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Origem Da Fogueira De São João

Origem Da Fogueira De São João

A verdade sobre as fogueiras de junho

A origem da fogueira de são joão não é nenhuma história única e bonita que se encontra num livro didático. É uma colcha de retalhos com camadas de paganismo europeu, devoção católica e, principalmente, prática agrícola. O fogo sempre esteve presente nos festivais de solstício de verão no hemisfério norte. Tribos celtas e germânicas acendiam fogueiras para "fortalecer o sol" no ponto mais alto do seu ciclo. Quando o cristianismo se espalhou por essas terras, os missionários simplesmente associaram aquela data ao nascimento de João Batista, que segundo a tradição acontece em 24 de junho — exatamente no solstício de verão. O que muita gente não entende é que a tradição brasileira e portuguesa pegou esse calendário europeu e adaptou de formas bem diferentes entre si. Em Portugal, especialmente no Norte, a fogueira de são joão tem raízes muito ligadas às comunidades rurais e pesqueiras. No Porto, por exemplo, ainda se joga alho-porro nos cabelos dos participantes à meia-noite — um costume que muitos estrangeiros acham estranho mas que os locais consideram essencial. O alho-porro simbolizava purificação e proteção. No Brasil, a coisa mudou de figura completamente. O São João brasileiro absorveu elementos das culturas africanas e indígenas que estavam presentes nas festas de junho, especialmente nas regiões Nordeste e Saineira. As quadrilhas, o forró, os comidas típicas como pamonha e canjica — tudo isso se juntou ao fogo e criou algo que não tem paralelo na Europa.

Aqui vai algo que pouca gente sabe: a forma como as fogueiras são construídas varia drasticamente dependendo da região e do porte da cidade. Nas cidades menores do interior paulista ou mineiro, a fogueira é basicamente uma pilha de madeira empilhada de forma cônica ou piramidal, com toras grossas na base e galhos mais finos no topo. Isso permite que o fogo consume de dentro para fora e dure várias horas. Já em capitais como Recife ou Fortaleza, as estruturas são enormes, algumas chegando a 15 metros de altura, e precisam ser vistoriadas por bombeiros semanas antes. Eu já participei da organização de uma fogueira em uma cidade do interior de Minas e o problema real nunca é a madeira. O problema é a logística de transporte e a questão dos Bombeiros. A prefeitura exige laudo técnico, perícia de segurança, plano de evacuação e, muitas vezes, a presença de pelo menos dois caminhões de bombeiros no local. Se você está pensando em montar uma fogueira por conta própria, saiba que o prazo de documentação costuma levar de 30 a 45 dias úteis. Em várias cidades, simplesmente não é permitido acender fogueira sem alvará. E mesmo com alvará, ventos fortes podem obrigar a cancelamento de última hora — algo que já me aconteceu e é frustrante demais para descrever. Um detalhe técnico importante sobre a montagem: a madeira ideal depende do que você tem disponível localmente. Madeira de demolição é comum e funciona bem, mas precisa estar seca. Madeira verde demora muito mais para queimar e gera muita fumaça, o que pode irritar vizinhos e até chamar a atenção de fiscalização. O segredo é deixar a madeira estocada sob cobertura por pelo menos seis meses antes do evento. Eu aprendi isso na prática quando montamos uma fogueira com eucalipto recém-cortado e o fogo durou menos da metade do tempo esperado, além de ter criado uma pilha de cinzas úmidas que levou dias para secar.

Outro ponto que ninguém mentiona mas faz diferença: o vento. Um erro comum é construir a fogueira em local muito exposto. Ventos fortes fazem o fogo se espalhar de forma imprevisível e podem apagar a chama antes da hora certa. O ideal é um local com proteção natural contra ventos predominantes do dia 23 ou 24 de junho, mas que tenha fácil acesso para carros de emergência. E não adianta só olhar o vento do dia anterior — ventos de altitude podem ser completamente diferentes dos ventos superficiais. Um aparelho anemômetro simples, comprado por cerca de R$80 em qualquer loja de ferramentas, resolve isso antes do investimento principal. Sobre a queima: a técnica tradicional de pirâmide invertida funciona. Você coloca as toras grossas cruzadas na base, formando uma espécie de gaiola, e vai acomodando os pedaços menores por cima, terminando com folhagem seca e palha no topo para pegar fogo rápido. O combustível inicial deve ser inflamável mas não explosivo — nada de gasolina ou álcool perto da estrutura. Papelão molhado e serragem funcionam perfeitamente. A queima controlada de uma fogueira grande leva entre duas e três horas, dependendo do volume de madeira. Se o seu interesse é puramente informativo ou cultural, existe material bom sobre o assunto. Uma pesquisa mais aprofundada sobre a origem da fogueira de são joão e suas ramificações regionais pode ser encontrada em arquivos da Fundação Joaquim Nabuco no Recife e em publicações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional que tratam dos festejos juninos como patrimônio imaterial.

Confira Qual a origem da fogueira de São João - Blog Cardoso Silva
Confira Qual a origem da fogueira de São João - Blog Cardoso Silva

O que resta saber é que essa tradição não é estática. Ela muda de cidade para cidade, de geração para geração. As regras de segurança estão ficando mais rigorosas a cada ano, o que significa menos fogueiras gigantes e mais celebrações contidas. Em algumas cidades, como São Paulo, a proibição de fogueiras em vias públicas já é realidade há anos. Nas pequenas cidades do interior, o costume ainda vive com força, mas com menos volume de madeira e mais preocupação com o meio ambiente.