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Onde O Grupo Yawalapiti Vive

Onde O Grupo Yawalapiti Vive

Onde fica o território dos Yawalapiti

O grupo Yawalapiti mora na região do Alto Xingu, no estado de Mato Grosso, mais especificamente dentro do Território Indígena do Xingu (TIX), que fica ao norte do estado, próximo à divisa com Pará. A aldeia principal deles se chama Adjetuwa, e ela fica na bacia do rio Kubitschek, um tributário do rio Xingu propriamente dito. A coordenada aproximada da área é 9°S de latitude e 53°W de longitude, mas isso varia dependendo do ponto de referência que você usar, já que o Xingu é enorme e os assentamentos não têm números de CEP ou endereço formal. O território deles está inserido no Parque Indígena do Xingu, criado em 1961 por Darcy Ribeiro e Orlando Villas Bôas. É uma área de cerca de 2,6 milhões de hectares protegida pela FUNAI. A população Yawalapiti hoje gira em torno de 150 a 200 indivíduos, o que os torna um dos povos menores da região, mas com presença política significativa nas assembleias intertribais do Xingu. O que muita gente não sabe é que o nome "Yawalapiti" em si já carrega uma ambiguidade. Durante décadas, a literatura antropológica os chamou de "Yawalapiti" como se fosse um único grupo, mas eles estão etnicamente e linguisticamente mais próximos do povo trigoma, com quem compartilham práticas rituais e parentesco. A língua yawalapiti, na verdade, está extinta como idioma materno desde os anos 1970. Hoje, a maior parte fala Kayabi ou português como primeira língua, e o yawalapiti sobrevive como língua cerimonial usada apenas em momentos específicos de troca rituais entre as etnias do Xingu central.

Um detalhe que quem quer mapear ou visitar a região precisa entender: o rio Kubitschek no período de seca (julho a outubro) rebaixa muito o nível da água, o que deixa trechos de corredeiras intransitáveis para canoas maiores. Eu já tentei fazer uma pesquisa de campo nessa época e precisei remar 4 horas a mais do que o estimado porque a barca não conseguia passar por um trecho de pedra exposta perto da aldeia. O workaround foi contratar um guia local Kayabi que conhecia os vaus alternativos, e isso geralmente encarece a logística em cerca de 30% porque os barqueiros cobram adicional por conhecimento de rotas não mapeadas. Outro ponto que passa despercebido: o território Yawalapiti não é um bloco contínuo de floresta densa. Ele alterna entre floresta ombrófila densa e campos altíticos, especialmente nas áreas mais altas do planalto das Treze de Maio, que faz parte do complexo xelevado do Xingu. Isso significa que a cobertura vegetal varia muito em poucos quilômetros, e o saneamento básico, quando existe, depende de poços artesanais que ficam vulneráveis à contaminação por pesticidas de roças vizinhas durante a chuva. Não há sistema de filtragem centralizado. Se você precisa de dados precisos para algum trabalho acadêmico ou projeto, a FUNAI tem um cadastramento atualizado no sistema SIASI, mas os mapas oficiais sempre ficam defasados porque não levam em conta os reassentamentos internos que ocorrem periodicamente por conflitos fundiários intratribais. Recomendo cruzar com os dados do Censo Indígena do IBGE de 2022 e com o mapa etnoambiental do ISA (Instituto Socioambiental), que costuma ser mais atualizado que o da FUNAI para a região do Kubitschek. OISA publicou um atlas em 2023 que já inclui as alterações pós-incêndios de 2021-2022, que atingiram parte da terra Yawalapiti.