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Para Piaget O Que São Brincadeiras De Exercícios

Para Piaget O Que São Brincadeiras De Exercícios

O que são brincadeiras de exercícios na teoria piagetiana

Muita gente confunde brincadeira de exercícios com "só mover o corpo" ou gastar energia antes do almoço. Não é isso. Piaget chamou esse tipo de jogo de exercício ou jogo funcional, e ele aparece ainda na fase sensório-motora, entre 0 e 2 anos de idade. O conceito tem a ver com o prazer que a criança sente em repetir esquemas de ação que ela acabou de construir, só pelo fato de exercitá-los. Ao meu ver, a coisa mais importante aqui é entender que não se trata de uma atividade com objetivo externo. A criança não está "treinando" para nada. Ela simplesmente repete porque a repetição em si gera satisfação. É o que Piaget descreveu como prazer sensório-motor puro.

Como identificar brincadeiras de exercícios no dia a dia

Você consegue reconhecer esse tipo de brincadeira quando observa padrões bem claros. A criança faz algo repetidamente: joga um objeto no chão várias vezes, bate palmas no mesmo ritmo, corre de um ponto a outro sem motivo aparente, sacode um chocalho até ficar entediada. Isso não é aleatoriedade. É a criança consolidando esquemas motores e sensoriais que ela acabou de adquirir. Um detalhe que muita gente perde: o prazer vem da contingência. A criança descobre que pode produzir um efeito repetidamente e isso a entusiasma. Jogar a colher no chão e ver cair, depois observar quem vai recolher, depois jogar de novo. O ciclo inteiro é parte da brincadeira. Não é birra. É estudo ativo do mundo físico e social. Na prática, eu vejo muitos pais e educadores tentando direcionar essa energia para algo "produtivo" — transformar o jogar no chão em aula de cores, por exemplo. Funciona às vezes, mas você perde o ponto central. Se a criança já está consolidando o esquema de soltar e deixar cair, forçar uma variação cognitiva logo de cara só interrompe o processo de fixação. Deixe ela repetir. O cérebro dela está fazendo o trabalho dele.

Um problema que eu encontrei na prática foi com uma criança de 18 meses que repetia o ato de empilhar blocos e derrubar durante mais de 30 minutos seguidos. Um observador menos atento poderia interpretar como falta de concentração ou tédio. Na realidade, aquilo era um ciclo completo de exercício funcional: construir, ver o resultado, desfazer, e começar de novo. A criança estava trabalhando assimetria de acomodação e assimilação. Minha sugestão foi simplesmente garantir que o espaço fosse seguro e que os blocos não fossem pequenos demais para risco de engasgo. Sem intervenção direta. Apenas observação e ajuste ambiental. O que Piaget descreve nesse estágio tem alguns nuances que os resumos de manual não costumam captar. Por exemplo, o reflexo circular secundário e o reflexo circular terciário são os mecanismos subjacentes. O secundário envolve repetir ações que atingem o mundo externo (jogar algo). O terciário é quando a criança começa a variar propositalmente as ações para ver diferentes resultados — é uma ponte para a fase pré-operatória. Quando você vê uma criança de 12 meses derrubando coisas de formas ligeiramente diferentes (deitado, de pé, jogando com força diferente), ela já está transitando para o estágio mais avançado do exercício funcional. A limitação que ninguém menciona é que esse tipo de brincadeira pode ser mal interpretado como "agitação" ou "falta de foco". Em ambientes escolares, especialmente, a pressão por atividades estruturadas faz com que crianças nessa faixa etária sejam redirecionadas prematuramente. O resultado costuma ser frustração tanto para a criança quanto para o educador. A alternativa mais sensata, do ponto de vista piagetiano, é reservar momentos no dia onde a criança possa jogar livremente, sem material didático atrelado, apenas com objetos seguros e estáveis que permitam repetição motora variada.

Raciocínio e Criatividade a partir das ideias de Piaget - Escola de ...
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