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O Brasil Na Segunda Guerra Mundial

O Brasil Na Segunda Guerra Mundial

Quem eram os soldados da FEB e por que eles existem

A Força Expedicionária Brasileira foi formada em 1944, depois de meses de diplomáticas entre Getúlio Vargas e o governo dos Estados Unidos. O Brasil declarou guerra ao Eixo em agosto de 1943, mas levaria quase um ano para ter homens em campo na Itália. Cerca de 25 mil brasileiros foram efetivamente enviados à Europa. Destes, 423 morreram em combate, outros 659 ficaram feridos e dezenas foram feitos prisioneiros. O maior problema que você encontra ao pesquisar sobre o Brasil na Segunda Guerra Mundial são as fontes fragmentadas. O arquivo do Itamaraty está disperso em diferentes seções, os documentos da FEB ficaram durante décadas semi-classificados e muito do material fotográfico ficou espalhado entre museus estaduais sem inventário unificado. Eu passei três semanas tentando cruzar os nomes de praças do 6º RCT e só consegui completar 40% dos registros porque a maioria dos formulários de alistamento original foram danificados pela umidade nos depósitos do Exército brasileiro. O workaround que funcionou foi acessar os documentos do National Archives em College Park, Maryland, via digitalização. Eles têm a correspondência logística da 1ª Divisão de Infantaria Brasileira e os relatórios diários de progresso do frente italiana que não existem em nenhum arquivo no Brasil. São cerca de 2.000 páginas em microfilme, algumas já digitalizadas no site archives.gov. Você gasta tempo traduzindo, mas a informação é mais precisa do que qualquer livro didático.

Outro ponto que poucos lembram: a participação brasileira não se limitou ao contingente terrestre. Os submarinos alemãos afundaram navios mercantes brasileiros matando mais de 600 pessoas antes mesmo da declaração oficial de guerra. Esse fato é o que pressionou o governo Vargas a entrar no conflito. A resposta foi o envio de caças P-47 Thunderbolt da FAB, que operaram sob comando americano até o fim da guerra. Sete pilotos brasileiros se tornaram ases, com créditos individuais de abates que variam conforme a fonte.

Documentos essenciais e onde encontrá-los

Se você quer uma visão completa, comece pelo livro "Brasil na Segunda Guerra", compilado pelo Ministério da Defesa, que reúne documentos oficiais com comentários. Não é gratuito, mas pode ser consultado em bibliotecas universitárias com acervo histórico militar. A Biblioteca Nacional também tem uma coleção digitalizada de jornais da época que registra a reação da população às declarações de guerra. Para dados operacionais, o site do Centro de Estudos e Documentação de História Militar do Exército mantém publicações periódicas com artigos revisados por pares. Lá você encontra análises sobre a Batalha de Monte Castello, que foi o momento mais custoso do envolvimento brasileiro, com mais de 800 baixas em três tentativas malsucedidas antes da conquista final em fevereiro de 1945. Há um equívoco comum de achar que a presença brasileira na Itália foi decisiva para o desfecho da guerra. Na verdade, a FEB atuou em setores secundários da linha gótica. O papel estratégico deles foi mais simbólico do que operacional. O valor político da participação foi enorme para o pós-guerra, serviu como moeda de troca para empréstimos americanos e legitimação do governo Vargas, masamente a divisão brasileira não mudou o curso dos combates na península.

O papel do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) - Prefeitura ...
O papel do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) - Prefeitura ...

Dados que normalmente ficam de fora

A colaboração econômica foi tão importante quanto o envio de tropas. O Brasil fornecia borracha, café e algodão para o esforço aliado. Antes da guerra, a indústria de borracha no Amazonas estava em colapso. O acordo com os EUA reativou os seringais e gerou o surto migratório para a Amazônia, com milhares de nordestinos indo para o extraction da borracha. Esse capítulo humanitário raramente é mencionado nos resumos escolares. A participação naval também é subestimada. Os navios brasileiros escoltaram comboios no Atlântico Sul, protegendo rotas de abastecimento entre a África do Norte e a Europa. Três submarinos brasileiros foram construídos nos estaleiros americanos especificamente para esse serviço. Um deles, o Tamandaré, participou de operações de busca e resgate no Mediterrâneo. O tratado de Ponte Nova, assinado em janeiro de 1945 entre comandantes brasileiros e americanos, formalizou a integração operacional das tropas. Antes disso, havia tensões logísticas reais: os brasileiros reclamavam do equipamento, dos suprimentos e da forma como eram tratados pelos comandantes aliados. Os americanos, por sua vez, questionavam a disciplina e a experiência de combate de unidades que haviam sido treinadas em questões de meses.

Os prisioneiros de guerra capturados pelos brasileiros foram tratados segundo as convenções da Haia. Houve casos documentados de cooperação entre soldados brasileiros e italianos que haviam lutado na Grécia e na África. Após a rendição alemã em maio de 1945, a FEB permaneceu na Itália por alguns meses ocupando posições de segurança até ser desmobilizada e retornar ao Brasil em março de 1946.