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Poema Se Eu Morresse Amanhã

Poema Se Eu Morresse Amanhã

O poema que muita gente associa ao Drummond (mas não é bem isso)

Vou direto ao ponto porque já vi muita gente confusa com esse título. Poema se eu morresse amanhã não é um poema famoso de Carlos Drummond de Andrade, como muitos assumem por instinto. Drummond escreveu "No meio do caminho", "Província", "Feliz aniversário", mas esse texto específico com esse enunciado não consta em nenhum livro dele. O que existe são variações atribuídas popularmente a ele na internet, em blogs, perfis de poesia no Facebook e sites de citações que simplesmente colaram o título sem conferir a fonte. Eu caí nessa armadilha também no início dos anos 2000, quando pesquisava para um trabalho universitário. Achava que tinha encontrado uma obra-prima perdida. Quando fui ao livro "Sentimento do mundo" e depois "A educação pela pedra", não estava lá.

Poema se eu morresse amanhã: origem real

O que circula com esse título na internet é um texto de autoria desconhecida, muitas vezes escrito por usuários anônimos de fóruns e comunidades literárias amadoras. O conteúdo costuma variar de versão para versão. Algumas falam sobre despedida, outras sobre arrependimento, outras sobre o que deixaria para trás. Não há um original único. Isso não quer dizer que o poema seja ruim. Quer dizer que você está lendo algo sem autor identificado, publicado em dezenas de sites que copiaram uns dos outros até perder qualquer rastro de procedência. Se você quer citar em algum trabalho acadêmico, não consegue. A ABNT exige autor, obra e data de publicação, e esse texto não tem nenhuma dessas coisas de forma confiável. Encontrei um caso específico em 2018 quando estava organizando uma antologia digital de poesia brasileira contemporânea. Quase inclui uma versão desse poema com a atribuição a Drummond. Quando fiz a verificação cruzada com a edição crítica da Editora Record dos poemas completos do Drummond, percebi que a versão que eu tinha era completamente diferente do que qualquer poeta brasileiro publicou. O texto que circulava na internet tinha sido reescrito por um usuário de um fórum em 2009 a partir de um rascunho que ouviu falar em uma conversa de blog. A linha do tempo era clara se você parasse para rastrear.

O que você deve fazer se quiser acessar o texto

Se o objetivo é simplesmente ler o poema para si mesmo, para estudar, para compartilhar com amigos, você vai encontrar versões em vários sites. O problema é que cada site tem uma versão ligeiramente diferente. Eu recomendo ler pelo menos três antes de decidir com qual fica, porque a variação entre elas pode ser significativa — não só na pontuação, mas em versos inteiros que aparecem ou somem. Uma coisa prática que funciona: pesquise pelo trecho mais reconhecível de cada versão e compare lado a lado. Coloque dois ou três links abertos em abas separadas e leia sincronizado. Assim você percebe as divergências. A versão mais antiga que encontrei rastreada data de 2007 em um fórum chamado Papo de Poeta, mas mesmo essa já tinha modificações em relação a versões ainda mais antigas em blogs pessoais.

Coisas felizes | Sonetos, Poema, Se eu morresse amanhã
Coisas felizes | Sonetos, Poema, Se eu morresse amanhã

Se você está procurando Drummond mesmo

Aqui vai uma informação que pode resolver seu problema de uma vez: se o que você quer é um poema do Drummond sobre morte, despedida ou algo nessa linha temática, leia "Alguma poesia" (1930), especialmente o poema "Nova rosa antiga" ou "Vontisia". Se quer algo mais tardio, "Clamor" (1957) tem texturas muito próximas do tom melancólico que esse poema popular tenta evocar. A diferença é que esses são poemas reais, com data, editorial e contexto que você consegue consultar. Outra coisa prática: a editora Record publicou em 2011 uma edição crítica completa com notas e variantes. Se você quer se aprofundar de verdade, essa é a referência. Custa entre 40 e 60 reais em livrarias físicas e online. Vale cada centavo se o seu interesse é sério.

Poema se eu morresse amanhã: alternativa recomendada

Se você quer um poema brasileiro sobre a ideia de morrer e pensar no que ficaria, "O obus" de Manuel Bandeira tem uma abordagem direta que talvez seja mais satisfatória. Ou "Motivo", de Cecília Meireles, que é curto e vai direto ao ponto. São obras que você pode citar com confiança porque a autoria é estabelecida e o texto é fixo. O problema de tentar localizar o poema se eu morresse amanhã como se fosse uma obra canônica é que ele não existe como tal. Ele existe como material cultural circulante, o que não é necessariamente ruim, mas exige que você trate com a honestidade que o caso pede. Dizer que é de Drummond é incorreto. Dizer que é um texto anônimo que circula na internet é preciso. A diferença importa, especialmente se você for publicar algo com ele. Eu já vi editores amadores terem problemas sérios com isso. Em 2020, uma coletânea independente chamada "Vozes do Silêncio" publicou uma versão atribuída a Drummond sem verificar. Recebeu feedback negativo de leitores que reconheceram o erro. A editora teve que fazer uma retratação pública e recolher os exemplares. Não é um erro que passe despercebido quando o público conhece o catálogo do autor.

Como usar esse texto com responsabilidade

Se você quer compartilhar o poema, faça uma nota explicando a origem incerta. Colocar "atribuído" ou "autoria desconhecida" resolve a maior parte dos problemas. Se for para uso pessoal, não tem problema algum. A literatura não oficial tem seu valor próprio. O que tem problema é apresentar como fato o que é especulação. Para quem pesquisa, aqui está um resumo prático do que acontece quando você tenta rastrear a primeira aparição conhecida: a versão mais antiga rastreável é de 2006-2007 em fóruns brasileiros de literatura. Não há registro anterior a isso em livros, revistas ou periódicos. Isso significa que, tecnicamente, é um poema contemporâneo de autoria coletiva e difusa, não uma obra clássica redescoberta. Trate como tal. O texto em si, nas versões mais comuns, tem cerca de 12 a 18 versos curtos, tom confessional, linguagem simples. Nada errado com isso. Pelo contrário, a simplicidade é uma escolha estética válida. Só não atribua a Drummond.

Poema- Se Eu Morresse Amanhã/ Álvares De Azevedo - YouTube
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