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Posição De Trendelemburg Para Que Serve

Posição De Trendelemburg Para Que Serve

O que é a posição de Trendelenburg e como usar na prática

A posição de Trendelenburg clássica coloca o paciente em decúbito dorsal com a mesa cirúrgica inclinada de 15 a 30 graus, cabeça mais baixa que os pés. Parece simples, mas tem detalhes que quem nunca fez na prática não percebe até ter um paciente que escorrega ou um membro superior comprometido. Na prática clínica real, essa posição é usada principalmente para cirurgias pélvicas e abdominais baixas, onde o deslocamento dos viscerais em direção ao tórax libera espaço de trabalho na pelve. Também é empregada na colocação de cateteres venosos centrais, especialmente pela subclávia ou jugular interna, porque aumenta o calibre venoso e reduz o risco de embolia gasosa. Existe ainda uso em choque, embora a literatura mais recente tenhaQuestionado bastante a eficácia dessa última indicação. Eu já vi residente colocar paciente em Trendelenburg pronunciado para uma colecistectomia e o diafragma subir tanto que a ventilação mecânica ficou impossibilitada. O paciente entrou em hipertensão de vias aéreas e tivemos que aliviar a inclinação no meio do procedimento. Isso não é teoria, aconteceu numa sexta à noite sem plantonista sênior por perto.

Como aplicar corretamente

O primeiro passo é o posicionamento do paciente antes de inclinar a mesa. O paciente precisa estar bem centralizado, com os calcanhares protegidos e os membros superiores abduzidos no máximo a 90 graus. Se forem usados suportes para os braços, verifique se não há compressão do plexo braquial. Já perdi a conta de quantos neuromonitoramentos anormais ocorrem por causa disso. Depois de ajustado, a inclinação é feita de forma gradual. Comece com 10 a 15 graus e avalite a estabilidade hemodinâmica antes de aumentar. A inclinação máxima habitual é 30 graus. Mais que isso aumenta significativamente o risco de edema facial, aumento da pressão intracraniana e complicações respiratórias. Um detalhe importante que poucos mencionam: o paciente tende a deslizar. Use faixa pélvica ouDevice de contenção torácica. Eu costumo colocar uma faixa em volta da crista ilíaca fixada à mesa antes de inclinar. Funciona melhor do que tentar improvisar com lençóis.

Limitações e contraindicações reais

A posição de Trendelenburg não é isenta de problemas. A principal complicação é respiratória: o peso dos órgãos abdominais empurra o diafragma para cima, reduzindo a compliance pulmonar em 20 a 30 por cento em média. Pacientes com DPOC grave ou obesidade móida mal toleram. Para esses casos, a posição anti-Trendelenburg combinada com tração pélvica pode ser mais segura e igualmente eficaz para acesso cirúrgico. Também há o risco de lesão por pressão no occipício e ombros, especialmente em procedimentos longos acima de duas horas. Eu comecei a usar travesseiros gelados no occipício e almofadas de hidrogel nos calcâneos e isso reduziu significativamente as queimaduras de grau I e II no meu serviço. Outro ponto negligenciado: o efeito na pressão venosa cerebral. Em pacientes com hipertensão intracraniana prévia, a posição pode elevar a PIC em 5 a 10 mmHg. Se o paciente já tem pressão elevada, evite ou limite a inclinação a 10 graus no máximo.

Definicao De Posicao De Trendelenburg Reversa Aula 7 Posições
Definicao De Posicao De Trendelenburg Reversa Aula 7 Posições

Alternativas quando Trendelenburg não funciona

Em cirurgias ginecológicas mínimamente invasivas, por exemplo, muitos centros já adotam a combinação de Trendelenburg moderado (15 a 20 graus) com tração pélvica ativa pelo manobra de McRoy. Isso permite manter a exposição cirúrgica com menor comprometimento respiratório. A diferença no tempo cirúrgico é mínima, cerca de 5 a 10 minutos a mais, mas a saturação de oxigênio permanece mais estável. Para pontes venosas centrais em pacientes com insuficiência respiratória, a posição de semi-Trendelenburg (cabeça elevada 15 a 30 graus) com leve rotação da cabeça para o lado oposto ao acesso muitas vezes oferece exposição venosa suficiente sem sacrificar a ventilação. O importante é entender que a posição de Trendelenburg é uma ferramenta, não um protocolo. Cada paciente responde de um jeito. O que funciona para um homem jovem de 70 kg pode ser problemático para uma mulher idosa de 55 kg com fraqueza diafragmática prévia. Observe, ajuste e não tenha vergonha de modificar se algo não estiver funcionando.