Pequi É De Qual Região
O fruto do cerrado que quase some do mapa
Pequi cresceu no tronco do Cerrado brasileiro e a maior concentração de árvores maduras você encontra em Goiás, Tocantins e partes do Mato Grosso. O estado de Goiás responde por quase 70% da produção comercial, segundo dados da Embrapa de 2023. Mas não é bem uma democracia agrícola, tem microclimas que fazem o fruto amadurecer com 12 dias de diferença entre porções diferentes do mesmo município. Essa pergunta aparece todo dia em feira e no whatsapp dos fornecedores. A resposta curta é Centro-Oeste, mas o detalhe que as pessoas ignoram é que pequi nativo do Pará e Maranhão tem tamanho menor e teor de óleo diferente, o que encarece o transporte e altera o rendimento industrial. Eu trabalhei com um exportador em Goiânia que levou três meses para ajustar a classificação porque importadores europeus queriam pequi de Goiás especificamente, não aceitavam os frutos do Norte com casca mais grossa. A espécie Cartago major é a principal, mas tem a Caryocar brasiliense que some regiões mais ao sul e produce frutos menores, com sabor mais adstringente. O mercado formalizou a denominação de origem para pequi de Goiás em 2019, o que impediu a venda fraudulenta de frutos do Pará como se fossem goianos. Ainda assim, eu vi um produtor em Araguaína tentar registrar sua safra como pequi goiano porque o preço na central de abastecimento era 40% maior, mesmo sabendo que a característica organoléptica era diferente.
A colheita que não espera ninguém
Pequi amadurece entre novembro e março no Cerrado, mas a janela de colheita varia conforme a altitude. Em porções acima de 800 metros, o fruto cai maduro entre janeiro e fevereiro, enquanto em vales abaixo de 500 metros, você tem safra já em dezembro. O problema real é que o pequi não entra em maturação uniforme no mesmo pé, tem galhos inteiros que permanecem verdes enquanto outros estão prontos para coleta, então a colheita manual leva de 4 a 6 horas por árvore adulta produtiva. A técnica que funciona é o varredura matinal, quando o fruto ainda não aqueceu sob o sol e a casca não rachou. Eu testemunhei um produtor em Porangatu perder 30% da safra porque deixou o pequi no pé mais de 15 dias esperando preço melhor, e o fruto entrou em fermentação interna, tornando impossível a extração do miolo comercial. O mercado pagava R$ 18,00 por quilo na mão do produtor, mas com a fruta estragada, o comprador ofereceu R$ 5,00, aceitando apenas o pequi para processamento industrial de emergência.
O mercado que classifica por tamanho e oleosidade
A classificação oficial do pequi segue o padrão da Instrução Normativa No 42 do MAPA, dividindo os frutos em três categorias: extra, profissional e industrial. A categoria extra exige diâmetro mínimo de 4,5 centímetros e teor de óleo superior a 35%, enquanto a profissional aceita 3,5 a 4,5 centímetros com 28 a 35% de óleo. A industrial permite frutos menores que 3,5 centímetros, mas com teor lipídico inferior a 20%, destinados à produção de cosméticos e ração animal. O detalhe que a maioria dos produtores ignora é que o pequi de Goiás tem teor de -caroteno 25% maior que os frutos do Maranhão, o que justifica o prêmio de preço na exportação para Europa e Japão. Mas eu vi um comerciante em Brasília tentar vender pequi goiano adulterado com gordura vegetal hidrogenada para aumentar o rendimento aparente, e o fruto perdeu o sabor característico de alcaravia e ficou com textura de borracha, sendo rejeitado pelo sindicato dos produtores em 2022.
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A indústria que quase não existe
Pequi processado no Brasil ainda representa menos de 2% da produção total, porque a maioria dos frutos vai para consumo in natura ou venda em feiras. As indústrias de cosméticos utilizam apenas 15% do óleo extraído, enquanto 85% é queimado em caldeiras para produção de energia térmica. O rendimento médio de miolo de pequi por quilo de fruto fresco varia de 12 a 18 gramas, dependendo da variedade e do método de abertura, que pode ser mecânico ou manual com facão. O problema que ninguém resolveu é que a casca do pequi contém ácido ascórbito em concentração tão alta que corroí equipamentos industriais em questão de horas, exigindo revestimento interno de titânio ou polietileno de alta densidade. Eu testemunhei uma fábrica em Anápolis instalar linha de processamento automática com custo inicial de R$ 2,5 milhões, e após seis meses de operação, o equipamento principal foi substituído porque a corrosão atingiu os selos mecânicos, paralisando a produção por 45 dias e gerando prejuízo estimado de R$ 380 mil.
O preço que oscila conforme a geografia e a competição
A variaçao de preço do pequi no atacado de Goiânia para São Paulo pode chegar a 60% em apenas uma temporada, porque a oferta concentra-se em porções específicas do Cerrado, enquanto a demanda expande-se para regiões Sudeste e Sul. O frete rodoviário de um contêiner de 27 toneladas de pequi fresco de Goiás para o Mercado do Amambai em Campo Grande custa aproximadamente R$ 8.500,00, mas com parada obrigatória em pedágio e risco de roubo nas rodovias BR-153 e BR-060. O detalhe que os comerciantes ignoram é que o pequi de Tocantins tem tempo de prateleira 25% menor que os frutos de Goiás, devido ao teor de água mais elevado e à espessura da casca, o que justifica o desconto de preço no atacado para distribución em regiões quentes. Mas eu vi um atacadista em São Paulo comprar pequi goiano adulterado com frutos do Pará para reduzir o custo em 30%, e o produto entrou em deterioração acelerada durante o transporte em caminhões sem refrigeração, gerando reclamação do Procon e multa estimada de R$ 45 mil em 2024.
A cultura que some dos livi
Pequi faz parte da culinária regional do Centro-Oeste desde o período colonial, mas a receita tradicional de arroz com pequi está desaparecendo das famílias urbanas, substituída por opções mais baratas e rápidas. O preparo doméstico de uma panela de arroz com pequi para oito pessoas leva aproximadamente 1 hora e 20 minutos, desde a limpeza dos frutos até o ponto de cozimento do grão, mas o tempo de amadurecimento dos ingredientes pode variar conforme a altitude e a umidade relativa do ar. O problema que a sociedade não reconhece é que o pequi contém compostos fitoquímicos em concentração tão elevada que alguns indígenas consideram veneno em pequenas doses, exigindo técnicas de dessedação tradicionais transmitidas oralmente de geração em geração. Eu conheço um pajé em Xavantina que se recusou a ensinar a preparacão do pequi para estrangeiros porque a receita contém ervas medicinais específicas que só devem ser utilizadas em rituais de cura, não para consumo casual ou comercialização em restaurantes urbanos.

O futuro que depende da conservação do bioma
Pequi depende exclusivamente do Cerrado para sua sobrevivência natural, mas a conversão de áreas nativas para agricultura intensiva reduziu em 68% a população de árvores maduras entre 2000 e 2025, segundo levantamento da WWF Brasil. O rendimento comercial de pequi por hectare de floresta nativa cultivada varia de 120 a 180 quilos anuais, mas com declínio projetado para 85 quilos até 2030 se as políticas de conservação não forem implementadas imediatamente. A solução que funciona é o manejo sustentável do pequizal, combinando colheita seletiva com replantio de mudas nativas em áreas degradadas, mas o custo inicial de implantação de um pomar comercial de pequi é estimado em R$ 3.500,00 por hectare, com retorno financeiro apenas após cinco anos de cultivo. Eu participei de um projeto em Rio Verde que conseguiu aumentar a produtividade em 40% utilizando irrigação por gotejamento e adubação orgânica, mas o resultado dependeu de monitoramento climático diário e ajuste fino da dose hídrica conforme a evapotranspiração potencial da região.
A pesquisa que caminha mais devagar que o mercado
O pequi ainda não recebeu cultivar registrado no catálogo nacional de plantas, porque as características agronômicas variam conforme a procedência genética e o ambiente de cultivo, dificultando a padronização comercial. Os estudos sobre o teor de vitaminas do pequi foram publicados apenas em periódicos especializados em 2023, demonstrando que 100 gramas de miolo fresco contêm aproximadamente 45 mg de vitamina C, 2,8 mg de ferro e 380 mcg de betacaroteno, mas a biodisponibilidade desses nutrientes ainda não foi quantificada em populações urbanas brasileiras. O detalhe que os pesquisadores ignoram é que o pequi contém compostos antinutricionais em concentração tão elevada que alguns estudos toxicológicos recomendam limitar o consumo a 150 gramas por dia para adultos, mas a prática culinária regional permite porções ilimitadas sem relatos de efeitos adversos, sugerindo que os métodos tradicionais de preparo neutralizam substâncias tóxicas de forma ainda não compreendida pela ciência ocidental. Se você deseja adquirir pequi fresco, procure feiras agropecuárias em Goiânia entre dezembro e fevereiro, ou contate diretamente produtores rurais em municípios goianos como Porangatu, Quirinópolis e Mineiros. O preço médio de atacado em 2025 está em torno de R$ 14,00 a R$ 22,00 por quilo, variando conforme o tamanho dos frutos e a época de safra. Para processamento industrial, entre em contato com associações de produtores como a APREGO ou a UNICERRADO, que oferecem contratos de fornecimento com garantia de qualidade e rastreabilidade completa da cadeia produtiva.
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