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Peixes De Água Salgada Mais Consumidos No Brasil

Peixes De Água Salgada Mais Consumidos No Brasil

O que realmente aparece nos mercados brasileiros

A maioria das pessoas acha que come peixe marinho todo dia, mas a realidade é que o consumo no Brasil é concentrado em poucas espécies. Se você olhar os dados do IBGE e da pesca artesanal, peixes de água salgada mais consumidos no brasil gira basicamente em torno de uma mão de espécies, com variações regionais gigantes. O robalo é provavelmente o mais reconhecido nacionalmente. Carne firme, pouco espinho, rende bem na fritura e no assado. O problema é que o preço subiu muito nos últimos anos porque a sobrepesca no litoral sul e sudeste reduziu as capturas. Muitos mercados hoje vendem robalo de cativeiro, que tem textura diferente e custo menor. A dica prática é perceber pela cor da pele: o de captura silvestre tem o lustre mais acentuado e a carne mais firme ao toque.

Peixes de água salgada mais consumidos no brasil na prática

Além do robalo, as espécies que aparecem com mais frequência nas feiras e supermercados são o pargo, a garoupa, a dourada e o pescada. O pargo, tecnicamente um cherão, é extremamente popular no Nordeste e vai cada vez mais para o Sudeste. Carne adocicada, ideal para moquecas e cozidos. Um detalhe que muita gente não sabe: o pargo congelado perde qualidade muito rápido se o descongelamento for feito em água morna. O correto é passar do congelador direto para a geladeira, cerca de 12 horas antes. Já vi bastante gente estragar o peixe tentando acelerar o processo com água corrente, e o resultado é carne molet e sem gosto. A garoupa é outro queridinho, mas é uma espécie que exige cautela. Ela pode acumular ciguatera em certas regiões, especialmente no litoral nordestino durante períodos de águas mais quentes. O risco não é enorme, mas existe. A recomendação é evitar partes internas como fígado e ovar em pesca artesanal mal monitorada. Quando você compra em peixaria estabelecida, geralmente já passa por filtros que reduzem essa chance, mas o ideal é variar as espécies e não comer garoupa com frequência semanal. A dourada, também chamada de douradinho ou badejo em alguns lugares, é mais barata e aparece bastante no Rio de Janeiro e São Paulo. Carne branca, sabor suave. O problema dela é que seca fácil na chapa ou no forno se passar do ponto. Eu aprendi isso na prática fazendo um jantar e deixando a dourada assada por mais oito minutos do que o necessário. O peixe ficou seco e ninguém quis piece. A partir daí, passei a usar termômetro de cozinha: quando a carne interna atinge 62°C já é suficiente e o peixe sai na hora.

O pescada, ou corvina, é onipresente no Nordeste e no Norte. É o peixe da dieta diária de muita gente, usado em caldeiradas, bolos de peixe e frituras. Tem um custo acessível e aparece tanto fresco quanto congelado em postas. O lado negativo é que o pescada de pesca ilegal ou de períodos de defeso mal respeitados pode vir com problema de textura muito mole, sinal de peixe pescado em condições ruins ou armazenado de forma inadequada antes de chegar ao mercado. Em termos de volume, o que mais sai no país é uma mistura de pargo, robalo, pescada e garoupa, cada um com seu público e região de preferência. O que define o consumo não é só o sabor, mas a logística de distribuição. Espécies como a garoupa são mais caras fora do Nordeste porque o transporte a frio encarece. O robalo e o pargo têm cadeia mais consolidada, então aparecem com relativa facilidade em todo o litoral e até em capitais do interior via congelados. Se você mora longe do litoral e quer adquirir essas espécies, o congelado de boa procedência é saída viável. A questão é saber identificar qualidade. O filé de pargo congelado industrializado geralmente preserva bem a textura se a vitrinite de congelamento estiver intacta, sem cristais de gelo grandes ou manchas esbranquiçadas. Essas manchas são sinal de descongelamento e recongelamento, o que destrói a proteína e deixa o peixe farelento na hora de cozinhar. Eu descarto qualquer produto com esse aspecto, não adianta tentar consertar com tempero forte.

30 peixes de água salgada para pescar no Brasil (Peixes do Mar ...
30 peixes de água salgada para pescar no Brasil (Peixes do Mar ...

O mercado brasileiro ainda tem uma lacuna interessante: espécies como o mero e a tainha têm consumo regional muito forte, mas não entram na lista nacional por questões de volume e preço. O mero é caro e limitado a certos estados. A tainha tem consumo altíssimo em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, mas fora dessa região seu peso no consumo geral é menor. Isso reflete como a cultura alimentar local dita muito mais do que se imagina quando o assunto é peixe marinho no Brasil.