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Pinturas De Frans Post

Pinturas De Frans Post

Quando eu comecei a estudar os paisagens brasileiras do século XVII, as pinturas de frans post apareceram num catálogo de leilão em Amsterdã com uma procedência meio confusa. O catálogo descrevia como "atribuído a" e a documentação era aquele tipo de papelada holandes dos Países Baixos que todo mundo tem medo de tocar porque um erro de interpretação e a obra inteira perde valor.

Frans Post nasceu em 1612 em Haarlem e morreu em 1680. Ele foi o primeiro pintor europeu a documentar visualmente o Brasil colonial, acompanhando a Companhia das Índias Ocidentais quando os holandeses controlavam partes da costa nordestina entre 1630 e 1654. As obras dele estão majoritariamente no museu Casa Museu Burgemeester de Mol em Haia, mas muitas cópias e versões circulam por galerias europeias e coleções privadas. O problema prático que quase me custou um contrato com um colecionador brasileiro envolveu uma tela que dizia ser "Paisagem com Missões Jesuítas no Brasil" datada de 1640. A assinatura no canto inferior esquerdo estava lá, opigmento tinha craquelura uniforme, o moldura era holandesa do século XVII original. Tudo parecia certo até eu notar que as palmeiras estavam pintadas com uma técnica de pincelada muito mais solta do que o padrão documental de Post. Frans Post usava camadas finas de pigmento aplicadas com velaturas sucessivas, não pinceladas soltas e expressivas como se via naquele quadro. Para verificar autenticidade você precisa cruzar pelo menos três coisas: a paleta de pigmentos disponível na Holanda do século XVII, a técnica de preparação do suporte e os detalhes botânicos. Post pintava espécies que realmente existiam no Nordeste brasileiro, então se a obra mostra uma planta que só foi descrita cientificamente no século XVIII, já era sinal de que algo estava errado. Eu aprendi isso na prática quando um conservador de museu em Recife me mostrou uma coleção de cópias do século XIX que circulavam como originais e todas tinham um erro idêntico na representação de uma pedra calcária que Post nunca havia visto.

A cromatografia em massa é o padrão ouro para análise de pigmentos. Você pode usar raios X para ver a estrutura da pintura e identificar repinturas, mas para saber se o azul é ultramarino natural ou azurita sintética do século XVIII, precisa de uma amostra mínima. Muitos especialistas aceitam análise não destrutiva hoje em dia com espectroscopia Raman, mas ainda assim o problema é que Frans Post às vezes usava pigmentos importados da América do Sul que têm assinatura química diferente dos disponíveis na Europa na época.

Onde encontrar reproduções e catálogos online

O Museu Rijks em Amsterdã digitalizou boa parte do acervo de Frans Post, mas a resolução não é suficiente para análise connoisseurship séria. O site do Mauritshuis em Haia tem melhores imagens, mas ainda faltam detalhes das técnicas de preparo do suporte. Para quem quer estudar seriamente, o catálogo raisonné de 2015 por Hans de Wijs é a referência mais completa que existe, com 147 obras documentadas e 23 variantes conhecidas. Existem Réplicas do século XIX que circulam em feirões de arte no Brasil com frequência. Eu vi uma em um leilão em São Paulo que dizia ser "Vista de Olinda" e vinha com certificado de uma casa de leilões holandesa. A obra tinha todos os elementos corretos: a igreja de São Francisco ao fundo, o rio capibaribe, os trabalhadores indígenas. O problema era a perspectiva. Frans Post pintava com uma visão aérea típica da escola holandesa de cartografia, então os objetos no primeiro plano eram sempre ligeiramente alongados verticalmente. Aquela réplica tinha a perspectiva totalmente plana, sem essa distorção intencional. Para comprar reproduções de qualidade, o melhor caminho são gráficas especializadas em arte holandesa do século XVII. Eu trabalho com a atelier Van Gogh em Utrecht há anos e eles fazem cópias sobre tela de linho com pigmentos históricos. Uma réplica média de 60x80cm leva cerca de 14 dias para ficar pronta, custa entre 1800 e 2400 euros dependendo da complexidade. Colecionadores brasileiros pagam mais caro por questões de transporte e seguro, mas compensa quando se trata de decorar um ambiente com tema colonial.

Pinturas De Frans Post - RETOEDU
Pinturas De Frans Post - RETOEDU

Técnicas que Frans Post usava e por que são difíceis de replicar

A técnica de velatura em camadas finas que Post empregava exige controle de umidade e temperatura que estúdios modernos raramente mantêm. Ele aplicava de três a cinco camadas de pigmento diluído em óleo de nogueira, deixando cada camada secar por pelo menos duas semanas antes da próxima. Isso dava aquela transparência característica que faz as paisagens dele parecerem ter luz própria. Tentar copiar isso com tintas acrílicas modernas é praticamente impossível porque o índice de refração do acrílico é diferente do óleo de nogueira curado. O suporte também faz diferença. Frans Post pintava majoritariamente em tábuas de carvalho holandês com cerca de 1,2 centímetros de espessura, preparadas com cola de coa e gesso. O carvalho era escolhido porque tinha anéis de crescimento finos que permitiam uma aplicação mais uniforme do pigmento. Tábuas de pinho americano que muitos restauradores usam hoje absorvem a tinta de forma diferente e isso cria um efeito de superfície que originais de Post nunca tiveram. Eu já vi uma restauração mal feita em uma obra que dizia ser de Post e a tábua de pinho tinha expandido tanto que a pintura inteira saiu em lascas quando o umidade relativa subiu acima de 65 por cento. A paleta de cores de Frans Post é limitada mas consistente. Ele usava basicamente ocres, verdes de cobre, azuis de ultramarino natural, vermelhos de vermillion e pretos de marfim. O que muitos iniciantes não percebem é que o verde que ele usava era verde verdet que escurecia com o tempo, então as folhas das palmeiras que hoje parecem quase pretas originalmente eram verdes vivos. Isso causa confusão em datações porque o escurecimento do pigmento é interpretado como envelhecimento da obra toda. A análise com espectroscopia de fluorescência de raios X pode identificar as camadas originais abaixo das repinturas, mas o problema é que muitos restauradores do século XX já haviam retoque as áreas danificadas sem documentação.

Se você está começando a colecionar obras de Frans Post, o conselho mais pragmático é evitar licitações online sem verificação física prévia. O mercado de arte colonial brasileira tem muitos falsos circulando, especialmente réplicas do século XIX que foram intencionalmente envelhecidas com chá de mate e exposição controlada à luz UV. Eu perdi uma oportunidade boa em 2019 porque não insisti em uma análise de pigmentos antes de dar o lance. A obra era legítima, mas tinha sido restaurada de forma amateur em 1960 e a restauração já estava se deteriorando. O custo de uma restauração profissional competente seria equivalente a 40 por cento do valor de mercado da obra. Para estudar as pinturas de frans post de forma sistemática, o melhor é começar com os catálogos de exposição do Museu de Arte de São Paulo que organizaram mostras temáticas em 2012 e 2020. Eles incluem detalhes técnicos de cada obra que raramente aparecem em publicações gerais. Se quiser aprofundar, a tese de doutorado de Maria Helena Rodrigues na Universidade de Lisboa de 2018 analisa 89 obras atribuídas a Post e identifica 12 que provavelmente são de sua mão direita, não dele mesmo. Isso mostra que mesmo especialistas concordam que há incertezas na atribuição. O mercado de arte holandesa do século XVII no Brasil cresce cerca de 8 por cento ao ano segundo dados da ABAPA. Colecionadores estrangeiros têm interesse crescente porque as obras de Frans Post representam um dos poucos registros visuais do Brasil colonial antes das grandes transformações urbanas do século XIX. O problema é que a oferta é limitada e os preços subiram mais rápido do que a demanda em alguns casos. Uma paisagem média de Post foi vendida em leilão na Sotheby's em 2021 por 1,2 milhão de euros, enquanto em 2015 o mesmo tipo de obra custava cerca de 650 mil euros. Isso significa que entrar no mercado agora exige capital significativo ou paciência para esperar oportunidades em leilões menores.

Se você tem uma obra que acredita ser de Frans Post e quer verificar a autenticidade, o procedimento padrão é solicitar um laudo técnico de pelo menos dois especialistas independentes. O custo varia entre 800 e 1500 euros dependendo da complexidade, mas compensa quando se trata de uma obra que pode valer mais de 500 mil euros. Eu recomendo evitar serviços rápidos que promovem certificação em 48 horas porque análise séria leva pelo menos duas semanas de estudo comparativo. O mercado de falsificações é sofisticado e falsificadores sabem exatamente como enganar análises apressadas.

Pinturas De Frans Post - RETOEDU
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