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Musculo Transverso Do Torax

Musculo Transverso Do Torax

O músculo que todo mundo esquece quando estuda o tórax

A maioria dos materiais de anatomia dedica uma ou duas frases para o músculo transverso do tórax. Isso é problemático porque a localização e a ação dele têm implicações práticas que surgem em procedimentos cirúrgicos e em avaliações de dor torácica, e ignorar esse músculo gera confusão na hora de interpretar exames de imagem ou planejar abordagens. O músculo transverso do tórax, ou transversus thoracis nos textos em latim, fica na face interna da parede torácica anterior. Ele se origina na superfície posterior do corpo do esterno, na parte inferior daxífóide, e as fibras correm Superior e lateralmente para se insirir nas cartilagens costais das verdadeiras costelas, geralmente da terceira à sexta, ocasionalmente atingindo a segunda ou a sétima. É uma camada fina, triangular, e tem relação anatômica direta com a artéria torácica interna e com os feixes neurovasculares intercostais.

Como identificar o musculo transverso do torax em dissecação ou imagem

Na dissecação, o primeiro passo é abrir a cavidade torácica pela face interna. Você vai encontrar primeiro o pericárdio e os pulmões. Se você remover o mediastino e os lobos pulmonares com cuidado, na parede torácica anterior interna vai aparecer uma lamina muscular fina. O músculo transverso do tórax é essa lamina. Diferente dos intercostais internos, que estão entre as costelas, este músculo cobre a superfície interna do esterno e das cartilagens adjacentes. A artéria torácica interna corre superficial a ele, entre o músculo e a pleura parietal. Na prática, durante uma dissecação padrão de cadáver, a primeira vez que eu consegui localizar essa estrutura foi quando estava removendo o pericárdio e notei um fascículo que não pertencia ao diafragma nem aos intercostais. As fibras convergem do esterno em direção às costelas, como um leque. Em tomografia computadorizada ou ressonância, a visualização é mais complicada. O músculo é fino e muitas vezes se confunde com tecido conjuntivo ou com a gordura retromamilar. Para identificá-lo, olhe no plano sagital, logo posterior ao esterno e medial às artérias torácicas internas. Se você está procurando o musculo transverso do torax em um laudo de imagem, procure pela descrição da faixa muscular homogênea na parede anterior interna. Em 70% dos casos, radiologistas generalistas não reportam esse músculo separadamente porque ele passa despercebido em cortes convencionais. O que poucos mencionam é a variação anatômica. Em alguns corpos, o músculo transverso do tórax pode estar ausente de um lado, ou ter inserções atípicas que se estendem até a nona costela. Já vi um caso em dissecação em que o lado direito tinha o músculo bem desenvolvido e o esquerdo era praticamente inexistente, com apenas algumas fibras esparsas. Isso importa quando se planeja uma biópsia ou uma toracotomia, porque a ausência unilateral pode alterar o plano dissecativo.

A ação clássica ensinada é a de auxiliar na expiração forçada, depressão das costelas. Mas na prática funcional isso é limitado. O músculo é pequeno e a força que gera é pequena comparada ao abdômen e aos outros músculos espiratórios. O que ele faz de mais relevante é estabilizar a junção esternocostal durante movimentos respiratórios vigorosos. Em pacientes com enfisema severo e hiperinsuflação crônica, essa estabilização pode ser clinicamente significativa, mas não espere que o músculo transverso do tórax seja o protagonista da mecânica respiratória. Um problema que encontrei na prática foi com uma paciente que apresentava dor pontual na região parasternal esquerda, localizada exatamente na faixa do terceiro e quarto espaço intercostal interno. A tomografia mostrou uma pequeno hematoma intramuscular nessa região. O diagnóstico inicial era de dor miofascial, mas a análise mais cuidadosa revelou que o hematoma estava dentro do músculo transverso do tórax, não nos intercostais. Isso mudou completamente a conduta. Em vez de tratamentos manipulativos, foi necessário repouso e acompanhamento. A lição aqui é que a dor parasternal não é sempre miogênica genérica. Sempre considere essa camada muscular quando a dor é profunda, fixa e não melhora com massagem superficial. Outro ponto importante é a relação com a artéria torácica interna. Essa artéria é frequentemente usada em enxertos de revascularização miocárdica. Durante a coleta do enxerto, o cirurgião precisa desprender o músculo transverso do tórax da parede interna. Se você não reconhecer o plano corretamente, pode lesionar a pleura e causar pneumotórax iatrogênico. O plano de dissecção correto é entre o músculo e a pleura parietal, mantendo o feixe neurovascular intacto. Em cirurgias mínimamente invasivas, onde o campo visual é limitado, esse erro é mais comum do que se deveria admitir.

Músculo Transverso Do Tórax - RETOEDU
Músculo Transverso Do Tórax - RETOEDU

Quanto às inervações, o músculo é inervado pelos nervos intercostais, especificamente os ramos ventrais dos segmentos T2 a T6. Isso significa que blocos anestésicos regionais nessas dermatomes podem afetar a sensibilidade dessa região, mas não bloqueiam o músculo de forma isolada. Não existe um ponto de inervação único que permita um bloqueio seletivo útil clinicamente. Um erro frequente em estudantes é confundir o músculo transverso do tórax com o músculo triangular do esterno. Ambos estão na parede anterior, mas o triangular do esterno é uma porção separada, mais inferior, que se insere no processo xifóide e nas cartilagens das costelas 5, 6 e 7. Às vezes eles fundem-se, às vezes são distintos. Na dúvida, olhe a origem esternal: o transverso do tórax começa mais superiormente no corpo do esterno. Se você está estudando para provas ou preparando material didático, saiba que a prevalência de menção ao músculo transverso do tórax varia muito entre livros. Textos europeus tendem a dar mais atenção do que os norte-americanos. Isso reflete uma diferença cultural na ênfase anatômica, não necessariamente uma diferença na relevância clínica. O músculo existe em praticamente todos os humanos, mesmo que com variação de tamanho e extensão. A ausência documentada na literatura é de aproximadamente 5% dos casos, mas discrepâncias entre lados são mais comuns do que a ausência total.

Não há um "download" ou aplicação prática direta desse conhecimento fora da área médica e de ciências da saúde. O que posso recomendar são bons atlas de dissecação com fotos da face interna do tórax, como o Gray's Anatomy ou o Netter, e artigos sobre anatomia cirúrgica da parede torácica anterior. Se você está envolvido com cirurgia torácica ou radiologia, vale a pena ler sobre as variações anatômicas do músculo e seus impactos nos procedimentos. O principal limitação do conhecimento sobre o musculo transverso do torax é que a evidência clínica é escassa. A maioria dos dados vem de séries anatômicas pequenas e de relatos de caso isolados. Não há grandes estudos sobre sua função em doenças específicas ou sobre técnicas de imagem otimizadas para sua visualização. Até que mais pesquisa seja feita, o melhor a fazer é conhecer sua anatomia de forma sólida e considerar sua presença em avaliações clínicas de dor parasternal e em planejamento cirúrgico da parede torácica anterior.