Picanha Na Pedra Foz
O guia prático de picanha na pedra em Foz do Iguaçu
Vou direto ao ponto porque esse assunto rende muito papo furado na internet. Picanha na pedra é basicamente cozinhar a carne sobre uma chapa de pedra vulcânica aquecida. Simples assim. O problema é que muita gente acha que é só jogar a carne numa pedra quentinha e esperar milagres. Não funciona assim. Foz do Iguaçu tem uma cena interessante nisso. A cidade recebe muita gente vindas de outras regiões que nunca cozinharam picanha em pedra, então os restaurantes locais se adaptaram de formas variadas. Alguns levam a pedra literalmente à mesa, outros pré-cozinham na cozinha e só finalizam na hora. A diferença no resultado é clara. O método que eu uso quando faço em casa funciona assim. A pedra precisa estar a cerca de 200 graus Celsius antes de receber a carne. Se você colocar a picanha numa pedra fria, ela vai liberar sucos num processo de cozimento lento que deixa a carne dura e cinza. Já vi muita gente errando nisso porque acha que o calor que a pedra gera já é suficiente desde o início.
Aqueça a pedra em fogo médio-baixo por pelo menos 20 minutos antes de colocar qualquer coisa. Use um termômetro infravermelho se tiver. Se não tiver, deixe a pedra até começar a soltar um leve cheiro de pedra quente mesmo, sem nada em cima. Isso leva tempo e ninguém gosta de esperar, mas é necessário. A picanha precisa ser cortada em fatias de pelo menos 3 centímetros de espessura. Fatias finas secam na pedra vulcânica porque a pedra absorve umidade rapidamente. A gordura deve ficar virada para baixo primeiro, alguns segundos até dourar. Depois vira e cozinha o lado magro. Tempo total depende da espessura, mas algo em torno de 4 a 6 minutos por lado para um ponto medium. Um problema que eu enfrentei recentemente e que pouca gente comenta: a pedra de basalto que eu compro de um fornecedor local em Foz às vezes vem com microfissuras. A primeira vez que percebi foi quando a pedra rachou ao aquecer. O fornecedor disse que era normal, mas não é. Pedra com fissuras preexistentes pode se partir completamente na hora do choque térmico. A solução foi começar a aquecer sempre em fogo bem baixo e subir gradualmente, nunca jogar a pedra diretamente no máximo.
Outro detalhe prático que os livros não ensinam: a pedra continua cozinhando a carne depois de tirá-la do calor. Isso é a retenção térmica funcionando. Se você deixar a picanha no ponto desejado na pedra, quando for servir ela estará passada. Retire a carne quando estiver 10 graus abaixo do ponto final pretendido. O resto o calor residual faz em dois ou três minutos. Serviço de limpeza também merece atenção. Resíduo de carne cozida gruda na pedra vulcânica e vira uma crosta difícil de remover se esfriar totalmente. Limpe a pedra ainda morna, antes de esfriar completamente. Água quente e uma espátula de madeira resolvem. Nunca use sabão em pedras vulcânicas não tratadas, o sabão entra nos poros e dá gosto ruim na próxima utilização. Se você mora em Foz e quer comprar uma pedra, os fornecedores na Av. Brasil e no centro oferecem opções entre R$ 80 e R$ 250 dependendo do tamanho e qualidade. As mais baratas costumam ser de basalto reciclinte com mais impurezas. As mais caras são de pedra vulcânica lavrada, que aquece de forma mais uniforme. A diferença no resultado é perceptível, principalmente em cozinhas com fogo desuniforme.

Para quem tem restrições de espaço ou não quer lidar com pedra, uma alternativa prática é usar uma chapa de ferro fundido convencional. O resultado é similar, sem a variação térmica que a pedra causa, e a limpeza é mais simples. A picanha na pedra tem esse charme visual de servir na própria pedra, mas se o objetivo é só comer bem, a chapa resolve sem complicação.
Galeria
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