminho mais seguro pra uso casual. Amendoim em mistura sobe de nível. Girassol é bom pro dia a dia. Schmaltz tem seu nicho. E evitar óleo degradado é mais importante do que comprar o mais caro do mercado. Fritar bem não exige luxo, exige controle de temperatura e renovação regular do óleo.
Galeria
-
Qual óleo é melhor para fritar os alimentos: azeite ou óleo de soja? -
Aprenda truques para usar óleo na hora de fritar - Vídeo Dailymotion