Paises Da Europa Que Nao Precisam De Visto
Eu viagem bastante e já passei por confusões no aeroporto por causa de regras de visto
Muita gente acha que se você tem passaporte brasileiro, pode entrar em qualquer país europeu sem burocracia. A realidade é bem mais bagunçada do que isso. A questão dos paises da europa que nao precisam de visto envolve zonas, acordos bilaterais e prazos que mudam com frequência, então é importante entender como funciona na prática antes de comprar uma passagem. O primeiro ponto que quase todo mundo erra é confundir União Europeia com Espaço Schengen. São coisas diferentes. A zona Schengen atualmente tem 29 países, e o Brasil tem isenção de visto para estadias de até 90 dias dentro de um período de 180 dias nesses países. Isso vale para turismo e negócios, não para trabalho remunerado ou permanência longa. Dos principais destinos, os que entram sem visto no Schengen são: Alemanha, França, Itália, Espanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Suíça, Áustria, Grécia, Polônia, República Tcheca, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Croácia, Eslovênia, Eslováquia, Hungria, Estonia, Letônia, Lituânia, Malta, Chipre, Bulgária e Romênia. Os dois últimos ainda não são pleno membros do Schengen, mas os brasileiros podem entrar sem visto também, dentro das mesmas regras de 90/180 dias.
Agora, aqui está a parte que as pessoas não costumam prestar atenção. O Reino Unido e a Irlanda não fazem parte do Schengen. O Reino Unido exige visto even para brasileiros em algumas situações, mas para turismo de até 6 meses a entrada é livre sem visto. A Irlanda também permite a entrada sem visto para brasileiros por até 90 dias. Porém, se você tem uma autorização de residência ou visto de outro país do Schengen, isso não te dá direito automático de entrar no Reino Unido ou na Irlanda. Eu descobri isso na força bruta, quando tentei fazer uma conexão em Dublin voltando de Lisboa com apenas o carimbo de saída do Schengen. O oficial de imigração irlandês me olhou com cara de quem já tinha visto aquilo mil vezes e pediu para eu mostrar o retorno confirmado e dinheiro para a estadia. Tinha tudo, mas demorou cinco minutos a mais de questionamento. Outro país europeu que não está no Schengen e tem regra própria é a Albânia. Brasileiros podem entrar sem visto por até 90 dias. A Geórgia, que muitos consideram europeia dependendo do critério, também não exige visto. E a Macedônia do Norte permite a entrada sem visto para brasileiros por 90 dias dentro de 180 dias. Tem uma pegadinha importante com o Espaço Schengen que as guias turísticas raramente mencionam. Os 90 dias contam a partir do primeiro carimbo de entrada, não a partir da data da sua viagem. Se você entrou em Paris em março e ficou 30 dias, já usou um terço do seu período mesmo estando em pleno verão. A contagem é rolling, ou seja, a cada dia que passa, um dia antigo sai do cálculo. Isso significa que se você ficar 90 dias seguidos em junho, não poderá voltar antes de setembro no máximo, dependendo de quando entrou pela primeira vez naquele ciclo de 180 dias.
Para quem quer viajar por mais tempo, a opção mais prática é o visto de longa duração nacional de algum país Schengen. Um visto D da Itália, por exemplo, te permite permanecer no país por mais de 90 dias e ainda te dá acesso ao resto do Espaço Schengen durante a validade do visto. O problema é que esses vistos exigem comprovante de residência, motivo válido como estudo ou trabalho, e o processo pode levar de duas a seis semanas dependendo do consulado. O consulado italiano no Brasil, por sinal, costuma ter lista de espera longa, então o planejamento precisa começar com antecedência. Se a ideia é morar ou trabalhar na Europa, a solução real não é ficar pulando de país em país sem visto. A maioria dos brasileiros que eu vejo tentando essa estratégia acaba se complicando porque a imigração de vários países está mais rigorosa agora. Aeroportos como Frankfurt e Paris Charles de Gaulle têm filtros apertados para viajantes sem visto que parecem estar staying longer than they should. Eles pedem reserva de hotel nos dois primeiros dias, comprovante de fundos e o returno. Se você não tem nada disso impresso ou no celular, pode ser barrado na embarcação antes mesmo de embarcar. Uma dica que economizou muito tempo pra mim: leve sempre o comprovante de reserva de hotel das primeiras noites impresso, mesmo que tenha feito pelo site. Às vezes o sistema da companhia aérea não reconhece a confirmação digital e o atendente do check-in não consegue verificar. Eu já perdi 20 minutos nessa situação em Milão e tive que ligar para a recepção do hotel na hora. Desde aí, sempre mando imprimir antes de embarcar.

Sobre os países europeus que não estão no Schengen e também não exigem visto para brasileiros, vale listar os microestados. Andorra, Mônaco, San Marino e Vaticano não fazem parte formalmente do Schengen, mas na prática a fronteira com a França ou Itália funciona como se fosse. Para entrar no Vaticano, por exemplo, você precisa passar por uma fila de segurança e apresentar o passaporte. O Carneo de Identidad ou a autorização de residência europeia não é suficiente, o passaporte é obrigatório. Outro detalhe importante que muita gente esquece: se você entra em um país Schengen sem visto e depois vai para a Ucrânia, a Geórgia ou a Turquia, esses períodos não contam para o total de 90 dias do Schengen porque são países diferentes. Mas o contrário também é verdade. Se você tem um visto válido de um país Schengen, isso não te dá acesso automático a países fora do acordo, como a Sérvia ou a Bósnia. Cada um tem sua própria regra de visto para brasileiros. A Sérvia, por exemplo, permite entrada sem visto para brasileiros por até 90 dias. A Bósnia e Herzegovina também permite sem visto por 90 dias. A Macedônia do Norte já foi citada acima. A Bulgária e a Romênia, apesar de não serem pleno membros do Schengen, seguem a mesma regra de 90/180 dias para brasileiros.
Se você está planejando uma viagem longa pela Europa e quer evitar dor de cabeça, o melhor é simplesmente consultar o site do consulado do país onde pretende entrar primeiro. As regras mudam, especialmente após Brexit e com as novas políticas da UE. O que era válido em 2023 pode não ser em 2026. Eu sempre verifico antes de cada viagem porque já vi notícia de restrições sendo implementadas de repente em países como a Noruega e a Dinamarca para viajantes de certas nacionalidades. No final das contas, a maioria dos brasileiros consegue viajar para a Europa sem visto para curtas estadias, mas o sistema não é tão simples quanto parece. A armadilha principal é achar que os 90 dias são por ano ou por viagem. Eles não são. É um período rolante de 180 dias. E se você pensar em ficar mais tempo, o caminho é conseguir um visto nacional ou uma autorização de residência de um país europeu, não tentar burlar o sistema cruzando fronteiras.
Galeria
-
Paises que não precisam de visto para viajar - São 78 países. -
Paises que não precisam de visto para brasileiros -
Países que não precisam de visto para brasileiros -
Principais países que não precisam de visto | Assistente de Viagem