Nos Informe Ou Nos Informem
A diferença prática entre "nos informe" e "nos informem"
A questão é mais simples do que a maioria das pessoas pensa, mas também mais irritante do que deveria porque todo mundo erra. A forma correta depende exclusivamente de quem você está tratando no momento. "Nos informe" vai com você no singular. É a terceira pessoa do singular do imperativo ou do presente do subjuntivo. Se você está mandando um e-mail para uma pessoa específica, um chefe, um fornecedor, alguém que você trata por "senhor" ou "vossa senhoria" — usa essa forma. "Nos informem" vai com vocês no plural. Terceira pessoa do plural. Quando o destinatário é mais de uma pessoa, ou quando se usa o plural de cortesia (como em documentos oficiais endereçados a múltiplos responsáveis).
Quando escolher entre nos informe ou nos informem
O erro mais comum que eu vejo acontecendo no dia a dia é quando alguém escreve um e-mail genérico para vários destinatários no campo "Para" e ainda assim usa "nos informe". Isso acontece porque o remetente pensa no próprio ato de enviar como algo individual — ele está enviando, então parece singular. Mas o sujeito da oração é quem recebe a solicitação, não quem envia. Se a frase é "Solicitamos que nos informe sobre o atraso", e você mandou para cinco pessoas, o correto é "Solicitamos que nos informem sobre o atraso". O verbo concorda com quem recebe a ordem, não com quem pede. Outro caso que causa confusão: frases no infinitivo pessoal. "Convidamos-vos a nos informar" está certo porque o infinitivo não flexiona nessa construção. Se fosse "Convidamos-vos a nos informardes", aí sim estaria no plural, mas soa artificial demais na língua culta atual. Ninguém fala assim.
Me deparei com um problema específico há pouco tempo num contrato de prestação de serviços. A cláusula dizia: "O CONTRATANTE deverá nos informar qualquer inconsistência". Só que o contratante era uma empresa com três diretorias envolvidas, e a outra parte insistia que deveria ser "nos informem" porque eram múltiplos responsáveis. A discussão durou duas semanas. A solução foi reescrever a cláusula evitando a ambiguidade completamente: "O CONTRATANTE deverá comunicar por escrito quaisquer inconsistências encontradas". Fim da briga. O que as gramáticas normativas dizem sobre isso:

- Cegulha, Nova Gramática do Português Contemporâneo: a concordância do verbo na oração subordinada segue o sujeito dessa oração, independentemente do verbo principal.
- Houaiss: tanto o imperativo quanto o subjuntivo seguem as regras padrão de concordância verbal.
- Cereja et alii, Nova Gramática do Português Europeu: o tratamento por "você/vocês" segue a conjugação da terceira pessoa, o que gera frequentemente dúvida porque na fala cotidiana o "você" funciona como segunda pessoa.
Aqui vai um insight que poucas pessoas entendem de verdade: o problema não é só gramatical, é pragmático. Em português brasileiro, o tratamento formal por "você" no singular ainda é muito forte em contextos corporativos e jurídicos. Já em português europeu, o uso de "você" como tratamento é muito menos comum e tende a soar familiar ou até rude. Então uma mesma frase pode gerar dúvidas diferentes dependendo de qual variante do português você está escrevendo. Outra coisa que ninguém ensina: quando o verbo vem antes do pronome oblíquo, como em "Que nos informe o setor financeiro", a flexão ainda depende do sujeito ("o setor financeiro" = singular). A ordem inversa não muda nada na concordância, mas muitas pessoas travam porque a visualização fica confusa. Separe mentalmente: quem pratica a ação do verbo? Se for uma só entidade, singular. Se forem várias, plural. O que funciona na prática para não errar mais:
- Identifique o sujeito da oração subordinada antes de conjugar o verbo.
- Se estiver usando "vocês" (mesmo que tácito), use a terceira pessoa do plural.
- Em e-mails corporativos, quando não tiver certeza se é um ou múltiplos destinatários, reescreva a frase para evitar o verbo no final. Exemplo: "Aguardamos retorno" em vez de "Aguardamos que nos informe" ou "nos informem". Elimina a dúvida na raiz.
A desvantagem dessa abordagem é que às vezes você acaba usando construções mais engessadas. "Aguardamos retorno" é mais seco, menos natural em certos contextos informais. Mas em documentos formais, contratos e comunicações oficiais, a segurança vale o custo de perde um pouco de fluidez. Resumindo sem resuminar: se é uma pessoa só, "nos informe". Se são várias, "nos informem". A dúvida nasce quando se trata de tratamento formal e não se tem clareza sobre o número real de destinatários. Nesse caso, reescrever é sempre a saída mais limpa.
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