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Morrer De Tanto Viver

Morrer De Tanto Viver

Como estudar e reproduzir "Morrer de Tanto Viver" de Roberto Carlos

A música foi lançada em 1970 no álbum "Roberto Carlos Em Ritmo de Aventura". Composta por Roberto Carlos e Erasmo Carlos, é uma das obras mais executadas da MPB e um marco do movimento Jovem Guarda que transitou para uma sonoridade mais madura e próxima do rock nacional. O arranjo original tem bateria, baixo, guitarra solo, violão e os vocais característicos do Roberto. A tonalidade original é Lá menor, com andamento moderado em compasso 4/4. Para quem quer aprender a tocar, a parte mais complicada não é a harmonicamente — a progressão basicamente trafega entre Am, Dm, E7 e variações —, mas sim a dinâmica. O refrão pede um ataque muito mais forte na guitarra e no violão, enquanto o verso fica contido. Esse contraste é o que dá a carga emocional da faixa. Se você tocar tudo no mesmo nível, a música perde completamente o efeito.

morrer de tanto viver violão e guitarra

No violão, a cifra mais usada pelos músicos de sessão e Cover bands segue esta sequência básica: Am — Dm — E7 — Am, com batida dominante sendo a batida romântica variada, alternando palhetada descendente e ascendente nos versos. No refrão, a batida fica mais marcada, quase uma valsa invertida, com acentos na segunda e quarta pulsação. Recomendo afinar em standard (EADGBE) e usar capotraste na casa 2 se quiser cantar no tom original do disco, que na prática sobe para Bm no registro vocal do Roberto. Na guitarra elétrica, o riff principal usa harmônicas em cordas soltas combinadas com posições na casa 7 a 12. O som típico é clean com leve overdrive, volume do violão eletrônico mais alto que o da guitarra, e um pouco de reverb de placa. Se você colocar muito distorção desde o início, pierde a clareza das notas individuais do contra-melodia e o resultado fica embolado. Nos solos, o phrasing do Roberto tem bastante bending controlado, quase sempre de meio tom, raramente de tom inteiro. Isso é importante porque bending de tom na corda G ou B numa guitarra com escala de 25.5 polegadas sai afurado se a digitção não for precisa. Um problema específico que eu enfrentei ao tentar reproduzir a introdução instrumental no violão elétrico foi o timing exato do primeiro hammer-on na corda de D, casa 7 indo para a 9. O disco original tem uma leve atraso proposital (delay de execução, não efeito) que a maioria dos tablaturas erradas transforma em timing reto. A solução foi treinar contando "1-e-and-a 2-e-and-a" e practicei gravando eu mesmo com metrônomo a 88 bpm, depois acelerando de 4 em 4 bpm até chegar aos 96 bpm do tempo real da gravação. Demorou uns três dias até encaixar.

A parte vocal exige cuidado especial com a tessitura. O Roberto canta de Lá abaixo até o Ré na oitava superior no refrão final. Se você não tem esse registro, usar capotraste na casa 4 ou 5 resolve, mas o timbre fica mais agudo e menos encorpado. O equilíbrio ideal costuma ficar na casa 2 ou 3. Outro detalhe que muita gente ignora: a frase "eu quero viver / viver de tanto amar" tem um rubato leve na palavra "viver", com uma pausa quase imperceptível antes do "de". Copiar isso literalmente do disco e replicar na performance ao vivo dá um ar muito mais autêntico do que cantar tudo no tempo rigido. Se o seu objetivo é apenas acompanhar no violão para cantar, a versão simplificada com quatro acordes básicos e batida constante já funciona em 80% das situações. Mas se quer fazer justiça ao arranjo original, vale a pena estudar pelo menos a linha de baixo do Erasmo, que não é puramente.root-fifth, tem passagens cromáticas que conectam Am para Dm de forma mais fluida do que o óbvio. Gravações ao vivo de 1971 e 1972 mostram variações improvisadas nessa linha que não aparecem no disco de estúdio e podem Enriquecer muito a sua interpretação. O que funciona muito bem é praticar com o disco original pausando a cada quatro compassos e tentando isolar cada instrumento. A mixagem daquela época permite separar razoavelmente bem: a bateria fica centralizada, o baixo levemente à esquerda, a guitarra solo à direita e os vocais no centro. Depois de conseguir reproduzir uma parte por vez, junte tudo e grave si mesmo para identificar onde o timing ou a dinâmica estão defeituosos. Esse processo costuma levar de duas a três semanas para músicos de nível intermediário, dependendo do tempo diário de prática.

Morrer De Tanto Viver
Morrer De Tanto Viver

A música continua sendo um clássico obrigatório no repertório de shows e sessões de roda de samba-rock. O fato de ter sido composta em parceria entre os dois maiores nomes da MPB garante que cada nova geração de músicos encontre algo diferente para explorar, seja na harmonicamente, seja na interpretação vocal. Se o seu foco for apenas tocar e cantar, domine a dinâmica e o timing do rubato que o resto se resolve.