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Nome Dos Hormônios Femininos

Nome Dos Hormônios Femininos

Entendendo a endocrinologia feminina na prática

Muita gente pesquiza o nome dos hormônios femininos mas não consegue fazer nada com essa informação depois. A tabela que eu costumo montar pra clínica inclui estradiol, progesterona, testosterona (na verdade existe sim, e em quantidade relevante), prolactina, FSH, LH, DHEA-S, SHBG, tiroxina e cortisol. O ponto que ninguém conta é que esses números só fazem sentido quando você os lê no dia certo do ciclo. FSH de 12 UI/L no dia 3 do ciclo é completamente diferente de FSH de 12 no dia 18. Eu já vi três casos em dois anos onde o diagnóstico de SOP foi errado simplesmente porque a coleta foi feita fora da janela correta. O estradiol é o hormônio predominante na fase folicular. Ele constrói o endométrio e regula o eixo hipotálamo-hipófise. Valores normais no início do ciclo ficam entre 30 e 400 pg/mL. A progesterona sobe só depois da ovulação, quando o corpo lúteo se forma. Se você mede progesterona antes dos 21 dias e acha que está alta, provavelmente cometeu o erro comum de não calcular o dia da ovulação corretamente. A testosterona total em mulheres varia de 15 a 70 ng/dL. Quando fica acima de 80, aí sim vale investigar hiperandrogenismo. A DHEA-S, produzida pelas adrenais, é útil pra diferenciar a origem do excesso de andrógenos. Se a DHEA-S está elevada e a testosterona normal, o problema é adrenal, não ovariano. O FSH e o LH trabalham em conjunto. A razão LH/FSH acima de 2 ou 3 sugere SOP, mas esse critério caiu em desuso porque tem muita falsa positividade. O mais importante hoje é o painel clínico somado aos ultrassons. A prolactina alta (>25 ng/mL) pode causar anovulação e oligomenorreia. Eu já atendi uma paciente com prolactina de 120 ng/mL que relatava apenas irregularidade menstrual leve. O macroprolactinoma só foi descoberto após ressonância. Irregularidade leve não descarta patologia séria.

Como interpretar os exames de forma prática

A ordem correta dos exames importa. Dia 2 a 4 do ciclo: FSH, LH, estradiol, prolactina, testosterona total, DHEA-S. Dia 21 (ou 7 dias após a ovulação confirmada): progesterona. Se o ciclo é irregular, não adianta contar dias. Use teste de ovulação caseiro ou monitore a temperatura basal. A progesterona em níveis adequados pós-ovulação precisa estar acima de 10 ng/mL pra garantir secretização adequada do endométrio. Abaixo disso, o risco de sangramento irregular e_implantation failure aumenta significativamente. Um detalhe técnico que pouca gente leva em conta: a SHBG (sex hormone binding globulin) interfere diretamente na testosterona disponível. Mulheres com SHBG baixo, comum em resistência à insulina, podem ter sintomas de hiperandrogenismo mesmo com testosterona total dentro da referência do laboratório. O cálculo do e-andrógenos livre (método de Vermeulen) ou o teste de testosterona livre por diálise resolve isso. Eu passei seis meses investigando uma paciente com quadro clássico de SOP e todos os andrógenos totais normais. O e-testosterona livre estava 3x acima da referência. O diagnóstico só ficou claro depois desse exame específico.

Limitações importantes que os laboratórios não explicam

Referências de laboratório são diferentes entre si. O mesmo valor de estradiol pode variar de 20 a 50 pg/mL como limite inferior dependendo da metodologia. Imaunoensação padrão tem precisão ruim para valores baixos de testosterona. O ideal é pedir cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas (LC-MS/MS) pra andrógenos. Custa mais caro, mas evita erros diagnósticos que custam muito mais depois. Outro problema frequente: o estradiol medida no terceiro dia do ciclo pode ser falsamente elevado se a paciente estiver usando protocolo de indução de ovulação com gonadotrofinas. Nesse caso, a interpretação muda completamente. Tem ainda o aspecto temporal. Hormônios oscilam dentro do mesmo dia. Cortisol tem ritmo circadiano claro. Prolactina sobe com estresse, exercício e relação sexual. Eu recomendo sempre coletar prolactina em jejum, entre 8h e 10h, sem atividade física prévia e sem estresse agudo. Se o valor vier levemente alto, repetir o exame antes de qualquer conduta. Uma vez encaminhei uma paciente pra ressonância por prolactina de 28 ng/mL. Na repetição, em condições ideais, estava 19. Nada de ressonância necessário.

Hormônios femininos e o ciclo menstrual - Escola Educação
Hormônios femininos e o ciclo menstrual - Escola Educação

Quando buscar avaliação especializada

Ciclos irregulares persistentes, hirsutismo progressivo, queda de cabelo em padrão masculino, acne adulta resistente a tratamentos tópicos, infertilidade com mais de 12 meses de tentativas (ou 6 meses se a paciente tiver mais de 35 anos), amenorreia secundária e sangramentos anormais são indicações claras de avaliação endocrinológica ou ginecológica. Não adianta automedicar com suplementos hormonais sem antes ter o painel completo. A automedicação com progesterona ou estrogênio sem diagnóstico pode mascarar tumores produtorores de hormônios e atrasar o tratamento adequado em meses. O protocolo básico que eu sigo na prática clínica para avaliação inicial leva cerca de 30 minutos e inclui história clínica detalhada, escore de Ferriman-Gallwey pra hirsutismo, medidas de circunferência abdominal e pressão arterial, além dos exames laboratoriais já citados. Em média, esse processo inteiro gasta entre 45 e 60 minutos da consulta, mas economiza semanas de tentativa e erro posterior. Se você está pesquisando nome dos hormônios femininos por conta própria, anote os valores exatos, as referências do laboratório e os dias do ciclo em que foram coletados. Essas três informações mudam completamente a interpretação.