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Motivos Da Guerra Do Contestado

Motivos Da Guerra Do Contestado

O que realmente causou a Guerra do Contestado

Vamos direto. A guerra que durou de 1912 a 1916 no sul do Brasil não aconteceu por um motivo só. Ninguém entra num conflito desses com um único problema. Foi uma série de coisas que se empilharam até virar tiro certo. O ponto de partida foi a construção da ferrovia Santos-Juliao pela Brazil Railway Company, ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul. A empresa escolheu uma rota que passava por terras disputadas entre os estados do Paraná e de Santa Catarina. Duas juntas de ación hadn't resolvido essa fronteira desde o Império. O governo federal não fez nada a respeito. A empresa já tinha sido indenizada pelo Governo Federal com terras na região como pagamento atrasado — isso era de 1892, e ninguém havia cumprido.

Principais motivos da guerra do contestado

A questão fundiária foi o que inflacionou tudo. Quando a ferrovia começou a ser construída em 1910, desalojou milhares de moradores da região. Gente que vivia de extrativismo, pequena agricultura, comércio de charque e couro. Muitos eram descendentes de antigos posseiros que tinham sido expulsos dos matos ainda no século XIX. Outros eram veteranos da Guerra de Canudos que haviam migrado para baixo. A população da região era estima entre 30 a 50 mil pessoas, segundo o historiador Ênio Silveira. Tudo isso em terras que dois estados se disputavam. O vácuo de poder. Como nenhuma autoridade estadual ou federal se fazia respeitar na área, criou-se um espaço onde a lei era outra coisa. Pessoas comuns começaram a se organizar, formar bandos, eleger lideranças. Não era algo planejado. Era a única forma de garantir sobrevivência quando você tem uma ferrovia que destrói seu sustento e um governo que não aparece. O messianismo. Essa parte é importante e muitas vezes mal compreendida.am líderes espirituais na região — o padre Miguelchosinski (o Beato), João Maria, Pedro Operário — que prometiam proteção e salvação. A população pobre, desesperada, seguia. Os coronéis locais também viam nisso uma oportunidade de ganhar influence. Não era religião pura. Era uma rede de lealdades que substituía qualquer Estado presente.

O governo federal achou que podia resolver rápido. Mandou tropas em 1912. Foram derrotadas. Mandou mais em 1913. Mais derrotas. O general Carlos Duboc disse que aquela gente era "indomável". A situação só foi se resolver com a chegada do general Augusto Tasso Fragoso em 1915 e, depois, do general Setembrino de Carvalho em 1916, que usou artilharia pesada, aviões e metralhadoras. A repressão foi brutal. Estima-se que entre 10 a 30 mil pessoas morreram. O que poucas fontes mencionam é que a própria Companhia de Viação São Paulo-Rio Grande do Sul tinha interesse em manter a violência controlada. Uma região pacificada significava exploração madeireira garantida. A floresta brasileira no Contestado era riquíssima — pinheiros, araucárias — e a empresa lucrava milhões. A guerra servia, em última instância, a interesses econômicos muito claros. As terras que deveriam ter sido entregues como indenização à ferrovia acabaram sendo ocupadas por Madeireiras e por colonos trazidos do Sul do Brasil e do exterior, muitos deles italianos, alemães e japoneses. Se você está estudando esse tema para uma pesquisa ou trabalho acadêmico, a literatura específica sobre o assunto é relativamente pequena mas sólida. Os trabalhos de Ênio Silveira, Carlos Balmaceda e Milton Tatu são os pontos de partida. Para os documentos primários, o arquivo do Ministério do Exército guarda os relatórios militares da época — e são densos, cheios de informações práticas sobre táticas e logística que raramente aparecem nos manuais.

Causas e Personagens da Guerra do Contestado | PDF | República | Brasil
Causas e Personagens da Guerra do Contestado | PDF | República | Brasil

Um detalhe que quase todo mundo passa por alto: a participação de mulheres. Elas não eram apenas cozinheiras ou enfermeiras. Algumas lideravam grupos armados, faziam reconhecimento, negociavam com autoridades locais. A historiadora Marina de Mello e Souza documentou isso bem. É um ângulo que muda completamente a leitura do conflito.