Por Mas Ou Por Mais
Quando usar "por mais" e quando usar "para mais": uma explicação sem rodeios
Esse é um daqueles dúvidas que aparecem todo santo dia em fóruns, chats de trabalho e até em revisões de texto. A gente vê "por mais" escrito de todo jeito, e a confusão não é só visual — é conceitual. Vou explicar como funciona na prática, porque a gramática normativa fala de uma forma, mas o uso real às vezes cobra detalhes que ninguém menciona. A diferença central entre por mais e para mais é simples, mas a aplicação prática exige atenção. "Por mais" é uma locução concesiva invariável. Significa "não importa quão", "embora seja muito", "mesmo que seja". Ela não se flexiona em gênero ou número. Já "para mais" indica direção, tendência ou finalidade — algo que se move em direção a mais alguma coisa. Vou dar um exemplo direto:
"Por mais que eu tente, não consigo terminar." — Aqui, "por mais" funciona como concessão. Não tem como trocar por "para mais" sem estragar o sentido. "A conta está subindo para mais." — Aqui, "para mais" indica direção numérica. Trocar por "por mais" aqui seria erro. O problema é que a gente ouve muita gente dizendo "por mais" onde deveria ser "para mais", e vice-versa. Às vezes é preguiça auditiva. Às vezes é falta de domínio do uso concessivo do "por mais".
O "por mais" concessivo: como funciona de verdade
O "por mais" concessivo funciona como uma conjunção. Ele introduz uma oração que expressa uma condição que não impede a ação principal. É parente próximo de "ainda que", "mesmo que", "embora". A estrutura típica é "por mais + adjetivo/substantivo + que + oração principal". Alguns exemplos corretos: "Por mais difícil que seja, vamos continuar."
"Por mais tempo que eu espere, ela não chega." "Por mais dinheiro que ganhe, ele nunca fica satisfeito." Note que em todos esses casos, "por mais" é seguido de um adjetivo, substantivo ou advérbio, e depois vem o "que". Esse "que" é essencial. Sem ele, a frase perde o sentido concessivo e pode ficar ambígua.
Um erro comum é omitir o "que": "Por mais difícil, não desisto." Isso soa estranho porque a estrutura concessiva pede o conectivo. O correto é "Por mais difícil que seja, não desisto."
O "para mais" direcional e os casos híbridos
"Para mais" aparece em contextos bem diferentes. É usado para indicar direção, tendência de aumento, ou propósito. Ele carrega ideia de movimento ou direção. Exemplos: "Os preços estão indo para mais."

"Ele apontou para mais ao longe." "Precisamos avançar para mais acima." Nesses casos, não há como usar "por mais" no lugar. O significado seria completamente outro.
Casos que dão trabalho na prática
Tem um cenário que costuma confundir muita gente, inclusive revisores experientes. É quando a frase pode ser lida de duas formas, dependendo da entonação e do contexto. Por exemplo: "Por mais anos que eu viva, não esqueço daquela vez." Aqui, "por mais" é concessivo. Mas se alguém disser "Vou guardar isso para mais tarde", o "para mais" é direcional/temporal. A estrutura é parecida, mas o funcionamento é diferente. O que eu aprendi com a prática é que o teste mais seguro é o da substituição. Se você consegue trocar por "ainda que" ou "mesmo que", é "por mais". Se você consegue trocar por "em direção a mais" ou "a fim de mais", é "para mais". Outro caso que vejo frequentemente errado: pessoas escrevendo "por mais que eu não queria, fui." Isso está incorreto. O "por mais que" exige uma estrutura concessiva positiva. O correto seria "Por mais que eu quisesse não ir, fui." ou "Ainda que eu não quisesse, fui." A negação dentro da concessão exige ajuste na estrutura.
Uma pegadinha que ninguém conta
Tem uma nuance que os manuais raramente destacam: o "por mais" pode funcionar também como parte de uma expressão de quantidade, não apenas como concessivo. Por exemplo: "Não tenho por mais explicações a dar." Nesse caso, "por mais" tem sentido de "adições" ou "acréscimos". É um uso menos comum, mas válido. A diferença é que aqui não há o "que" subsequente característico da estrutura concessiva. Na prática editorial, eu já vi corretores marcarem como erro frases como "Ele não tem por mais dúvidas" achando que era confusão com "para mais". Na verdade, estava correto: significava "acréscimos de dúvidas". O contexto é que decide.

Erros comuns e como evitar
O erro mais frequente é a grafia juntinha: "pormais". Isso não existe. Sempre separado: "por mais" ou "para mais". Outro erro comum é usar "por mais" no sentido direcional. Alguém escreveu num relatório: "O custo ficou por mais alto." O certo seria "O custo ficou para mais alto" ou, melhor ainda, "O custo aumentou." Tem também o erro inverso: usar "para mais" onde o correto é concessivo. "Para mais que eu insista, não adianta." Isso não faz sentido. O correto é "Por mais que eu insista, não adianta."
Um conselho prático: quando estiver em dúvida, leia a frase em voz alta. A concessão ("por mais que") tem um ritmo diferente da direção ("para mais"). Se a frase soar truncada com uma ou outra opção, provavelmente você já identificou o erro.
Resumo rápido para consulta
Use por mais quando puder substituir por "ainda que", "mesmo que" ou "não importa quão". Sempre com "que" após o termo qualificado. Use para mais quando indicar direção, tendência de aumento, ou finalidade ligada a incremento. Nunca escreva "pormais" junto. Sempre separado.

Quando a frase tiver ambiguidade, faça o teste de substituição. Se nenhuma troca funcionar bem, reescreva a frase de outra forma. Às vezes, a melhor solução é evitar a ambiguidade desde o início.
Galeria
-
Mas x Mais