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O Condutor Que Vai Parar O Veículo No Acostamento Deve

O Condutor Que Vai Parar O Veículo No Acostamento Deve

Parar no acostamento é simples na teoria, complicado na prática

A maioria das pessoas acha que saber o que fazer quando precisa parar no acostamento se resume a ligar o pisca-alerta e sair do carro. Já vi isso acontecer em rodovias movimentadas e, infelizmente, o resultado costuma ser perto do que deveria ser. O Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 185, fala sobre infração ao parar ou estacionar no acostamento. A lei existe, mas a questão prática é muito mais complexa do que decorar um número de pontos naCNH. Quando você vai parar no acostamento, precisa considerar uma sequência lógica de ações que a maioria dos motoristas pula por pressa ou distração. Não comece avaliando se há espaço. Comece olhando pelo retrovisor interno e pelos laterais para verificar se há veículos se aproximando pela trás ou se estão em processo de ultrapassagem. Isso leva dois segundos e pode evitar um acidente grave. Eu já vi um caminhoneiro quase atingir um carro parado no acostamento da BR-101 porque o motorista havia parado para colocar o pneu furo sem ter observado a aproximação de veículos em alta velocidade. O caminhoneiro estava a cerca de 120 quilômetros por hora e não teve tempo de desviar.

Depois de confirmar que a via está livre, sinalize com o pisca-alerta com antecedência. O ideal é começar a reduzir a velocidade gradualmente, sem frear bruscamente, enquanto se desloca suavemente em direção ao acostamento. Se o veículo estiver apresentando algum problema mecânico, o pisca-alerta sozinho já comunica aos demais condutores que há uma situação anormal. Mantenha o pisca-alerta ligado durante toda a permanência no acostamento. Ao parar, posicione o veículo o mais próximo possível da borda da pista, com todas as rodas sobre o acostamento. Deixar qualquer parte do veículo suspensa na divisa entre o asfalto e o terreno é pedir para levar um tranco de quem não prestar atenção. Já configurei um cliente que estava parado com três rodas no asfalto e uma no terra e levou uma batida de um carro que estava passando na velocidade máxima permitida. O prejuízo foi enorme e, no final, ficou provado que o motorista do carro parado estava equivocado na posicionamento. Agora, sobre sair do carro. Se for uma parada emergencial em rodovia, saia do veículo, mas fique fora da faixa de rolamento. Use o triângulo de segurança se tiver um. Posicione-o a pelo menos 30 metros do veículo, em visibilidade, de preferência em trechos retos. Em curvas, posicione o triângulo antes da curva, na parte reta, para que quem vem no sentido oposto tenha tempo de reação. Muitos motoristas colocam o triângulo atrás do carro, no mesmo trecho curva, e isso praticamente não adianta nada, porque o condutor que está chegando já está na curva sem ter visto o obstáculo.

Um detalhe que pouca gente considera é a iluminação. Se você parar à noite ou em condições de pouca visibilidade, além do pisca-alerta, se tiver possibilidade, acenda os faróis baixos. Isso aumenta significativamente a sua visibilidade para quem está vindo de trás. Já atendi um chamado onde um motorista parou no acostamento de uma rodovia estadual com neblina intensa e apenas o pisca-alerta ligado. Um outro veículo não o visualizou a tempo e colidiu na traseira. O motorista acabou se machucando, mas sobreviveu porque estava usando cinto. O colega que estava no veículo que colidiu também levou ferimentos graves.

O condutor que vai parar o veiculo no acostamento deve - brainly.com.br
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Problemas comuns e como resolver

O maior problema que vejo é a falta de preparo dos motoristas. A maioria dos carros não vem mais com triângulo de segurança de fábrica e, mesmo quando vem, as pessoas simplesmente não sabem onde guardar ou não sabem usar corretamente. Minha recomendação prática é manter um triângulo refletivo no porta-luvas ou em algum local de fácil acesso, junto com um colete refletivo. Em muitos estados, a Polícia Rodoviária faz fiscalizações e pede o colete para exibição em paradas de emergência. Outra coisa importante é a comunicação. Se possível, avise alguém sobre sua localização. Use o GPS do celular para capturar as coordenadas exatas e mande para um familiar ou amigo. Na rodovia, saber o quilômetro exato onde você está pode economizar minutos preciosos se precisar de resgate ou socorro. Eu já passei por uma situação em que precisei chamar um guincho na BR-381 e não sabia exatamente onde estava. Levei quase 40 minutos para conseguir me localizar e o guincho levou outro tanto para chegar. Se eu tivesse as coordenadas GPS, teria resolvido isso em 15 minutos no máximo. Há também a questão da permanência no veículo. Existem situações em que é mais seguro permanecer dentro do carro, com o cinto afivelado, especialmente em rodovias muito movimentadas onde sair do veículo representa mais risco do que permanecer nele. Se você parar em uma rodovia com tráfego intenso e não houver uma área segura para sair, Fique dentro do carro, com o cinto apertado, e ligue para os serviços de emergência. Não saia do veículo só por sair. Avalie o contexto.

Outro erro frequente é deixar o veículo em pontos perigosos. Estacionar embaixo de outeiros, em curvas fechadas ou em trechos onde a visibilidade é reduzida é uma das principais causas de acidentes com veículos parados no acostamento. Sempre busque trechos retos e com boa visibilidade para fazer paradas, se o problema permitir que você continue dirigindo até um local mais seguro. Se o problema mecânico for grave, como vazamento de fluido, superaquecimento do motor, barulhos estranhos na suspensão ou problemas nos freios, o ideal é não insistir em dirigir até casa. Chame um reboque ou guincho. O custo de um guincho em rodovias pode variar de R$ 200 a R$ 800, dependendo da distância e da operação necessária. Pagar esse valor é infinitamente melhor do que arriscar um acidente.

O que a lei realmente diz

O CTB, em seu artigo 185, tipifica como infração média parar ou estacionar o veículo no acostamento, com penalidade de multa e suspensão do direito de transitar. O infração é considerada média, o que significa multa de R$ 130,16 e três pontos na CNH. Porém, a questão não é apenas saber que existe multa. A questão é entender que o acostamento é uma faixa de emergência, não uma vaga de estacionamento disfarçada. Muitos motoristas usam o acostamento para descansar, fazer ligações, tirar fotos ou simplesmente porque estão cansados. Isso é errado e perigoso. Se você está cansado, o correto é buscar uma área de serviço, um posto de combustível ou um estacionamento seguro para descansar. O acostamento não foi projetado para receber veículos parados por períodos prolongados ou para descanso. Existe ainda a questão da remoção do veículo. Em muitas rodovias administradas por concessionárias, o veículo parado no acostamento pode ser removido a pedido da autoridade de trânsito ou da própria concessionária, especialmente se estiver obstruindo a visibilidade ou representando risco. Os custos de remoção são altos e, na maioria das vezes, ficam a cargo do proprietário do veículo. Portanto, evite parar no acostamento sempre que possível.

O que o condutor que vai parar o veículo no acostamento deve fazer?
O que o condutor que vai parar o veículo no acostamento deve fazer?

Outro aspecto importante é a interação com outros motoristas. Quando você vê um veículo parado no acostamento, reduza a velocidade e aumente a atenção. Em muitas rodovias, motoristas distraídos ou que estão usando o celular não percebem imediatamente o veículo parado e colidem na traseira. É sua responsabilidade como condutor estar atento a essas situações e tomar as precauções necessárias. Se você for o motorista que está pensando em parar no acostamento, pense duas vezes. Pergunte-se se realmente é necessário parar ali ou se você pode prosseguir até um local mais seguro. A diferença entre um incômodo temporário e um acidente grave pode ser apenas uma decisão bem tomada.