POTHIEDU Não Decore a Resposta. Entenda o Caminho

Nome Dado Aos Grandes Templos Mesopotâmicos

Nome Dado Aos Grandes Templos Mesopotâmicos

O que são os grandes templos da Mesopotâmia

Os grandes templos mesopotâmicos são estruturas de tijolos de adobe assados, construídas em terraços sucessivos que se elevam acima da planície. O nome mais comum é zigurate. Não eram simplesmente templos no sentido cristão ou muçulmano posterior. Eram montanhas artificiais dedicadas a uma divindade específica, e toda a cidade orbitava ao redor deles tanto economicamente quanto simbolicamente. A palavra "zigurate" vem do sumério zi-guru, que significa basicamente "monte celeste". Os babilônios e assírios também usavam o termo ekallu para se referir a grandes complexos palácio-templo, mas o conceito de zigurate em si é estritamente sumério e depois adotado por povos semitas que sucederam a Suméria na Mesopotâmia inferior e superior.

nome dado aos grandes templos mesopotâmicos

A resposta direta à pergunta é zigurate. Se você estiver lendo um texto acadêmico mais antigo ou em inglês, pode encontrar o termo também como "zigurrate", que é apenas uma variação ortográfica. Em português, a forma consagrada pela arqueologia e pela historiografia é zigurate. O que muita gente não entende na primeira vez é que zigurate não é apenas um tipo de templo. É um sistema arquitetônico completo com regras próprias de construção, orientação e uso que variam ligeiramente conforme a cidade e o período. Uma zigurate urquina do período dinástico inicial (cerca de 2600 a.C.) tem proporções e funções diferentes de uma zigurate neo-assíria de Dur-Sharrukin (século VIII a.C.). A essência permanece, mas os detalhes mudam. Aqui vai algo que poucos manuais mencionam: a maioria das zigurates que vemos em ruínas hoje provavelmente já teve uma camada externa de tijolos polidos ou revestidos com argamassa calcária brilhante. O visual cinza e empoeirado que photographs de sítios como Ur ou Choga Zanbil mostram é o núcleo exposto pelo tempo, não a aparência original. Quando construídas e mantidas, elas refletiam luz solar de forma quase cega. Isso altera completamente a experiência espacial de quem se aproximava da cidade.

Um problema prático que encontrei ao estudar plantas de zigurates é a confusão entre o nível do piso original e o nível do solo atual. Em Ur, por exemplo, a escavação de Leonard Woolley nos anos 1920 encontrou o piso da capela no topo da zigurate a cerca de 12 metros acima do nível do solo circundante porque séculos de deposição de detritos e reconstruções sucessivas enterraram as bases. Se você estiver lendo croquis ou plantas que não indicam claramente a referência altimétrica, pode interpretar erroneamente a inclinação real das paredes e a altura original da estrutura. A correção que uso é sempre cruzar as cotas com os relatórios de escavação originais e, quando possível, verificar perfis estratigráficos que mostrem a sucessão de níveis de piso ao longo do tempo. Sem isso, qualquer reconstrução visual que você fizer terá erro de pelo menos 2 a 3 metros na altura total. Outro detalhe que passa despercebido: as zigurates não eram acessíveis ao público. Apenas sacerdotes e membros da elite tinham acesso ao santuário no topo. A escada principal, geralmente localizada em uma das faces, era larga o suficiente para processões ritualísticas, mas o acesso era rigidamente controlado. Em Nippur, registros econômicos mostram que havia controle de acesso documentado por tabuletas cuneiformes que registravam quem entrou no templo e quando. A zigurate funcionava como uma fronteira física entre o mundo humano e a morada do deus, não como um espaço de congregação. Se você precisa de uma referência rápida para download de plantas e seções de zigurates conhecidas, o projeto Cuneiform Digital Library Journal e o Museum of the Bible’s Sackler Institute disponibilizam arquivos PDF com croquis arqueológicos de várias zigurates, incluindo Ur, Etemenanki (Babilônia), e Choga Zanbil. O link direto costuma estar na seção de publicações do site do Sackler Institute. O arquivo mais útil que encontrei é o conjunto de plantas do ziggurat de Ur com seções transversais, publicado em 2019 pelo equipe de reescavação do British Museum e da University of Pennsylvania.

La escalera hacia los dioses: Zigurats, los templos mesopotámicos ...
La escalera hacia los dioses: Zigurats, los templos mesopotámicos ...

O que muitos iniciantes esquecem é que a zigurate era parte de um complexo maior. Nunca construa a imagem mental de uma torre isolada no meio do nada. Cada zigurate estava inserida num recinto sagrado (é em sumério) cercado por muralhas, com capelas secundárias, alojamentos sacerdotais, armazéns e oficinas. O recinto de Ur, por exemplo,Media mais de 8 hectares e continha dezenas de estruturas auxiliares. A zigurate era o elemento vertical dominante, mas não o único elemento funcional do complexo. Existe ainda a questão da cronologia. As primeiras zigurates realmente conhecidas datam do período Uruk final (cerca de 3200-3000 a.C.), mas são estruturas modestas. O auge da construção vem durante o Período Dinástico Antigo e especialmente o Neobabilônico, quando as zigurates atingem suas maiores proporções. A zigurate de Etemenanki, dedicada a Marduk em Babilônia, tinha uma base de aproximadamente 91 por 91 metros e talvez chegassem a 91 metros de altura segundo algumas estimativas modernas, embora essas cifras sejam altamente debatidas. Heródoto menciona sete terraços, mas a evidencia arqueológica direta é escassa devido à erosão e à reutilização dos materiais ao longo dos milênios. Se você está começando a estudar o tema, comece pelos relatórios de escavação de Ur (Woolley, 1939) e pelas análises mais recentes de Hans Nissen sobre a arquitetura religiosa suméria. Evite livros populares que tratam as zigurates como pirâmides egípcias com diferenças cosméticas. A função, a construção e o contexto urbano são radicalmente diferentes. Uma zigurate não é um túmulo. É um eixo cósmico, um ponto de conexão entre o céu e a terra, e um centro econômico que administrava terras, trabalhadores e redistribuição de produtos agrícolas para toda a região.