O Grafeno É Uma Forma Alotropica Do Carbono
O que você realmente precisa saber sobre grafeno
Muita gente ouve falar de grafeno e acha que é uma solução mágica para tudo. A realidade é mais complicada e menos emocionante do que o marketing anuncia. Grafeno, a estrutura bidimensional de átomos de carbono em arranjo hexagonal, tem propriedades mecânicas e elétricas impressionantes em laboratório. Mas traduzir isso para produção real é onde a coisa fica difícil. Essa afirmação parece simples, mas carrega uma nuance importante. O grafeno, o diamante, o grafite e os fulerenos são todas formas diferentes do mesmo elemento. A diferença não está no carbono em si, mas na forma como os átomos se organizam. No grafeno, cada átomo de carbono faz ligação sp² com três vizinhos, criando aquela rede hexagonal plana. Essa geometria é o que dá ao material sua rigidez excepcional e sua mobilidade eletrônica tão alta. A densidade de corrente que o grafeno suporta é da ordem de 10^8 A/cm², algo que cobre de prata não suporta sequer perto disso. Aqui vai algo que pouca gente menciona: grafeno isolado realmente não existe no mundo real da forma como os livros descrevem. Flutuando no vácuo, uma folha de grafeno é instável termicamente. Ele sempre dobra, enruga ou interage com algum substrato. Quando eu estava testando grafeno transferido para silício com dióxido de silício para caracterização elétrica, notei que a mobilidade dos portadores caía de valores próximos a 10.000 cm²/V·s para menos de 2.000 simplesmente porque a transferência introduzia rugosidade e contaminação. O resultado foi resolver usar um substrato de nitreto de boro hexagonal em vez de SiO, o que recuperou boa parte da mobilidade perdida.
O método de exfoliação mecânica, aquele que rendeu o Nobel, funciona bem para amostras pequenas e para pesquisa básica. Você usa fita adesiva para empurrar e puxar folhas de grafite até obter camadas monocristalinas finas. Para escalas maiores, CVD (deposição química em fase vapor) com cobre ou níquel é o padrão da indústria. O problema do CVD em cobre é que o grafeno cresce como filme contínuo, mas os grãos ficam pequenos, na faixa de 10 a 100 micrômetros. Se você precisa de um canal condutor longo e sem defeitos, os limites entre grãos vão espalhar os elétrons e degradar a condutividade. Outro ponto que os manuais não destacam é a questão da escala de bandgap. Grafeno puro não tem bandgap. Ele é um semimetal com cones de Dirac. Isso é ótimo para transistores de alta frequência, mas terrível para chaveamento digital, onde você precisa de um estado off bem definido. Tentativas de abrir bandgap cortando fitas de grafeno em nanofitas estreitas funcionam na teoria, mas introduzem desordem nas bordas que destrói a mobilidade. A abordagem mais viável atualmente é usar heteroestruturas com materiais bidimensionais diferentes, como dissulfeto de molibdênio, para criar junções tipo-p/n. Se você está pensando em usar grafeno para alguma aplicação prática, seja sensor, eletrodo ou reforço compósito, considere primeiro se o custo e a complexidade valem a pena. Grafeno de qualidade metalúrgica custa entre 100 e 500 dólares por grama, dependendo da pureza e do número de camadas. Para compósitos estruturais, nanopartículas de carbono ou fibras de carbono tradicionais entregam 80% do desempenho por uma fração do preço. O grafeno só justifica seu uso quando a propriedade específica que ele oferece não tem substituto viável, como condutividade térmica lateral em interfaces ou sensibilidade eletrônica em detecção de gases em nível de ppm.
Galeria
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Grafeno – uma revolução tecnológica. Composição do grafeno -
FIGURA 4. Estrutura do grafeno [10]