O Que Estudar Para Redação Do Enem
A estrutura que realmente funciona na hora H
A banca do ENEM avalia cinco competências específicas. A maioria dos cursinhos ensina isso de forma separada, o que é um erro porque na prática você precisa executar as cinco coisas ao mesmo tempo, com pouco tempo e sob pressão. Eu corrigi redações em processos seletivos universitários durante anos e a diferença entre um texto nota 900 e um 700 muitas vezes não está no repertório sociocultural, e sim na coerência argumentativa. O que mais vejo estourando é a dissertação-argumentativa. O aluno escreve coisas boas, mas o texto vira um conjunto de ideias soltas sem uma linha lógica clara. A banca penaliza isso pesadamente na Competência 5. Você precisa de uma tese clara, de parágrafos de desenvolvimento que sustentam essa tese, e de uma proposta de intervenção que conecte naturalmente ao que você defendeu.
O que estudar para redação do enem
Você precisa dominar os quatro eixos que a banca examina. O primeiro é gramática formal, especificamente a norma culta escrita. Isso significa dominar crase, concordância verbal e nominal, regência, pontuação e ortografia. Erros nesses tópicos derrubam a nota na Competência 1, que vale 200 pontos. Não adianta ter argumentos brilhantes se o texto inteiro parece ter sido ditado por voz e corrigido automaticamente. O segundo eixo é estrutura dissertativo-argumentativa. Você precisa saber montar uma introdução que apresente a tese, dois ou três parágrafos de desenvolvimento com argumentos bem construídos, e uma conclusão com proposta de intervenção completa. A proposta precisa ter agente, ação, meio ou modo, detalhamento e finalidade. Faltar qualquer um desses elementos corta pontos na Competência 5. O terceiro eixo é repertório sociocultural. Isso não significa citar filósofos difíceis. Significa usar dados, conceitos, alusões históricas ou estudiosos para embasar seus argumentos. Um exemplo simples: ao discutir acesso à saúde, citar o SUS como política pública brasileira já é um repertório legitimado. Você não precisa de Foucault para tirar boa nota nesse quesito.
O quarto eixo é circulação textual. Isso quer dizer ler e analisar textos jornalísticos, editoriais, artigos de opinião e crônicas sobre temas contemporâneos. A Redação do ENEM cobra temas sociais, ambientais, culturais e de direitos humanos recorrentes. Temas como violência urbana, direitos da pessoa idosa, migrações, sustentabilidade e acesso à educação aparecem frequentemente. Na prática, eu orientava estudantes a montar uma agenda de leitura de dois meses antes da prova. Duas notícias por dia sobre temas das áreas do exame, e pelo menos uma redação modelo a cada semana sendo analisada criticamente. O que me salvava era pedir para o estudante justificar a escolha de cada argumento, não apenas copiar a estrutura pronta. Muitos conseguiam notas acima de 800 simplesmente porque o raciocínio lógico estava coeso, mesmo com vocabulário simples. Um caso específico que lembro: um aluno tinha vocabulário muito rico, mas sua proposta de intervenção sempre ficava genérica. Ele escrevia "o governo deve tomar providências" sem especificar qual governo, como, quando e com qual orçamento. O recurso que funcinou foi exigir que ele preenchesse uma ficha obrigatória com os cinco elementos da Competência 5 antes de escrever o parágrafo final. Depois de dez treinos com essa ficha, o cérebro dele automatizou o processo e ele passou a construir propostas completas sem pensar. Levou cerca de oito semanas para a automatização acontecer.

Existe um detalhe que poucos mencionam e que pode fazer diferença significativa na nota. A banca valoriza muito a progressão textual dentro de cada parágrafo. Muitas vezes o aluno apresenta um argumento e para ali. Ele precisa articular causa e consequência dentro do mesmo parágrafo. Se escrever sobre preconceito racial, por exemplo, não basta afirmar que ele existe. É preciso explicar como ele se manifesta nas estatísticas, no acesso ao emprego ou na violência, e qual o resultado prático disso para a sociedade. Isso demonstra domínio argumentativo na Competência 4. Outro ponto negligenciado é o uso adequado de conectivos. Conectivos não são enfeite. Eles sinalizam relações lógicas para o leitor e para o corrector. "Portanto", "consequentemente", "sob esse prisma", "nesse sentido" indicam conclusão. "Contudo", "entretanto", "no entanto" indicam oposição. Usar conectivo errado é mais danoso do que não usar nenhum, porque induz o corretor a interpretar mal o raciocínio. A minha recomendação prática é montar uma tabela de conectivos organizada por função lógica e consultá-la enquanto escreve nos primeiros meses de preparação. Vale ressaltar também que alguns temas recorrentes merecem atenção especial. O ENEM gosta de cobrar problemas estruturais brasileiros, e não soluções individuais. Redações que culpam a "preguiça" do pobre ou a "falta de moral" dos jovens tendem a ser superficiais e perdem pontos na visão da banca. O caminho mais seguro é apontar falhas institucionais, legislativas ou históricas, sempre com dados concretos quando possível.
Um limitação importante que preciso ser honesto: memorizar modelos prontos de redação funciona apenas até certo ponto. Se cair um tema completamente fora do seu repertório de treino, como um assunto tecnológico recente ou uma problemática específica de uma comunidade indígena, o aluno que decora estruturas entra em colapso. O método alternativo, mais trabalhoso mas mais sólido, é estudar o funcionamento de políticas públicas brasileiras de forma conceitual. Entender como funcionam o SUS, o Bolsa Família, as cotas raciais, oFUNDEB e o Estatuto da Criança e do Adolescente permite que você adapte argumentos a cenários novos sem depender de um modelo decoreba. O tempo de prova é de 30 minutos para escrever, o que limita drasticamente o que você consegue produzir. Uma redação completa do ENEM tem entre 25 e 30 linhas. Isso significa que você não tem espaço para divagações. Cada parágrafo precisa cumprir uma função específica. A introdução com apresentação do tema e tese, os desenvolvimentos com argumentos sequenciais, e a conclusão com intervenção detalhada. Qualquer parágrafo que não avance o argumento principal é um espaço desperdiçado. Praticar com cronômetro é obrigatório. Muitas pessoas escrevem redações em duas horas em casa e vão para a prova mal preparadas para o tempo real. O problema é que em condições de estresse o tempo parece passar mais rápido e o candidato acaba escrevendo menos do que deveria. Recomendo simular provas completas com cronômetro rigoroso, incluindo a leitura do caderno de questões antes, porque na prova real você pode gastar os primeiros minutos folheando outras disciplinas e perder tempo valioso.
Se quiser material de apoio, o site oficial do INEP disponibiliza edições anteriores das temas e redações nota 1000. Esse é o melhor banco de dados gratuito que existe. Análise as redações 1000 não para copiar, mas para identificar padrões de estrutura, tipos de repertório utilizados e como os melhores alunos articulam a proposta de intervenção com a tese apresentada. Além disso, existem canais organizados que publicam análises comentadas das provas anteriores. O projeto Meu Enem e o channel do professor Eric Lunardi no YouTube fazem análises detalhadas das competências, o que ajuda bastante a entender os critérios na prática. Não existe atalho mágico, mas a análise crítica de modelos de alta performance acelera o aprendizado significativamente. A parte mais difícil não é saber o conteúdo. É conseguir manter a coerência e a coesão quando o tempo está acabando e a ansiedade está alta. O treino consistente é o único caminho para construir essa resistência. Sem ele, mesmo o estudante mais preparado pode ter seu desempenho comprometido pelas condições reais da prova.

Galeria
-
Dicas para a Redação do Enem 2016 -
Redação do Enem | Enem, Redação enem, Esquema de redação -
Como fazer a redação do Enem? - Português