O Instrumento Utilizado Para Verificar Planicidade Das Peças É
Como verificar planicidade na prática
Você monta o comparador de curso num banco de medição, apoia a peça sobre o plano de referência e faz a varredura. Pontos mais altos mostram leitura positiva no mostrador, rebaixos mostram negativo. O plano de referência em si é a base plana calibrada, geralmente em ferro fundido ou granito, com planicidade certificada. Quando você ouve "o instrumento utilizado para verificar planicidade das peças é", as pessoas normalmente pensam no conjunto comparador mais plano de referência, mas existe todo um esquema por trás que os manuais raramente explicam. A resposta direta para a frase que aparece em provas técnicas e manuais é essa combinação. O plano de referência fornece a superfície de comparação e o comparador mede as desvios em relação a ela. Existem variações. Para planicidade de precisão extrema, usa-se óptico de interferência com placas ópticas e luz monocromática. Para uso geral em usinagem e montagem, o comparador com base magnética sobre o plano de referência é o padrão do dia a dia. O plano de referência deve ter classificação conforme a NBR ou ISO 33_0. Plano classe 00 tem tolerância muito mais apertada que classe 1, e usar um plano desgastado como base para medição é a causa mais comum de erro sistemático em oficinas. Já vi peça passar no comparador mas sair fora de tolerância quando conferida em outra mesa, porque o plano da primeira estava empenado por anos de uso sem revisão.
Na prática, o procedimento é: limpar o plano e a peça com flanela e álcool isopropílico, fixar o comparador na base magnética, tarar em zero sobre um ponto de referência, fazer a varredura em cruz (diagonais e eixos principais), registrar os valores máximos e mínimos e calcular a planicidade como a diferença entre eles. Peça de 300 por 300 milímetros em aço inox leva cerca de oito minutos para uma leitura completa, desde que o operário já tenha intimidade com o equipamento. Leva cerca de vinte se for a primeira vez. O detalhe que ninguém conta e que causa dor de cabeça constante é a temperatura. Um plano de granito e uma peça de aço aquecida só chegam à mesma temperatura depois de algumas horas. Se você apoiar uma peça que saiu do retificador ainda morna sobre o plano, ela vai esfriar e contrair durante a medição, fazendo com que os pontos centrais apareçam rebaixados quando na verdade a deformação é térmica passageira. A solução que eu uso é simples: deixar a peça e o plano na sala de medição por pelo menos doze horas antes, se possível, e medir sempre no mesmo intervalo térmico, preferencialmente pela manhã quando a oficina está estabilizada. Outro problema recorrente é a limpeza. Uma partícula de cavaco do tamanho de um grão de areia pode generar uma leitura falsa de três a cinco micrômetros. Isso parece pouco, mas em peça de vedação ou rolamento já é suficiente para rejeitar o lote. A limpeza não é passo opcional, é parte fundamental do processo. Eu passo álcool, enxugo com flanela sem fiapos, e passo a mão descaindo sempre no mesmo sentido para sentir irregularidades que o olho não distingue.
Existe um limitador importante que precisa ser dito com clareza: o comparador sobre plano de referência mede desníveis relativos, mas não diferencia planicidade de paralelismo. Se a peça estiver torcida ou mal apoiada, a leitura será distorta. O apoio precisa ser estável e a força de contato do comparador deve ser constante, algo em torno de dois a quatro newtons, conforme o manual do fabricante. Força excessiva empurra a peça e lê rebaixo onde não existe. Para peças grandes, como placas de máquina ferramenta com mais de um metro, o plano de referência convencional já não é viável. Nesse caso, recorre-se a níveis ópticos ou a máquinas de medição por coordenadas, que constroem o plano ideal matematicamente a partir de pontos coletados. O CMM resolve, mas o custo hora de máquina e a necessidade de programmeração fazem com que, para a maioria das oficinas deUsinagem, o comparador com plano de referência continue sendo a escolha mais sensata economicamente. Se você precisa de referências rápidas para consulta, a norma ISO 127_Define os limites de planicidade para planos de referência e a ISO _7 define os requisitos para o comparador de curso usado nesse procedimento. A ABNT também publica a NBR correspondente, que é a base das especificações exigidas em certificações de qualidade no Brasil.

Galeria
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