Os Retirantes Portinari
O que são os Retirantes de Portinari
Os retirantes são uma série de obras do artista Cândido Portinari, pintada entre 1944 e 1945. O tema central é a seca no Nordeste brasileiro e o êxodo das famílias que buscavam sobreviver migrando para o Sudeste. Portinari ficou conhecido pelo realismo social e essa obra está entre as mais estudadas da arte brasileira do século XX.Portinari pintou inicialmente um painel mural para o pátio interno da sede da Organização das Nações Unidas em Nova York. A versão mais famosa, no entanto, foi a tela delica que fica no Museu de Arte de São Paulo (MASP). Existem múltiplas versões e estudos preparatórios espalhados por museus e coleções privadas. O que a maioria dos livros didáticos não conta é que Portinari levou um choque ao ver os primeiros estudos pré-seqüenciais do que viria a ser o painel Os Retirantes. Ele tentou fazer uma composição grandiosa e heroica, mas tudo o que conseguia sair no papel eram figuras magras, doentes, morrendo de fome. O pintor disse numa entrevista que "a realidade nordestina é mais forte do que qualquer idealização". O resultado foi uma crítica social direta, sem maquiagem, mostrando crianças e adultos esqueléticos caminhando por uma terra ressecada. Um detalhe técnico importante: Portinari usou uma técnica de afresco modificada no painel da ONU. Ele aplicava tintas sobre gesso ainda úmido, o que exigia precisão cirúrgica no tempo de secagem. Se errasse, teria que raspar tudo e começar de novo. Esse método limitava drasticamente o tempo de trabalho por seção. Para a versão em óleo sobre tela, naturalmente, ele pôde trabalhar com mais liberdade e correções.
Onde ver os Retirantes de Portinari
A versão original do painel da ONU foi devolvida ao Brasil em 1957, após anos de negociações conturbadas. Fica no Museo de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), não no MASP como muita gente pensa. O MASP tem uma versão menor, réplica feita por Portinari do próprio painel. Essa distinção é importante para quem vai estudar a obra pessoalmente.Além disso, existem três painéis menores que retratam o mesmo tema, conhecidos como Painéis de Pinacoteca, atualmente na Pinacoteca do Estado de São Paulo. E há uma quarta versão, em tamanho reduzido, no Museu de Arte de Santa Catarina. Se você está tentando localizar alguma dessas obras para pesquisa ou trabalho acadêmico, o site do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) mantém um banco de dados atualizado com os acervos. Uma coisa que eu sempre recomendo é comparar os esboços preliminares com a obra final. Os desenhos preparatórios mostram como Portinari foi refinando a composição, eliminando elementos supérfluos e aproximando as figuras. Esse processo de apuração visual é fascinante e muitas vezes ignorado pelos estudantes que só olham a versão final pronta. Se você for fazer uma análise formal da obra, preste atenção à paleta de cores. Portinari usou predominantemente tons terrosos, ocres e marrom avermelhado. O fundo é uma paisagem árida sem vegetação, sem céu definido. Isso cria uma sensação de claustrofobia e sufocamento intencional. As figuras parecem emergir da terra seca, quase fundidas com ela.
Pontos que poucos conhecem sobre a obra
A polêmica em torno dos retirantes portinari não acabou quando a obra foi exibida. Quando Portinari apresentou os primeiros esboços para o governo Vargas, houve debates acalorados dentro do próprio DIP. Alguns funcionários consideraram a obra "depressiva" e "prejudicial à imagem do Brasil no exterior". O próprio Getúlio Vargas teria dito que "é melhor pintar sol e samba". Mas Portinari manteve sua posição e a obra foi aceita.Um detalhe que passa despercebido: na versão final, Portinari incluiu uma criança morta nos braços de uma figura feminina. Esse elemento foi deliberadamente adicionado para fortalecer o impacto emocional da cena. Muitos curadores e historiadores debatem se essa escolha foi um ato de coragem artística ou um momento de desespero do próprio pintor diante da realidade que presenciou. Outro aspecto técnico relevante é a escultura tridimensional que Portinari fez antes de partir para os painéis de grande escala. Ele criou pequenos modelos em argila das figuras, o que permitiu estudar melhor a pose e o movimento de cada personagem. Esses modelos estão preservados no acervo da Fundação Cândido Portinari, em Bragança Paulista. É raro vê-los expostos publicamente, mas vale a pena solicitar acesso caso você esteja desenvolvendo uma pesquisa mais profunda.

Cuidados ao reproduzir as imagens
As imagens dos retirantes portinari são protegidas por direitos autorais da Fundação Cândido Portinari. Qualquer uso comercial ou reprodução em grande escala precisa de autorização prévia. A Fundação cobra taxas variáveis dependendo do veículo de publicação e do número de cópias.Para trabalhos acadêmicos e educacionais, geralmente há isenção ou redução significativa. Basta enviar um pedido de autorização indicando o propósito e o contexto de uso. O prazo de resposta costuma variar de duas a quatro semanas. Eu já passei por essa burocracia e posso confirmar que o processo é burocrático, mas transparente. Eles pedem detalhes como tamanho da imagem, resolução, local de publicação e tiragem prevista. Um erro comum é achar que usar a imagem em uma apresentação de PowerPoint ou em um artigo de blog é sempre livre. Não é. A Fundação é rigorosa nesse aspecto. A exceção é para uso pessoal e não comercial, mas mesmo assim é recomendável citar a fonte corretamente. O crédito padrão seria: "Os Retirantes, Cândido Portinari, 1944–1945. Acervo Fundação Cândido Portinari".
Alternativas para quem não consegue acesso
Se a Fundação não responder ou negar a autorização, existem algumas alternativas. A revista Brasileira de Artes pode ter publicado material com licenças alternativas. Livros acadêmicos publicados pela Editora da UNESP e pela Cosac Naify costumam ter permissões já negociadas para reprodução em citações. Se você está escrevendo uma tese ou artigo científico, seu orientador pode ajudar a obter as licenças necessárias pelo canal institucional.Também é possível solicitar acesso às imagens através de programas de intercâmbio acadêmico entre universidades. A USP tem convênios com diversas instituições internacionais que facilitam esse tipo de solicitação. Se você é pesquisador estrangeiro, contate diretamente a coordenação do programa de pós-graduação em Artes Visuais da sua instituição. Eles costumam ter contato estabelecido com a Fundação e podem agilizar o processo.
Reflexões finais sobre a obra
Os retirantes portinari continuam sendo uma das obras mais relevantes da arte brasileira não apenas pelo mérito estético, mas pelo contexto histórico em que foram produzidas. A seca no Nordeste é um problema estrutural que persiste até hoje. A obra de Portinari funciona como um documento visual de uma tragédia que se repete ciclicamente.Muitos jovens artistas contemporâneos têm revisitado o tema dos retirantes em suas obras, criando diálogos críticos com a visão de Portinari. Isso mostra que a obra não é apenas um monumento do passado, mas algo vivo e em constante releitura. Se você está estudando a obra, considere também consultar essas releituras contemporâneas para ter uma visão mais completa do impacto que Os Retirantes tiveram na cultura brasileira.

Galeria
-
Os Retirantes Candido Portinari - FDPLEARN -
Retirantes de Candido Portinari: análise e interpretação do quadro ... -
Obra Retirantes de Portinari inspira concurso de desenho do Masp | VEJA ...