O Que Passar Em Micose De Pele
Tratamento tópico para dermatofitoses cutâneas
Micose de pele é uma infecção fúngica superficial que afecta principalmente a camada córnea da epiderme. Os agentes mais comuns são os dermatófitos do género Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. A apresentação clínica típica inclui lesões eritematosas com bordas activas e descamação periférica, frequentemente com comichão. O primeiro escalão são os azóis. Clotrimazol 1%, miconazol 2%, ketoconazol 2%. Aplicar duas vezes ao dia durante pelo menos 2 a 4 semanas. O erro mais frequente que vejo é as pessoas pararem quando a lesão desaparece visualmente. O fungo continua presente nos estratos mais profundos da camada córnea. Se interromperes o tratamento precocemente, a recorrência acontece em 60 a 70% dos casos. Continua durante pelo menos uma semana após a resolução clínica completa. Os aliamicinas funcionam de forma diferente. Terbinafina 1% e naftifina 2% são fungicidas, não apenas fungistáticos como os azóis. Isso significa que matam o fungo directamente em vez de só inibirem o crescimento. Na prática, o tempo médio de tratamento com terbinafina é de 1 a 2 semanas, contra as 4 semanas que os azóis exigem. A taxa de cura com terbinafina para dermatofitoses simples ronda os 80 a 90% num ciclo completo.
Encontrei um caso há uns anos com um paciente que tinha uma tinea pedis plantar difusa que não respondia a nenhum azol após 4 semanas de uso contínuo. O problema era que a pele nos pés era significativamente mais espessa, especialmente na zona do calcanhar, e o fármaco não penetrava bem. A solução foi combinar o antifúngico tópico com um queratolítico de ácido salicílico 6% durante a noite, para afinar o estrato córneo, e aplicar a terbinafina de manhã. Em três semanas a lesão resolveu. Sem o agente queratolítico, a terbinafina sozinha provavelmente não teria chegado a patamar terapêutico eficaz. Tioconazol 28% numa formulação de dose única existe mas tem eficácia controversa. Os estudos mostram resultados variáveis e a recomendação geral é evitar como monoterapia de primeira linha, reservando-o para casos em que a adesão ao tratamento diário é um problema real.
Como aplicar correctamente
Lavar a zona com água e sabão neutro, secar bem com toalha limpa — secar é importante porque a humidade residual favorece a proliferação fúngica. Aplicar a substância activa numa fina camada, estendendo-se 2 centímetros para além da margem visível da lesão. O fungo coloniza pele que parece normal à volta da placa eruptiva. Muitos pacientes aplicam só no centro vermelho e acham que estão a tratar tudo. Não cubrir com bandagens oclusivas, a menos que o médico prescreva. O ambiente oclusivo quente e húmido pode paradoxalmente acelerar o crescimento fúngico em certas circunstâncias. Manter a zona arejada sempre que possível.

Quando o tópico não chega
Há situações em que o tratamento local falha ou é insuficiente. Tinea capitis — micose do couro cabeludo — praticamente nunca responde a antifúngicos tópicos isolados porque o fármaco não atinge a estrutura do folículo piloso. Nesses casos, o itraconazol oral ou a griseofulvina são necessários. Tinha um paciente com tinea capitis que gastou três tubos de ketoconazol ao longo de dois meses sem qualquer melhoria, porque simplesmente o princípio ativo não penetra até ao bulbo piloso. O diagnóstico errado levou a um atraso de seis semanas no tratamento correcto. Também em infecções extensas, com mais de 20% da superfície corporal afectada, ou em pacientes immunocomprometidos, o tópico isolado é inadequado. Nestes cenários, o encaminhamento para avaliação médica é obrigatório.
Outras armadilhas comuns
Cremes combinados com corticosteroides. Existem na farmácia várias preparações de clotrimazol mais betametasona ou hidrocortisona. O corticoide alivia a inflamação e a comichão rapidamente, criando a ilusão de melhora. Mas o esteróide suprima a resposta imunológica local e permite que o fungo se espalhe mais, muitas vezes alterando a apresentação clínica original — o que se chama de tinea incógnita. A lesão perde a forma anelar característica e espalha-se de forma difusa, dificultando o diagnóstico. Evita estes combinados sem indicação médica. O ácido sulfídrico sulfenado existe como alternativa genérica mais económica mas tem um cheiro desagradável e pode manchar a roupa. Funciona para infecções leves mas não é uma opção prática para a maioria dos pacientes. A profilaxia é parte do tratamento. Trocar meias diariamente, preferir algodão em vez de fibras sintéticas, secar bem entre os dedos dos pés após lavar, não partilhar toalhas. Se há fungos nas unhas dos pés (onicomicose), isso funciona como reservatório de reinfeecção constante para a pele. Tratar ambas as condições simultaneamente melhora significativamente os resultados.
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