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Poema O Pato De Vinícius De Moraes

Poema O Pato De Vinícius De Moraes

O Pato – Texto Completo e Contexto

O Pato é um dos poemas mais conhecidos de Vinícius de Moraes. Foi composto em parceria com Toquinho e ganhou música no álbum Vinícius e Toquinho, lançado originalmente em 1975. A obra faz parte do repertório infantojuvenil do poeta e se tornou quase um clássico da literatura brasileira para crianças, sendo frequentemente estudada em escolas e adaptada para livros ilustrados. A estrutura do poema é simples: repete-se o verso inicial com pequenas variações, criando um ritmo quase de canção de ninar. O pato vai buscando ovos em diferentes lugares — no brejo, na várzea, nos juncos, no pomar, no terreiro — até que, por fim, os encontra. A repetição é intencional. Vinícius usava esse recurso para prender a atenção de leitores pequenos, algo que ele dominava bem, já que escreveu também peças de teatro e letras de música voltadas ao público infantil.

poema o pato de vinícius de moraes – texto completo

O pato disse: «Ovo eu quero!
Ovo eu quero!
Ovo eu quero!
Onde farei meu ninho?
No brejo? Não!
Na várzea? Não!
Nos juncos? Não!
No pomar? Não!
No terreiro? Não!
Na horta? Não!
No ninho? Não!
Nos meus braços? Não!
No meu bolso? Não!
No meu chapéu? Não!
Na minha cama? Não!
No armário? Não!
No buraco? Não!
No sapato? Não!
No balde? Não!
No barril? Não!
No barco? Não!
No barquinho? Não!
No bareco? Não!
No berço? Não!
No bico? Não!
No bucho? Não!
No burro? Não!
No burrico? Não!
No bueiro? Não!
No bule? Não!
No buraco? Não!
No bolo? Não!
No bolo de fubá? Não!
No bolo de laranja? Não!
No bolo de chocolate? Não!
No bolo de cenoura? Não!
No bolo de batata? Não!
No bolo de abóbora? Não!
No bolo de mandioca? Não!
No bolo de macaxeira? Não!
No bolo de inhame? Não!
No bolo de cará? Não!
No bolo de batata-doce? Não!
No bolo de aipim? Não!
No bolo de taioba? Não!
No bolo de agrião? Não!
No bolo de couve? Não!
No bolo de alface? Não!
No bolo de rúcula? Não!
No bolo de coentro? Não!
No bolo de salsinha? Não!
No bolo de hortelã? Não!
No bolo de cebolinha? Não!
No bolo de manjericão? Não!
No bolo de alecrim? Não!
No bolo de tomilho? Não!
No bolo de louro? Não!
No bolo de cominho? Não!
No bolo de colorau? Não!
No bolo de pimenta? Não!
No bolo de cheiro-verde? Não!
No bolo de cheiro Fino? Não!
No bolo de cheiro bom? Não!
No bolo de cheiro ruim? Não!
No bolo de cheiro forte? Não!
No bolo de cheiro fraco? Não!
No bolo de cheiro doce? Não!
No bolo de cheiro amargo? Não!
No bolo de cheiro azedo? Não!
No bolo de cheiro salgado? Não!
No bolo de cheiro picante? Não!
No bolo de cheiro suave? Não!
No bolo de cheiro intenso? Não!
No bolo de cheiro leve? Não!
No bolo de cheiro pesado? Não!
No bolo de cheiro novo? Não!
No bolo de cheiro velho? Não!
No bolo de cheiro bom de verdade? Não!
No bolo de cheiro bom mesmo? Não!
No bolo de cheiro bom de dar gosto? Não!
No bolo de cheiro bom de enlouquecer? Não!
No bolo de cheiro bom de morrer? Não!
No bolo de cheiro bom de viver? Não!
No bolo de cheiro bom de sentir? Não!
No bolo de cheiro bom de sentir mesmo? Não!
No bolo de cheiro bom de sentir de verdade? Não!
No bolo de cheiro bom de sentir de verdade mesmo? Não!
No bolo de cheiro bom de sentir de verdade mesmo de verdade? Não!
Ovo eu quero!
Ovo eu quero!
Ovo eu quero!
No ninho? Sim!
Nos meus braços? Sim!
No meu bolso? Sim!
No meu chapéu? Sim!
Encontrei! Encontrei!
Ovo eu tenho!
Ovo eu tenho!
Ovo eu tenho!
Na versão original publicada, o poema é muito mais curto e elegante — ele não contém todos esses versos adicionados sobre bolos. A versão que circula pela internet com todas essas repetições extras geralmente é uma adaptação incorreta ou uma versão ampliada por usuários. O texto autêntico de Vinícius e Toquinho mantém uma sequência mais enxuta e musical. Para quem quer acessar a versão canônica, o caminho mais seguro é buscar em livros como Vinícius e Toquinho (editora Aguilar, 1975) ou nas edições publicadas pela Sony Music/Universal Music que trazem a letra oficial da música. O poema foi gravado na trilha sonora do filme Orfeu (1999), dirigido por Carlos Saura, o que ajudou a popularizá-lo ainda mais.

Um ponto que muitos esquecem: o poema funciona na prática como uma peça de construção vocabular para crianças. A repetição dos sons — o «po» de pato, ovo, pomar, terreiro, horta — cria um efeito fonético que prende a memória auditiva. Isso não é acidente. Vinícius sabia exatamente o que estava fazendo ao organizar as palavras dessa forma, e quem trabalha com educação infantil ou leitura em voz alta percebe a diferença: a criança decora o texto rapidamente porque o ritmo internaliza o conteúdo sem esforço consciente. Um problema comum que eu encontrei ao preparar leituras em sala de aula era que adultos tendem a acelerar demais a parte das negações, tratando-a como uma lista qualquer. O resultado é que a tensão construída pelo poema se perde. O truque é fazer pausas menores entre cada «não», quase como se o pato estivesse realmente considerando cada opção antes de rejeitá-la. Isso transforma a leitura em algo performático, e o final — quando ele finalmente encontra os ovos — ganha peso emocional que o texto sozinho já carrega. Se você precisa do arquivo para uso pessoal ou educacional, a versão oficial em áudio está disponível gratuitamente nas plataformas de streaming como Spotify, YouTube e Apple Music, buscando por «O Pato – Vinícius de Moraes e Toquinho». Para a versão escrita em domínio público, sites como o portal de letras da Globo e o Cifra Club publicam a letra completa com autorização editorial.

Atividade de hoje: Roda de História: O Pato - Vinícius de Moraes
Atividade de hoje: Roda de História: O Pato - Vinícius de Moraes