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Parnasianismo E O Simbolismo

Parnasianismo E O Simbolismo

Como estudar Parnasianismo e Simbolismo sem perder a cabeça

Muitos professores pedem para comparar os dois movimentos num prazo de duas semanas e os alunos sempre confundem porque ambos surgem no final do século XIX como reação ao Romantismo. A diferença fundamental é simples, mas sutil na prática. O Parnasianismo valoriza a forma perfeita, a objetividade e o "arte pela arte". O Simbolismo busca o sugestionismo, a musicalidade, o espiritual e o indeterminado. O problema é que, ao ler um poema de Olavo Bilac e depois Cruz e Sousa lado a lado, as fronteiras começam a parecer mais difusas do que deveriam. O Parnasianismo brasileiro nasceu por volta de 1880 e teve seu auge nas décadas seguintes. Três nomes dominam: Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia. A estética se baseia no rigor formal, versos alexandrinos preferencialmente, rima rica e precisa, e uma descrição detalhada, quase fotográfica, dos objetos. O sujeito lírico se esconde atrás da técnica. Nada de desabafos. Nada de sentimentalismo exagerado. O Simbolismo, já surgido no final da mesma década e ganhando força nos anos 1900, opera de forma inversa. Cruz e Sousa é a referência máxima no Brasil, seguido por Alphonsus de Guimaraens. Os poemas privilegiam a sugestão em vez da descrição, a música da palavra em vez da imagem visual precisa. O verso tende a ser mais livre, as rimas menos ostentadas, e o sujeito lírico mergulha em estados subjetivos, espirituais, muitas vezes ligados ao misticismo ou ao sonhismo.

Aqui vai algo que poucos ensinam direito: não adianta decorar as características. Você precisa aprender a ler os poemas com atenção ao tratamento sonoro das palavras. No Simbolismo, especialmente em Cruz e Sousa, os fonemas carregam tanto peso quanto o sentido literal. O som é parte do significado. Se você ler um poema simbolista rapidamente, vai perder metade do que o poeta pretendia. Já no Parnasianismo, o detalhe que os alunos sempre ignoram é a função da objetividade. Não se trata apenas de "não falar de sentimentos". A descrição minuciosa de objetos, cenários, esculturas — o famoso pinacismo — era uma estratégia estética deliberada. Os parnasianos queriam provar que a poesia podia ter o mesmo nível de refinamento técnico que uma escultura ou uma pintura. Isso explica por que os poemas costumam ser tão descritivos a ponto de parecerem prosa elevada. Eu tive um problema específico quando estava preparando material de aula sobre esse tema. Pedi para meus alunos compararem um soneto parnasiano com um poema simbolista e destacar as diferenças de tratamento do eu lírico. Quase todos identificaram erradamente versos de Cruz e Sousa como "expressões sentimentais românticas". O erro era ler o conteúdo emocional ignorando a estrutura sonora. A solução foi fazer uma leitura encadeada em voz alta na sala, pausando após cada verso para analisar a disposição das vogais e consoantes. Só assim ficou claro como o simbolismo opera pelo som, não pela narrativa.

Outro ponto que causa confusão constante é a relação entre os dois movimentos com o Decadentismo. No Brasil, Alphonsus de Guimaraens e até mesmo Cruz e Sousa em certos momentos compartilham traços decadentistas: o morboso, o mistério, a evasão. Isso não significa que Simbolismo e Decadentismo sejam a mesma coisa, mas as fronteiras são porosas. Um poema simbolista pode conter elementos que parecem decadentistas, e vice-versa. O importante é verificar qual estratégia predomina: a sugestão musical (simbolismo) ou o estetismo doentio e refinado (decadentismo). Se você precisa estudar isso para uma prova ou trabalho acadêmico, aqui está um método prático que funciona: pegue três poemas de cada movimento, um de cada um dos principais autores. Leia cada um em voz alta duas vezes. Na primeira leitura, anote apenas as impressões gerais. Na segunda, sublinhe as rimas, os efeitos sonoros e as imagens predominantes. Depois, tente classificar cada poema com base em três critérios: tratamento do sujeito lírico, função da linguagem (indicativa vs. sugestiva), e uso da forma (rigor formal vs. flexibilidade). Esse exercício geralmente leva uns 45 minutos e fixa muito melhor do que qualquer resumo decorado. A desvantagem que ninguém admite é que a didática escolar costuma simplificar demais esses movimentos, transformando-os em listas de características para memorizar. O resultado é que os alunos sabem que Parnasianismo tem "forma perfeita" e Simbolismo tem "misticismo", mas não conseguem ler um poema e identificar qual movimento ele pertence com segurança. Isso acontece porque as definições são ensinadas de forma isolada, sem a prática de leitura atenta. A alternativa é justamente o exercício contrário: começar pelos poemas, não pelas definições.

Parnasianismo E O Simbolismo - NAZAEDU
Parnasianismo E O Simbolismo - NAZAEDU

Se quiser se aprofundar, os arquivos originais dos poetas estão disponíveis gratuitamente em portais como a Biblioteca Digital lusófona e o Domínio Público. Para o Parnasianismo, comece pelo Broquéis de Alberto de Oliveira e Sinfonias de Olavo Bilac. Para o Simbolismo, Irmaux Lamentáveis e A Canção dos Ramos Secos de Cruz e Sousa são essenciais. Alphonsus pode ser encontrado integralmente também nesses mesmos repositórios. O que fica claro depois de um tempo trabalhando com esses textos é que a rigidez parnasiana e a flutuação simbolista não representam apenas escolhas estilísticas diferentes, mas visões distintas sobre o que a poesia deve fazer. Uma quer fixar o objeto na palavra. A outra quer que a palavra se dissolva em algo que o objeto nunca conseguiu dizer.