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O Que Justifica O Emprego De Na Palavra Iguais

O Que Justifica O Emprego De Na Palavra Iguais

A regência de "na" antes de "iguais" não é questão de gosto, é questão de sintaxe e de sentido

Esse tipo de dúvida aparece com frequência quando se lê redações, edita textos ou revisa documentos oficiais. A pergunta sobre o que justifica o emprego de na palavra iguais surge porque o resultado pode variar muito dependendo do que se quer comunicar. Não existe uma regra absoluta que diga "sempre use" ou "nunca use". O que determina a escolha é a relação entre o verbo, o substantivo e a preposição que o acompanha. O termo "iguais" é um adjetivo que, em certas construções, funciona como substantivado. Quando ele substitui um substantivo implícito — por exemplo, "as coisas iguais", "os caminhos iguais", "os resultados iguais" — a preposição "na" pode aparecer, mas apenas se houver uma relação espacial, temporal ou funcional que a justifique. A preposição "em" se contrai com o artigo "a" formando "na", e esse "a" só existe se o contexto exigir uma ideia de localização, inserção ou referência. Pegue esta frase como exemplo: "As decisões ficaram nas mesmas iguais." Nesse caso, soa estranho porque "iguais" aqui não carrega uma noção espacial clara. O mais adequado seria "As decisões ficaram iguais" ou "As decisões permaneceram nas mesmas condições". O erro comum é tratar "iguais" como se fosse um substantivo qualquer e empurrar qualquer preposição para dentro dele sem verificar se ela faz sentido.

O problema na prática: quando a preposição aparece e quando não aparece

Na minha experiência revisando textos jurídicos e técnicos, o caso mais recorrente envolve expressões como "nos casos iguais", "nas situações iguais", "nos exemplos iguais". Aqui o "na" está justificável porque "iguais" remete implicitamente a "casos", "situações", "exemplos" — substantivos que aceitam a preposição "em" naturalmente. Mas a justificativa precisa ser analisada termo por termo. Um exemplo que vi repetidamente em concursos e artigos acadêmicos: "Não foram encontrados resultados iguais." Nesse enunciado, o "na" está sobrando. O verbo "encontrar" não exige preposição. A forma correta é exatamente essa, sem "na". Já em "Os dados permaneceram nas variáveis iguais", o "na" se justifica porque a preposição "em" está ligada ao verbo "permanecer" no sentido de localização dentro de algo. A diferença sutil, mas crucial, é verificar se o verbo rege preposição ou não. Verbo transitivo direto não pede preposição. Verbo transitivo indireto sim. E "iguais", quando substantivado, herda a regência do substantivo ao qual se refere.

Regras práticas para decidir

Em primeiro lugar, identifique o substantivo implícito. Se não houver, pergunte se a preposição "em" faria sentido sozinha. Em segundo lugar, verifique a regência verbal. Terceiro, teste a contração: se "em + a(s)" soar natural no contexto, use "na(s)". Se soar forçado, descarte. Um case específico que me marcou: estava revisando um manual de procedimentos em que havia a frase "Os protocolos devem ser aplicados nas etapas iguais". Soava redundante. O contexto era claro — todas as etapas deveriam receber o mesmo tratamento. A correção foi simplesmente "Os protocolos devem ser aplicados nas etapas", pois "iguais" não trazia informação nova e a preposição "nas" já estava coberta por "etapas". Remover "iguais" eliminou o problema sem prejuízo de sentido.

O Que Justifica O Emprego De Aspas Na Palavra Iguais - RETOEDU
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Quando a preposição é realmente necessária

Há construções em que "na(s) ... iguais" é aceitável e até preferível. Por exemplo: "As respostas foram dadas nas colunas iguais." Aqui, "colunas" é o substantivo explícito, a preposição "em" indica localização dentro de algo, e "iguais" apenas qualifica. A estrutura está sólida. Outro exemplo: "Os gráficos foram dispostos nas páginas iguais." Substantivo "páginas", regência do verbo "dispor" (que pede preposição de lugar), qualificador "iguais". Tudo encaixa. O erro oposto também existe. Muitas vezes se omitte a preposição quando deveria estar presente. "As crianças sentaram nos bancos iguais" está errado. O correto é "As crianças sentaram nos bancos iguais" — note que "nos" é a contração de "em + os", não "na". Confundir "na" com "nos" é outro equívoco frequente, mas de natureza diferente: trata-se de concordância de gênero, não de regência.

Limitações e armadilhas

A análise contextual é demorada e não oferece respostas prontas. Em textos longos, especialmente que misturam linguagem formal e informal, a consistência é difícil de manter. Ferramentas de correção gramatical automática muitas vezes erram ao identificar se "na" antes de "iguais" é adequado ou não, porque a decisão depende do sentido e não apenas da estrutura superficial. Uma alternativa é revisar frase por frase, isolando o grupo preposição + adjetivo substantivado e testando sua remoção. Se o sentido não muda, a construção provavelmente está redundante ou errada. Se o sentido se perde, a preposição era necessária. O uso correto de "na" antes de "iguais" exige atenção à regência verbal, à identificação do substantivo implícito e ao teste de equivalência com "em + a(s)". Não há atalho confiável além da análise cuidadosa de cada caso.