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Pleonasmo Vicioso Exemplos

Pleonasmo Vicioso Exemplos

O que é e por que aparece em todo lugar

Pleonasmo vicioso é a repetição redundante de um conceito já expresso por uma palavra ou estrutura que já o carrega embutido. O famoso "subir para cima" ou "descer para baixo" são os exemplos mais batidos, mas o problema vai muito além disso. Ocorre quando o falante ou escritor adiciona um elemento que não traz informação nova, apenas repete o que o verbo ou a expressão já diz. Além dos clássicos que todo mundo conhece, encontrei na revisão de um contrato jurídico recentemente uma cláusula que dizia "a parte ré deverá comparecer pessoalmente no local". O "pessoalmente" ali era redundância pura, porque comparecer já implica presença física. Terminei retirando a palavra e deixando a frase mais limpa. Esse tipo de acúmulo acontece especialmente em textos formais, onde quem escreve acha que acrescentar sinônimos dá mais solenidade, quando na verdade só pesa a leitura. Alguns exemplos frequentes:

O ver com os próprios olhos — ver já é uma ação visual, o complemento sobra. Dizer explicitamente — dizer algo de forma explícita é redundante; basta usar "dizer" ou especificar como foi dito, se necessário. Entrar dentro — entrar já indica movimentação de fora para dentro. O correto é "entrar no local", sem o "dentro".

Alcançar o grau máximo — alcançar o ápice ou o extremo já carrega essa ideia. "Alcançar" sozinho basta. Sair para fora — sair significa deixar um interior. Não precisa do complemento direcional. Morrer a morte — morrer já abarca o conceito; essa construção é puramente retórica vazia.

Exemplos De Pleonasmo _ Vícios de linguagem: o que e quais são (com ...
Exemplos De Pleonasmo _ Vícios de linguagem: o que e quais são (com ...

Prioridade absoluta — prioridade já indica supremacia, então "absoluta" não acrescente nada factual, embora seja muito usado em discursos institucionais. Conclusão final — conclusão é, por definição, o ponto final de um raciocínio. Basta "conclusão".

Como identificar na prática

A técnica mais direta é testar se a frase mantém o mesmo sentido após a remoção do elemento redundante. Se mantiver, você tem pleonasmo vicioso. Vou dar um exemplo mais técnico: em um relatório técnico que revisei, havia a expressão "a falha foi causada por uma causa raiz". O termo "causa raiz" já é um conceito de análise que indica origem. A palavra "causada" tornava a frase redundante. A versão corrigida ficou "a falha teve como origem uma causa raiz". A diferença é sutil, mas significativa em termos de densidade informacional. Outro ponto importante: nem toda repetição é pleonasmo vicioso. Há construções intencionalmente reforçadas que funcionam na oralidade e em registros estilísticos específicos. A diferença está na intenção. Se o redundante não adiciona informação nova nem serve a um recurso estilístico claro, provavelmente é vicioso.

Por que isso persiste

O pleonasmo vicioso não desaparece porque ele é confortável. Falantes produzem essas construções sem perceber, e revisores muitas vezes passam a mão na massa porque soam naturais na fala corrente. Na escrita formal, no entanto, elas ocupam espaço sem agregar conteúdo. Em documentos longos, esse desgaste acumula. Um contrato de 40 páginas com cinco linhas de pleonasmo vicioso por página perde cerca de 200 palavras de capacidade informativa. É pouco isoladamente, mas o efeito é cumulativo. Em áreas como direito e administração pública, a tolerância a essas repetições é maior do que deveria ser, provavelmente por tradição e pela sensação de que mais palavras equivalem a mais rigor. Na prática, acontece o oposto: o texto fica mais difícil de rastrear rapidamente.

Pleonasmo: o que é, exemplos e tipos (e como Identificar) - Significados
Pleonasmo: o que é, exemplos e tipos (e como Identificar) - Significados

Como eliminar nos seus textos

O processo básico é ler com foco na remoção. Você não precisa entender cada vírgula ou estrutura de uma vez. Leia frase por frase e pergunte: essa palavra ou expressão acrescenta algo que já não está dito? Se não, corte. Em redações acadêmicas, esse método reduz o volume em aproximadamente 15 a 20 por cento sem perda de conteúdo. Em roteiros técnicos, a economia pode ser maior, porque esses textos tendem a acumular marcadores desnecessários. Outra estratégia útil é ler de trás para frente, pegando uma frase por vez começando pelo final. Isso quebra o fluxo automático de compreensão e força o cérebro a tratar cada segmento como independente, o que facilita a identificação de redundâncias. Funciona bem para revisões rápidas em textos de até duas mil palavras. Para textos maiores, o melhor é dividir por tópicos e revisar seção por seção.

Quando evitar ao invés de corrigir

Nem todo pleonasso que parece vicioso deve ser eliminado. Em textos criativos, discursos orais e certos gêneros jornalísticos, a repetição intencional é recurso legítimo. O problema aparece quando o estilo tenta imitar formalidade usando redundância como muleta. Se você está escrevendo um e-mail comercial, um laudo técnico ou um regulamento, a eliminação é preferível. Se está escrevendo um discurso motivacional ou uma crônica, a redundância pode ser parte da voz do texto. O limite é simples: a redundância funciona quando é escolhida, não quando é automática. Quando ela surge sozinha, sem intenção, é provável que seja viciosa.

Um erro comum que vale a pena evitar

Revisores iniciantes muitas vezes cometem o erro de substituir a redundância por um sinônimo mais rebuscado. Em vez de simplesmente cortar o elemento sobrado, inserem um termo que soa mais sofisticado, mas que não melhora o texto. Isso é pior do que manter o pleonasmo, porque troca clareza por aparatoso. O objetivo da correção não é enriquecer o vocabulário, é remover o desnecessário. Mantenha a frase curta e direta. Pleonasmo vicioso é um problema de excesso, não de falta. A solução não exige mais palavras, exige menos.

Identifique A Alternativa Em Que Ocorre Um Pleonasmo Vicioso - FDPLEARN
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