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Monteiro Lobato As Principais Obras

Monteiro Lobato As Principais Obras

Os livros que realmente valem a pena ler de Monteiro Lobato

Pode parecer besteira listar as principais obras, mas tem gente que pega qualquer antologia e acha que já viu tudo. A questão é que Monteiro Lobato escreveu de tudo: contos regionalistas, literatura infantil, ficção científica. Se você não filtrar, vai perder tempo com coisas medianas. As principais obras ficam melhor quando separadas por gênero mesmo. Vou listar o que importa e o que dá para pular. A fase inicial dele, antes dos anos 1920, tem Urupês (1918) e Faria e sousa (1919). São contos pesados, realistas, sobre o interior paulista. Não é leitura leve. Li Urupês pela primeira vez em 2009 num seminário e quase desisti no terceiro conto. A linguagem trava, os personagens são todos complicados, mas depois de dar uma virada o livro pega. O pulo é começar por "A Caranga Paterna" e ir progredindo. Pule os textos mais ensaísticos se estiver com pressa. A virada veio com Reinação de Narizinho (1931). Esse é o marco. A Coleção Sítio do Picapau Amarelo inteira se constrói a partir daí. As obras mais citadas são:

  • Reinação de Narizinho (1931)
  • O saci (1921, depois remixado como O Saci-Pererê)
  • Emília no País da Gramática (1941)
  • A Chave do Tamanho (1945)
  • A Hora e a Vez de Maria Farinha (1946)
  • O Picapau Amarelo (1939)

Aqui tem um detalhe que pouca gente leva a sério: Monteiro Lobato revisava os livros múltiplas vezes. Existem versões de 1931, 1947 e edições póstumas que mudam diálogos inteiros. Quando eu estava organizando uma leitura sequencial do Sítio em 2015, me deparei com três versões diferentes de Reinação. A Edições da Universidade de São Paulo publicou uma edição crítica que resolveu isso, mas se você pegar qualquer livro de bancada sem checar a data da edição, vai se confundir com as diferenças. A edição da Melhoramentos ou da Companhia das Letrinhas costuma ser mais fiel. Fique de olho na nota editorial. O que os iniciantes costumam errar é tratar as obras infantis como se fossem todas iguais. Não são. Emília no País da Gramática é basicamente uma aula disfarçada. A Chave do Tamanho é ficção científica pura, inspirada em Wells. O Saci tem elementos folclóricos mas também uma sátira social escondida. Se você quer entender Lobato de verdade, precisa ler Upanambi (1933) e O Minotauro (1942) também. Esses dois são pouco divulgados mas mostram o lado mais político e experimental dele. Tem um problema prático que eu enfrentei: encontrar textos completos sem cortes. Editoras de bolso sempre cortam trechos consideráveis. Eu precisei consultar a edição da UNESP para recuperar passagens que sumiram em reimpressões dos anos 80. A solução foi simples, mas lenta: procurar nas bibliotecas digitais da USP ou na hemeroteca da Fundação Casa de Rui Barbosa. Demora, mas compensa.

Se o objetivo é só conhecer a obra, leia nesta ordem aproximada: Urupês primeiro, se tiver paciência. Depois O saci. Em seguida Reinação de Narizinho. Aí entra a cronologia do Sítio, que não é linear mas faz sentido ler Emília no País da Gramática e A Chave do Tamanho logo depois. Finalize com As camarinhas do tempo (1944), que reúne contos maduros e é onde ele mostra o que realmente sabe fazer. Tem quem ache que Lobato é só o Sítio. Tem quem odeie a parte política. A verdade é que ele tinha ideias erradas pra vários padrões atuais, então a leitura precisa ser crítica, não devota. A obra em si ainda é sólida.

As Principais Obras de Monteiro Lobato – Em Todo Lugar
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