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Movimentos De Abdução E Adução

Movimentos De Abdução E Adução

Entendendo movimentos de abdução e adução na prática clínica

Muita gente confunde abdução com adução desde o primeiro dia de aula de anatomia. O problema é que a confusão persiste anos depois porque a nomenclatura em português não ajuda ninguém. Abdução é o movimento que afasta um segmento corporal do plano médio do corpo. Adução é o inverso: traz o segmento de volta para a linha média. O plano médio é uma linha hipotética que vai do centro do seu corpo para frente e para trás, dividindo-o em metades esquerda e direita. Quando você abre o braço para o lado, está fazendo abdução do ombro. Quando traz o braço de volta colado ao tronco, está fazendo adução. O mesmo vale para as pernas. Abdução de quadril é quando você afasta a coxa da outra. Adução é quando encosta. Simples, se você parar de complicar.

A confusão mais comum acontece porque as pessoas associam "a" com "afastar" e acham que o resto se encaixa. Só que adução também começa com "a" e o sentido é oposto. Um truque ruim que funciona é lembrar que abdução tem "b" de "fora", como se fosse um código interno. Nada científico, mas ajuda quem tá começando. No ombro, a abdução normal vai de zero a cento e oitenta graus. Na verdade, os primeiros quinze graus são puros movimento escápula. Só a partir daí o húmero começa a subir de verdade. Se você medir isso sem notar a escapula, sua numeração vai errar. Joelho e cotovelo não têm abdução nem adução significativa no plano sagital. Eles flexionam e estendem. Abdução e adução aparecem mesmo nos movimentos frontal: quadril, ombro, dedos das mãos, dedos dos pés, e no punho. Dedos da mão se afastam do dedo médio (abdução) e se juntam nele (adução). Parece simples, mas na hora de avaliar dor ou limitação funcional, o detalhe importa.

Eu já vi fisioterapeuta marcar amplitude de movimento no ombro com o paciente em decúbito lateral e reclamar que não ia até cem graus. Achei estranho até testar. Com o paciente em pé ou sentado, a gravidade ajuda o movimento. Deitado de lado, a contração da musculatura precisa vencer o peso do membro, então a amplitude cai uns vinte graus naturalmente. Não é lesão, é biomecânica. Se você não anotar a posição testada, a anotação não serve pra nada.

Movimentos De Abdução E Adução - FDPLEARN
Movimentos De Abdução E Adução - FDPLEARN

Como avaliar movimento de forma correta

Goniômetro na mão, paciente posicionado corretamente. Posição padrão de teste para abdução de ombro é sentado ou em pé, com o braço ao lado do corpo. O eixo do goniômetro vai no processo acromial do ombro. Um braço do instrumento aponta para a tuberosidade deltóidea do úmero, o outro braço aponta para o acrômio ou para a linha média do corpo, dependendo do referencial. Para abdução de quadril, o paciente fica de lado, apoiado no antebraço, perna de baixo levemente flexionada para estabilidade. O eixo fica na crista ilíaca posterior superior ou no trocanter maior do fêmur. O braço fixo acompanha a linha do tronco. O braço móvel segue o fêmur. Anotar sempre a posição. Isso não é burocracia, é a base pra comparar exames futuros. Um detalhe que ninguém conta: a abdução de ombro não é só deltóide. O supraespinhal inicia o movimento nos primeiros quinze graus. Depois, o grande dorsal, o redondo maior e o peitoral maior entram junto. A escápula sobe e rota externally ao mesmo tempo. Se a escápula não sobe, o ombro trava por volta de noventa graus. Chama-se impingement secundário. Todo mundo já viu isso no consultório. A limitação não é no músculo, é na mecânica da cintura escapular.

Outro ponto: adução de dedos da mão. O músculo responsável é o interósseo palmar. O nome já diz. Palmar é adução, dorsal é abdução. Um colega meu dizia que era adutor palmar e abdutor dorsal. Era um jeito prático de nunca errar. Eu Copiei essa regra e nunca tive problema.

Problemas que aparecem na prática

Tem um caso que me marcou. Paciente com queixa de dor lateral do ombro, limitação para levantar o braço acima da cabeça. Goniometria mostrou abdução até oventa graus com dor aguda. Teste de Neer positivo, teste de Jobe positivo. Todo mundo pensou bursite ou tendinite do supraespinhal. Pedi ressonância. O achado foi calcificação no tendão do supraespinhal, nada grave. O trabalho foi fricção transversa profunda no tendão duas vezes por semana, alongamento da cadeia posterior do ombro e correção da rotação escapular. Em oito semanas, a abdução voltou a cento e vinte graus sem dor. O erro foi não verificar a escápula antes de culpar o tendão. A calcificação existia, mas a.limitação principal vinha da disfunção escápula. Se você tratar só o tendão, o paciente melhora meio, mas a amplitude não volta pro normal. Esse é o tipo de detalhe que só aparece depois de ver cinco pacientes iguais. Outra situação que dá errado: medir abdução de quadril em paciente com obesidade grau dois ou três. A massa de gordura no flanco impede o movimento completo. O goniômetro fecha antes da articulação travar. A solução que eu uso é posicionar o paciente deitado de lado com uma palmilha entre as pernas para manter a posição e fazer o movimento passivo, sentindo o fim do arco resistido, não o fim anatômico. O valor que você anota nesse caso é paliativo, serve pra acompanhamento, não pra diagnóstico.

Movimentos de abdução e adução
Movimentos de abdução e adução

Também tem a questão da laxidade. Pessoas com hipermobilidade podem abduzir o ombro além de cento e oitenta graus sem problema. Isso não é normal funcional. É displasia do colágeno. Avaliar isso exige diferença bilateral. Se um ombro vai a cento e sessenta e o outro vai a cento e oitenta e cinco, o maior provavelmente é o patológico. Medir sempre os dois lados.

Limitações que ninguém anuncia

Goniometria manual tem erro de três a cinco graus. Isso é consenso na literatura. Para movimentos pequenos, como abdução de dedos, o erro relativo é enorme. Um erro de três graus num movimento total de quinze graus é quase vinte por cento. Se você precisa de precisão para acompanhar evolução de lesion de ligamento colateral radial do metacarpo, goniômetro não serve. Use fotogrametria com celular e app de análise de movimento. É rápido, barulento e muito mais confiável nesses casos. Outro problema: o plano de movimento. Abdução e adução acontecem no plano frontal. Se o paciente move o membro no plano sagital, você não está medindo abdução. Está medindo flexão ou extensão. Pacientes com dor muitas vezes desviam o movimento por proteção. A medida fica inválida sem você perceber. A solução é observar o tronco. Se o tronco inclina quando o membro sobe, o paciente compensou. Anote a compensação como parte do resultado. Há ainda a questão da padronização. Dois avaliadores diferentes podem registrar valores diferentes no mesmo paciente. Isso não é falha sua, é inerente ao método. Se você precisa de dados comparáveis entre profissionais, use protocolo escrito, foto do posicionamento e goniômetro digital com gravação. Custa mais, mas resolve o problema de variabilidade interavaliador.

Se o objetivo for reabilitação pós-cirúrgica de manguito rotador, goniometria isolada não indica retorno ao esporte. Use teste funcional: levantamento de peso acima da cabeça, teste de resistência na abdução ativa contra gravidade, avaliação da força isocinética. A amplitude só conta metade da história.

Movimento De Abducao Estudante De Fisioterapia | Características Da
Movimento De Abducao Estudante De Fisioterapia | Características Da

Referências rápidas para consulta

Para revisar a nomenclatura, o padrão é o Terminologia Anatómica. Para técnica de goniometria, o texto de Knight e Delacroix ainda é referência prática. Para casos clínicos, revisões sobre disfunção escápula do Orthopedic Journal indicam que a taxa de erro diagnóstico aumenta em cinquenta por cento quando se avalia só amplitude sem análise da cinemática escapular. Se você quer material didático sobre o tema, há vídeos curtos de demonstração goniométrica disponíveis em portais de educação continuada em fisioterapia. O conteúdo varia, então compare sempre com o protocolo do seu centro. Nem tudo que circula na internet segue a mesma convenção de posicionamento. No final, a coisa mais importante é anotar o que você fez, como fez e em que posição. Valores soltos sem contexto valem menos que zero. Movimentos de abdução e adução são simples na teoria e chatos na execução, mas a monotonia esconde armadilhas que aparecem só depois de errou.