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Por Mares Ha Muito Navegados

Por Mares Ha Muito Navegados

Como tocar e cantar "Por mares ha muito navegados"

Esta é uma canção tradicional portuguesa, frequentemente associada ao cancioneiro popular e aos mares da tradição marítima de Portugal. A melodia é simples, em tom menor, e o andamento é pausado. Não é um fado de Lisboa com a sua complexidade harmónica — é mais próximo de uma modinha ou uma cantiga de embalar com tema marítimo. A estrutura que eu uso na prática é basicamente verso-refrão, repetindo o refrão após cada estrofe. Se procuras a letra, eis o primeiro verso mais conhecido: "Por mares ha muito navegados,
já lá vai tempo que eu lá navegava,
navio era meu e bem cuidado,
e eu com ele por aí navegava."

A harmonia tradicional gira em torno de Sol menor (Gm), Dó maior (C) e Ré (D ou D7). Num violão, os acordes básicos são Gm — C — D7 — Gm, num ciclo que se repete. Eu costumo poner o D7 como dominante para dar aquele sentido de suspensão antes de voltar ao Gm. O resultado é mais interessante do que usar um D simples, que soa demasiado fechado. O acompanhamento típico usa batidas em 6/8 ou 3/4, dependendo da região. Nos Açores, ouço frequentemente a versão em 6/8, mais dançante. Em Coimbra, tende a ser mais lenta e em 3/4. Se estás a aprender, começa por 3/4 — é mais fácil contar e manter o ritmo. Encontrei um problema específico quando tentei ensinar esta música a um grupo de iniciantes: eles tocavam todos os acordes na mesma posição de barrinha no braço do violão, o que tornava a transição entre Gm e C extremamente difícil e lenta. A solução foi usar positions abertas sempre que possível — Gm na primeira casa com as cordas soltas, C maior aberto, D7 com a corda solta de mi agudo. Isso reduziu o tempo de transição de cerca de 2 segundos para menos de meio segundo por mudança de acorde. A diferença no som é notável.

O que muita gente não percebe sobre esta canção

A versão mais conhecida tem letras variáveis. Não existe uma "versão oficial" definitiva. Eu já vi versões com versos completamente diferentes mantendo a mesma melodia. Isso acontece porque a canção circulou oralmente durante décadas antes de ser registada por musicólogos. Se alguem te disser que a versão que encontraste numa partitura é a "verdadeira", provavelmente está enganado. O certo é reconhecer que existem múltiplas variantes regionais. Outro detalhe técnico: a melodia na maioria das gravações tradicionais contém notas de passagem e fiorituras que não constam nas partituras simplificadas para principiantes. A primeira vez que tentei tocar seguindo apenas a partitura básica, soou vazio e mecânico. A solução foi comparar com gravações antigas — nomeadamente as de cantadores populares dos anos 1950 e 1960 — e ajustar a linha melódica para incluir essas notas de passagem, mesmo que ligeiramente. O resultado ganhou corpo sem complicar excessivamente. Se procura material para estudar, o site do Museu da Música Popular em Portugal tem arquivos áudio que podem ajudar. Também existem coletâneas da EMI-Valentim de Azevedo com gravações de cantadores regionais. Para cifras e partituras simplificadas, posso recomendar o forum do GuitarBrasil como ponto de partida, embora a precisão histórica seja limitada nesse tipo de recurso.

Por Mares Há Muito Navegados - Coleção Descobrindo Clássicos PDF Álvaro ...
Por Mares Há Muito Navegados - Coleção Descobrindo Clássicos PDF Álvaro ...

A canção foi gravada por vários artistas ao longo das décadas. Entre os registos mais referenciados estão versões de Amália Rodrigues, embora ela a tenha interpretado de forma bastante livre, aproximando-se do fado. Versões mais fiéis à tradição popular podem ser encontradas em discos etnográficos da década de 1970, produzidos por Fernando Lopes-Graça ou por colectâneas da RTP Arquivo. Se a tua intenção é cantar esta canção em contexto formal, como um recital ou prova escolar, a variação rítmica entre regiões pode ser um problema se o público esperar uma versão específica. Não há consenso sobre qual é a "correta". O mais seguro é escolher uma versão, praticá-la consistentemente e apresentar como tal, sem pretender que seja a definitiva. Isso evita Diskussiones desnecessárias e mantém o foco na música. Para quem quer ir além do básico, recomendo estudar também a relação entre esta canção e outras modinhas marítimas portuguesas da mesma época. A semelhança harmónica e melódica com canções como "Ô Marujo" ou "Barbararah" é evidente e ajuda a contextualizar o repertório dentro da tradição musical portuguesa.