Nos Conhecer Ou Nos Conhecermos
Infinitivo Pessoal com Pronomes: Por que algumas pessoas insistem em usar a forma errada
A dúvida entre nos conhecer e nos conhecermos aparece sempre quando o sujeito da oração principal é nós e o verbo é pronominal. A resposta curta é que ambas as formas existem, mas elas não são intercambiáveis. Elas indicam estruturas diferentes. Eu caí nessa armadilha recentemente ao revisar um contrato de prestação de serviços onde o cliente havia escrito: "As partes declaram que desejam nos conhecer antes de assinarem o contrato." O correto, considerando a norma culta, seria nos conhecermos. A forma com "-mos" no final marca explicitamente que o sujeito do infinitivo é a mesma pessoa do "nós" da oração principal.
Entendendo a diferença real entre os dois usos
O infinitivo pessoal (com flexão) se conjuga em todas as pessoas: conhecer, conheceres, conhecer, conhecermos, conhecerdes, conhecerem. O infinitivo impessoal permanece invariável: conhecer. A questão é quando aplicar cada um. Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo sujeito da oração principal e esse sujeito é nós, a gramática normativa exige a forma flexionada. Exemplo: "Vamos nos conhecermos melhor." O sujeito de "conhecermos" é "nós", que é o mesmo sujeito de "vamos". Aqui, usar a forma impessoal soa informal, mas não está necessariamente errado em registros mais coloquiais. Já em construções com sujeito diferente, o infinitivo impessoal é a regra. "É necessário nos conhecer para formar uma equipe." Nesse caso, "nos conhecer" funciona como um objeto da oração, sem sujeito definido no infinitivo.
Por que o erro é tão comum
O problema principal é que o pronome "nos" pode funcionar como objeto direto, objeto indireto ou parte de um verbo pronominal. Quando ele é parte de um verbo pronominal (como "conhecer-se"), a concordância fica mais visível. Quando é objeto, a flexão do infinitivo não é obrigatória. Outro fator: na fala cotidiana, o infinitivo impessoal dominou o português brasileiro. Isso significa que a maioria das pessoas ouve "vamos nos conhecer" o tempo todo, e a forma "nos conhecermos" parece artificial ou exageradamente formal. Não é que a norma estética esteja errada — é apenas menos presente no uso diário. Um caso interessante que vi acontecer é quando o verbo na oração principal está no futuro do subjuntivo ou no pretérito imperfeito. Exemplo: "Se quiséssemos nos conhecermos, precisaríamos de mais tempo." A repetição do "nos" pode soar estranha ao ouvido, mas gramaticalmente é correta. Quem não domina o assunto costuma simplificar para "nos conhecer", e nesse contexto específico a simplificação introduz ambiguidade: quem seria o sujeito?

Regras práticas para não errar
Primeiro, identifique o sujeito do infinitivo. Se for nós e o verbo for pronominal, use a forma flexionada: nos conhecermos. Se o sujeito for implícito ou diferente, o impessoal (nos conhecer) costuma ser adequado. Segundo, preste atenção à regência verbal. Verbos como "deixar", "fazer", "ver" e "ouvir" admitem infinitivo impessoal mesmo com sujeito identificado. "Eu os vi nos conhecer" é aceitável porque esses verbos de percepção e causação têm comportamento especial. Já com "querer", "poder", "dever" e "precisar", a preferência é pela forma flexionada quando o sujeito é nós. Terceiro, em textos formais — artigos acadêmicos, documentos jurídicos, editais de concurso — a flexão do infinitivo é praticamente obrigatória. Em mensagens informais, redes sociais, conversas de WhatsApp, a variação impessoal é amplamente aceita e raramente gera mal-entendidos.
Aqui está um recurso útil para consultar exemplos e fazer exercícios: CiberDúvidas - Infinitivo Pessoal. O site da Academia Brasileira de Letras também tem material complementar.
Cuidado com os falsos positivos
Existe um cenário onde a forma "nos conhecer" está absolutamente correta mesmo com sujeito "nós": quando o infinitivo funciona como nome ou substantivo. "O plano era simples: nos conhecer antes de agir." Nesse caso, "nos conhecer" não é um verbo conjugado, é um substantivo verbal. A flexão seria incorreta. Outro ponto que gera confusão é a posição do pronome. Na norma padrão, o pronome oblíquo deve vir antes do infinitivo flexionado: "devemos nos conhecermos". Colocá-lo depois — "deveríamos conhecê-nos" — também é aceitável em alguns contextos, mas muda completamente a estrutura da frase e não resolve a dúvida original sobre a flexão.

Alternativa quando a flexão parece absurda
Se a construção com infinitivo pessoal soa excessivamente pesada na sua frase, uma alternativa elegante é usar uma oração subordinada introduzida por "que". Em vez de "Gostaríamos de nos conhecermos melhor", escreva "Gostaríamos de que nos conhecêssemos melhor". A subordinação resolve o problema de forma mais natural e evita a sensação de redundância que o "nos" duplicado pode causar. A dica final é prática: leia a frase em voz alta. Se ela soa estranha com a forma flexionada, teste com "que" + subjuntivo. Se ainda assim parecer forçada, verifique se o sujeito realmente é nós ou se o verbo é pronominal. Duas vezes essas duas condições estão presentes, a forma flexionada é a escolha mais adequada para escreveres.
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Conhecermo-nos para depois conhecermos os outros - Nuno Mendes