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O Que São Amigdalas

O Que São Amigdalas

O que são as amídalas: a versão prática

As amígdalas são tecidos linfoides localizados na parte de trás da garganta, fazendo parte do anel de Waldeyer junto com a amígdala faríngea (adenoide) e a lingual. Elas atuam como barreira imunológica inicial, filtrando patógenos que entram pela boca e pelo nariz. Isso é anatomia básica, mas o que poucas pessoas entendem é como isso funciona no dia a dia. Elas possuem criptas — aquelas cavidades irregulares que você pode ver se pedir para alguém abrir bem a boca e dizer "ahhh". Essas criptas prendem bactérias, células mortas e restos de alimento. O sistema imune delas produz linfócitos B e T que respondem a infecções, e é por isso que elas incham quando há uma batalha em curso. Simples assim. No meu atendimento, já vi casos em que pacientes chegavam dizendo "minha amígda direita é maior que a esquerda" e entravam em pânico. Na maioria das vezes, isso é perfeitamente normal. Assimetricidade leve é comum em adultos saudáveis. O problema real é quando há asymetria progressiva, com nódulo fixo, dor unilateral persistente ou sangramento — aí sim, investigação adicional é necessária.

Um ponto que os manuais não enfatizam o suficiente: as amígdalas começam a regredir após a puberdade. Em adultos acima de 30 anos, o tecido linfoide funcional vai sendo substituído por gordura e fibrose. Isso explica por que infecções de amígdala são muito mais frequentes em crianças e por que, em adultos, o quadro muitas vezes exige outra abordagem diagnóstica. Você não deve tratar um adulto com mesma lógica que trata uma criança.

Amigdalite: diagnóstico e conduta

A amigdalite é a inflamação das amígdalas, geralmente de origem viral (mais comum) ou bacteriana. O escore de Centor é a ferramenta clínica mais usada para decidir se faz ou não cultura de throat e início de antibioterapia. Criterios incluem febre medida, ausência de tosse, adenopatia cervical anterior dolorosa, exsudato tonsilar e idade entre 3 e 14 anos (pontuação positiva) ou 15 e 44 (neutra) e 45+ (negativa). Pontos zero a um: nenhuma ação. Dois a três: testar ou tratar. Quatro: tratar empiricamente. Aqui vai um insight que eu aprendi na prática e que pouca gente menciona: muitos adultos com "amigdalite recorrente" na verdade têm faringite crônica por refluxo laringofaríngeo. A diferença é que o paciente sente desconforto constante, pigarro frequente e sensação de corpo estranho na garganta, sem febre alta ou exsudato típico. Eu já perdi horas investigando causas bacterianas em pacientes cujo problema era refluxo silente. A dica é investigar sempre o componente de refluxo antes de indicar amigdalectomia repetida. O tratamento da amigdalite bacteriana (geralmente Streptococcus do grupo A) usa penicilina V ou amoxicilina por 10 dias. Macrolídeos são alternativa para alérgicos a beta-lactâmicos. A melhora clínica vem em 48 a 72 horas se o antibiótico for adequado. Se não houver melhora nesse prazo, repense o diagnóstico — pode ser mononucleose, que não responde a amoxicilina e ainda pode causar rash se usado indiscriminadamente.

Para que servem as amígdalas da garganta? - Olhar Digital
Para que servem as amígdalas da garganta? - Olhar Digital

Cálculos tonsilares (amigdalianos)

As chamadas "pedras nas amídalas" são concreções de restos orgânicos compactados nas criptas. Parecem brancas ou amareladas, podem ser removidas com swab ou irrigação, e causam halitose e sensação de corpo estranho. Não são perigosas, mas são incômodas. Um caso específico que me marcou: paciente com halitose severa e recidivante, múltiplas tentativas de amigdalectomia recusadas por ela. A solução não foi cirúrgica — foi laser criptólise com CO2 fraccionado em 3 sessões. Reduziu as criptas profundas e o problema practically desapareceu. Isso é algo que nem todo médico ORL prática no SUS, mas em consultório particular está cada vez mais acessível.

Quando considerar amigdalectomia

Os critérios de Paradise para indicação cirúrgica em crianças exigem: 7 episódios no último ano, 5 por ano durante 2 anos consecutivos, ou 3 por ano durante 3 anos consecutivos, cada um com febre, exsudato, adenopatia ou teste positivo para grupo A. Em adultos, os critérios são menos rigidamente definidos e a decisão leva em conta qualidade de vida, apneia obstrutiva do sono e complicações peritonsilares recorrentes. O período pós-operatório é doloroso, particularmente em adultos. A dor refere-se muitas vezes ao ouvido (inervação pelo nervo glosofaríngeo) e pode durar 10 a 14 dias. Hidratação adequada é crítica — desidratação aumenta o risco de descompressão secundária por volta do 5º ao 7º dia, quando as crostas se soltam. O paciente precisa ingerir pelo menos 1,5 a 2 litros de líquidos por dia nesse período, mesmo que doer.

Complicações que precisam de atenção urgente

O abscesso peritonsilar é a complicação mais comum e ocorre quando a infecção se espalha para o espaço ao redor da amígdala. O paciente apresenta trismo (não consegue abrir a boca), voz emborrachada ("voz de batata quente"), desvio do véu palatino para o lado oposto e dor unilateral intensa. Isso exige drenagem imediata — antibiotics alone não resolvem. Eu já vi casos em que o paciente foi enviado para casa com antibiotics e voltou 12 horas depois com via aérea comprometida. A febre reumática e a glomerulonefrite pós-estreptocócica são complicações tardias da amigdalite group A não tratada. A primeira pode danificar válvulas cardíacas; a segunda, rins. Por isso o tratamento adequado e a conclusão do curso antibiótico são importantes, não apenas para o episódio agudo mas para prevenir sequelas meses depois.

Para que servem as amígdalas? | Super
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O que não fazer

Não use remedios caseiros como gargarejo com vinagre ou bicarbonato como tratamento primário de amigdalite bacteriana. Isso pode aliviar sintomas superficialmente mas não erradica a infecção. Gargarejo com soro fisiológico morno é seguro e ajuda no conforto, mas não substitui antibioterapia quando indicada. Não solicite exames de imagem de rotina para amígdalas em casos simples de faringite. A avaliação clínica é suficiente na grande maioria das vezes. TC ou ressonância só estão indicadas quando há suspeita de complicação profunda, massa tumoral ou abscesso não drenável por via transoral.