Palavras Para Iniciar Conclusão
Como começar uma conclusão sem soar robótico
A maioria dos textos que lemos na internet morre na conclusão. O autor gasta minutos construindo um argumento sólido e, de repente, solta um "em resumo" ou "portanto" como se o leitor fosse um terminal que precisa de prompt de término. O problema não é usar conectivos de fechamento. O problema é usar os mesmos conectivos de sempre, na mesma posição, com a mesma entonação, em todos os parágrafos do mundo. Quando eu comecei a escrever relatórios técnicos para empresas de logística, percebi algo que ninguém ensina em cursinhos de redação: a conclusão não precisa de uma palavra mágica no início. Ela precisa de uma função. E a função dela é, na prática, sinalizar ao leitor que o texto está chegando ao fim e que o que vem a seguir é o fecho lógico do argumento. As palavras tradicionais — "portanto", "assim sendo", "conclui-se que", "diante do exposto" — existem porque têm utilidade real. O problema é que todo mundo as usa da mesma forma. Eu tive um caso específico em 2022, escrevendo um documento para um cliente do setor farmacêutico. O revisor marcou três vezes o início da conclusão com "Portanto", cada uma em um parágrafo diferente. A terceira vez, o cliente perguntou se o texto tinha sido gerado por um algoritmo. Eles tinham razão.
O que eu fiz foi simples: troquei o conectivo por uma estrutura de recapitulação implícita. Em vez de "Portanto, a implementação deve seguir estas etapas", eu escrevi "As etapas definidas anteriormente apontam para uma direção clara:". O sentido não mudou. A leitura mudou completamente.
Conectivos formais vs. conectivos naturais
Existe uma diferença enorme entre o que a gramática normativa considera correto e o que soa natural quando alguém lê em voz alta. Palavras como "outrossim", "supra mencionados" e "razoavelmente" pertencem a um registro que praticamente desapareceu da comunicação profissional contemporânea. Usá-las em conclusões não demonstra erudição. Demonstra que você copiou um modelo de 1987. Os conectivos que ainda funcionam bem em português são aqueles que mantêm uma relação lógica clara com o parágrafo anterior. "Dessa forma" indica consequência direta. "Nesse sentido" aponta para uma interpretação específica do argumento. "Diante disso" funciona quando você quer deixar claro que a conclusão responde a uma questão ou problema apresentado no desenvolvimento. A escolha não é aleatória. Ela depende do tipo de relação que o último parágrafo estabelece com o resto do texto. Um erro comum, especialmente entre escritores iniciantes, é acreditar que a conclusão precisa necessariamente de um conectivo no início. Textos jornalísticos, crônicas e mesmo muitos artigos técnicos abrem o parágrafo final sem qualquer marca explícita de fechamento. O leitor percebe o término pela mudança de foco, não por uma palavra de trânsito. Isso é perfeitamente válido e, em muitos casos, mais elegante do que forçar um "concluímos que" artificioso.

Como escolher a palavra certa para o seu texto
A seleção do conectivo ideal depende de três variáveis: o gênero textual, o nível de formalidade e a estrutura argumentativa do corpo do texto. Um artigo acadêmico pede conectivos mais explícitos do que um editorial de opinião. Um tutorial técnico funciona melhor com transições diretas do que com rodeios retóricos. Eu costumo usar este critério prático: se o parágrafo anterior termina com uma constatação ou dado, o conectivo de conclusão deve indicar consequência. Se o parágrafo anterior termina com uma análise ou interpretação, o conectivo deve indicar síntese. Se o parágrafo anterior termina com uma pergunta ou problema, o conectivo deve indicar resolução. Essa correspondência transforma a conclusão de um formalismo vazio em uma peça funcional do argumento. Outro ponto que poucos mencionam: a posição do conectivo importa mais do que a palavra em si. "Diante disso, os resultados indicam que..." soa mais natural do que "Os resultados, diante disso, indicam que...". A primeira versão mantém a linearidade temporal da raciocínio. A segunda quebra o fluxo ao intercalar o conectivo no meio da frase. Em português, conectivos no início do período são mais frequentes e mais fáceis de processar cognitivamente do que conectivos inseridos no meio.
Erros que destroem uma conclusão
O primeiro erro é a redundância. Usar "em resumo" seguido de "portanto" no mesmo parágrafo é duplicar a sinalização de fechamento. O leitor já percebeu que o texto está acabando. Repetir o sinal não adiciona informação. Apenas alonga o texto desnecessariamente. O segundo erro, mais sutil, é a introdução de informação nova na conclusão. O parágrafo final não é lugar para apresentar dados, exemplos ou argumentos que não foram discutidos no desenvolvimento. Se algo precisa ser dito, diga no corpo do texto. A conclusão serve para fechar, não para abrir novas frentes. Eu já vi relatórios em que o último parágrafo introduzia um conceito que nunca havia sido explicado anteriormente. O efeito é confuso e prejudica a credibilidade do texto como um todo. O terceiro erro é o tom. Conclusões em tom de sermão, com frases como "fica claro, portanto, que..." ou "é imprescindível que se adote...", soam presunçosos. A menos que o gênero textual exija esse registro — como em documentos jurídicos ou normativos —, um tom mais neutro e direto produz resultados melhores. O leitor não precisa ser convencido de que está sendo convencido. Ele precisa apenas receber o fecho do argumento.
Alternativas para quem quer evitar conectivos tradicionais
Se você sente que o repertório de "portanto", "conclui-se" e "diante disso" está esgotado, existem estruturas que cumprem a função de fechamento sem depender de conectivos óbvios. Uma delas é a recapitulação implícita: retomar, em uma ou duas frases, os pontos centrais do argumento sem usar marcadores explícitos de síntese. Outra é a projeção: direcionar o olhar do leitor para as implicações práticas ou futuras do que foi discutido. Um exemplo prático. Em vez de escrever "Portanto, a adoção de métricas de desempenho é essencial para a gestão moderna", você pode escrever "A definição de métricas claras transforma a gestão de um exercício subjetivo em um processo mensurável." A mensagem é a mesma. A primeira versão anuncia que está concluindo. A segunda simplesmente conclui. Essa abordagem exige mais cuidado na redação, porque o fecho precisa emergir do conteúdo em si, e não de um conectivo que sinaliza o fim. Mas o resultado costuma ser um texto mais maduro e menos dependente de fórmulas prefabricadas.

Quando usar e quando evitar cada conectivo
"Portanto" funciona bem em textos argumentativos formais, especialmente quando a conclusão segue uma cadeia lógica estrita do tipo premisa-conclusão. Não funciona bem em textos narrativos ou descritivos, onde a presença de um conectivo dedutivo soa deslocada. "Assim sendo" é um pouco mais flexível do que "portanto", mas ainda carrega um peso formal que pode não combinar com todos os gêneros. Eu o uso principalmente em documentos corporativos internos, onde o tom precisa ser preciso sem ser excessivamente rígido. "Nesse sentido" é útil quando a conclusão precisa se alinhar a uma interpretação específica desenvolvida no corpo do texto. Ele cria uma ponte direta entre o que foi dito anteriormente e o fecho do argumento. O risco é o uso repetitivo: se você usar "nesse sentido" três vezes em textos diferentes, o leitor vai notar o padrão.
"Diante disso" é versátil e funciona em vários contextos. O problema é que ele pode parecer genérico demais se não houver um "isso" claro e recente no parágrafo anterior. Quando o "isso" está distante ou mal definido, o conectivo perde força.
Conclusão sobre como concluir
O estudo de palavras para iniciar conclusão revela que não existe uma resposta única. O conectivo ideal depende do texto, do leitor e do contexto de produção. O que funciona para um artigo acadêmico pode falhar miseravelmente em um newsletter interno. O que soa natural em português brasileiro pode soar artificial em português europeu, onde certas construções têm frequências diferentes. O conselho mais honesto que posso dar é este: leia sua conclusão em voz alta. Se você tropeça, se soa mecânico, se percebe que está seguindo um roteiro que já usou dez vezes antes, troque. Não por vaidade estilística, mas porque o leitor sente quando um texto foi construído com atenção e quando foi montado com peças de catálogo. A diferença é mensurável. E ela está, muitas vezes, na primeira palavra do último parágrafo.

Galeria
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Conectivos Para Usar Na Conclusão - RETOEDU -
Palavras para começar uma redação - Brasil Escola