O Nome De Tiradentes
Quem foi Tiradentes, na verdade
Muita gente conhece o nome pelo pseudônimo, mas o nome completo do líder da Inconfidência Mineira é Joaquim José da Silva Xavier. Nasceu em 1756, no rio das Mortes, interior de Minas Gerais. Era dentista de profissão, e foi aí que surgiu a alcunha Tiradentes. Não era um apelido carinhoso. Era só uma descrição do ofício mesmo, bem comum na época para designar pessoas que extraíam dentes. Ele mesmo começou a assinar documentos como "Tiradentes" já na fase adulta. O nome completo aparece em certidões de batismo, contratos de casamento, processos giudiziários e, obviamente, no auto de condenação de 1789. A ortografia da época era outra. Encontra-se "Silva" sem o acento, "Xavier" às vezes grafado "Xaver". Quando você pesquisa o nome dele em arquivos, precisa se adequar a essas variações, senão perde metade dos documentos. Uma coisa que poucos sabem: o sobrenome Xavier não vinha da linhagem paterna direta. O pai era Domingos da Silva Xavier, português radicado em Minas. A mãe, Maria Antônia de Jesus, era branca, filha de pai português e mãe mineira. A composição social da família explicava parte da mobilidade limitada que Joaquim José enfrentou, apesar de ser proprietário de terras e de escravizados.
O apelido Tiradentes não era exclusivo dele. Havia outros dentistas na capitania com o mesmo cognome popular. O que o distinguia era a atuação política. Depois da trama descoberta, o grupo todo foi processado. Onze condenados à morte, entre eles Tiradentes. Os outros receberam pena de degredo. A dele foi executada em 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, então Capital do Reino. Se você precisa localizar documentos originais, o Arquivo Público Mineiro e o Arquivo Nacional no Rio possuem cópias digitalizadas. O processo principal está catalogado como "Inconfidência Mineira - auto de condenação". A pesquisa por "Joaquim José da Silva Xavier" retorna menos resultados do que a busca por "Tiradentes", justamente porque os escribas da época registravam mais frequentemente a alcunha nos atos públicos. O feriado nacional em 21 de abril foi instituído em 1965, durante o governo de Humberto Castelo Branco. Antes disso, a data era comemorada de forma regional. A escolha do nome do feriado como "Dia da Consciência Negra" gerou polêmica, e acabou se tornando feriado estadual apenas em vários estados, enquanto em nível federal a data permanece como feriado nacional dedicado a Tiradentes. É um detalhe burocrático que causa confusão toda vez que alguém tenta explicar o calendário escolar.
Não existe uma versão definitiva e única do nome. Fontes divergem se ele tinha ou não um título intermediário, se havia partícula nobiliárquica ou não. O mais seguro é usar Joaquim José da Silva Xavier. Qualquer outra variação é aceitável desde que explicitada. A historiografia brasileira trata o assunto com certa leveza, provavelmente porque não compensa discutir grafias quando o homem já está morto há mais de dois séculos. O que me pegou uma vez foi um projeto de pesquisa onde eu precisava cruzar registros de batismo com processos judiciais do século XVIII. A biblioteca do Tribunal de Justiça de Minas guarda documentos que usam "Jorge José da Silva Xavier" em alguns autos. A confusão veio de um escriba que abreviou o prenome de forma diferente. Demorei duas semanas para perceber que se tratava da mesma pessoa. A solução foi cruzar datas, locais e nomes das testemunhas. Nada substitui a verificação cruzada quando se trabalha com fontes primárias dessas épocas.

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