Praia do Rio Vermelho fica no município de Camamu, no sul da Bahia. É uma praia de areia branca com Mata Atlântica no fundo e um rio que deságua nela, o que dá uma água mais doce na desembocadura. O nome vem exatamente disso: rio vermelho, água que sobe cor avermelhada quando chove forte. Não tem nada de místico, é só ferro no solo e sedimento em suspensão.
A praia fica a cerca de 8 quilômetros do centro de Camamu e a 140 quilômetros de Ilhéus. A estrada de acesso é asfaltada até o bairro de Cota Verde e depois vira terra batida, 4 quilômetros. Em época de chuva a pista fica ruim mesmo, carro baixo não entra. Eu levei um Gol em julho de 2023 e o fundo raspou na primeira valeta depois do posto de gasolina. Saí com a caixa de embreagem marcada e ainda assim consegui chegar. A solução foi colocar dois pneus traseiros cheios e atravessar devagar, sem parar, porque se para na areia mole não sai. Já vi gente ligar para guincho e gastar 400 reais pra subir 4 quilômetros. Não faça isso.
Como chegar lá
Sai de Ilhéus pela BA-001 em direção a Camamu. Passa por Itabuna, Maraú, depois vira à direita na altura do km 85 para entrar em Camamu. Quando chegar no centro, siga para o bairro Cota Verde e pergunte pelo acesso a Praia do Rio Vermelho. O sinal é fraco, então baixe o mapa offline antes de sair de casa. GPS às vezes te manda para um caminho de acesso particular e você acaba tendo que dar meia-volta em terreno apertado.
Se vier de Salvador, são cerca de 350 quilômetros pela BR-101. O trecho entre Simões Filho e Camaçari tem muitos radares, mas nada demais. A gasolina no sul da Bahia é mais barata do que no eixo Salvador-Feira de Santana, então abasteça em Ilhéus ou Camamu.
Para quem vem de avião, o aeroporto mais perto é o de Porto Seguro, a 110 quilômetros. Táxi ou aplicativo cobram entre 180 e 250 reais para chegar à praia. Tá em alta temporada o valor sobe.
Dicas práticas para visitar praia do rio vermelho
Chegue cedo. A melhor luz é entre 7 e 9 da manhã, quando o sol entra pela floresta e ilumina a areia. Depois das 11 a praia já está cheia de gente local e o estacionamento improvisado no acostamento acaba transbordando. Eu costumo levar um lanche e água porque não tem barraca fixa na praia, só um senhor que vende coco de vez em quando e às vezes não tá.
Leve dinheiro em espécie. O banco mais perto é em Camamu, e cartão não funciona nem no mercadinho do bairro. Já tentei pagar uma picanha em um restaurante caseiro no acesso e o terminal travou. Saí de lá com fome.
A cor da água depende da maré. Na maré alta a mistura de água doce e salgada é menos perceptível. Na baixa, você vê claramente a linha de separação entre o rio e o mar. Isso também influencia nos peixes: na maré alta eles entram mais para a restinga e a pesca artesanal melhora. Se for pescar, leve anzol número 2 e isca viva de manjuba. O pescador local cobra 50 reais para te ensinar e ainda te deixa ficar com o peixe. Compensa.
O problema que ninguém conta
O principal problema é a falta de infraestrutura sanitária. Não há banheiro público, nem duchas, nem lixeiras organizadas. Cheguei uma vez e fiquei três horas esperando um amigo que disse que ia abrir o único chuveiro de pressão disponível na pensão onde hospedamos. No final tomei banho morno com balde. A pensão custava 80 reais por noite e prometia água quente, o que era mentira.
A limpeza também é irregular. O lixo acumula depois de finais de semana longos e o rio fica com cheiro forte. Leve sacos para levar seu resíduo de volta. Eu sempre carrego duas sacolas de lixo no porta-malas e entrego na coleta seletiva de Camamu. É meio chato fazer isso, mas a alternativa é ver plástico afundando na areia.
O segundo problema é a presença de cavalos e burros soltos na orla. Eles cruzam a praia o tempo todo e às vezes comem suas coisas. Eu já perdi uma sandália e um pacote de biscoito porque coloquei tudo em uma toalha e fui nadar. Quando voltei, um burro estava mastigando meu lanche. A única solução é não deixar pertences desatendidos nem por um minuto.
O que fazer na praia
Nadar é a atividade principal. A água é calma porque há um recife de pedra a cerca de duzentos metros da areia, o que quebra as ondas. Na chuva não se nada, porque o rio sobe rápido e a visibilidade cai para zero. A correnteza também pega desprevenido se você for além do recife. Eu já vi gente sendo carregada para o mar e precisando ser resgatada por pescadores locais. Fique dentro da linha do recife.
Fotografia é boa nessa praia. A Mata Atlântica ao fundo cria um contraste interessante com a areia branca. Leve filtro polarizador se tiver câmera, senão o celular mesmo funciona. A luz é suave pela manhã, mas às 16 horas o sol bate forte e gera sombras duras nos rostos.
Há dois barcos de pesca que fazem passeios de meia hora pelo rio. Custam 30 reais por pessoa e levam até uma cachoeira pequena chamada Poço da Onça. O barco é apertado, comporta seis pessoas no máximo. Se estiver cheio, espere trinta minutos pelo próximo. Vale a pena porque a cachoeira é rasa e tem pedras lisas para sentar. A água é gelada mesmo em fevereiro.
Restaurantes ficam no acesso, não na praia. O mais conhecido é o Restaurante do Seu Zé, que serve moqueca de tainha por 45 reais. O prato é generoso, mas a espera é de quarenta minutos. Eu recomendo pedir quando chegar, antes de ir para a água. Assim quando voltar já estará pronto. Há também o Mercado Municipal de Camamu, onde se compra frutos do mar para assar em churrasqueira coletiva. O acesso custa 10 reais e você leva sua própria carne.
Quando não ir
Evite a praia em janeiro e fevereiro. É época de chuva e o rio sobe tanto que a estrada de terra vira lama. Já vi carros presos e gente caminhando cinco quilômetros para sair. Além disso, as pousadas lotam com famílias de Salvador e o preço das diárias triplica. Uma suíte simples de 80 reais vira 240. Não compensa.
Outro momento ruim é no feriado prolongado de Tiradentes. Todo mundo vai de uma vez e a praia fica superlotada. O silêncio que a mata proporciona desaparece completamente. Se quer paz, vá numa terça-feira qualquer de abril ou maio.
Alternativas na região
Se Praia do Rio Vermelho estiver ruim, há outras opções. Maraú é a mais próxima, a 30 quilômetros, e tem estrutura turística completa com restaurantes, pousadas e comércio. Itacaré, a 80 quilômetros, oferece trilhas e mergulho. São Tomé de Paripe, a 15 quilômetros, é uma aldeia pesqueira com praias selvagens e pouco visitadas. Eu gosto de São Tomé porque tem um farol colonial e o barco pesqueiro chega com a captura da manhã. O peixe é vendido na beira da estrada por 15 reais o quilo.
Se o objetivo é pescaria esportiva, o melhor mês é setembro. A tainha entra pela foz do rio e os pescadores locais sabem os pontos exatos. Leve vara leve e linha de nylon 0,40. O peixe é forte mas não briga muito, então qualquer equipamento básico funciona.
Informações úteis
A praia é aberta todos os dias, sem cobrança de entrada. A fiscalização ambiental acontece de forma esporádica, geralmente nos fins de semana. Se levar churrasqueira, use carvão e não madeira, porque a multa por fogo em área de mata pode passar de 500 reais. Na prática, ninguém fiscaliza durante a semana, mas evite fazer fuoco à noite para não chamar atenção.
A telefonia é dos dois principais operadores, Claro e Vivo, com sinal intermitente. A operadora TIM praticamente não cobre a região. Para trabalhos remotos, esqueça. Já tentei fazer uma reunião por videoconferência e a conexão caiu três vezes em dez minutos.
O clima é quente o ano todo, com média de 26 graus. A umidade relativa do ar fica em torno de 80 por cento, então o suor evapora devagar. Leve roupa leve e protetor solar, mesmo nos dias nublados, porque os raios ultravioleta passam pelas nuvens sem dificuldade.
Se precisar de emergência médica, o posto de saúde mais perto fica em Camamu, a 8 quilômetros. A ambulância demora cerca de vinte minutos em boas condições de estrada. Em dias de chuva, esse tempo dobra. O hospital de referência é o de Ilhéus, a 140 quilômetros. Para casos graves, há heliponto no posto de Camamu, mas o helicóptero só decola se o tempo estiver bom.
Resumo rápido
Praia do Rio Vermelho é um lugar tranquilo para quem busca natureza sem muita badalação. A água é calma, a paisagem é bonita e o acesso é simples. O problema é a falta de estrutura básica, então prepare-se para improvisar. Leve água, comida, dinheiro vivo e sacos de lixo. Chegue cedo, fique até o final da tarde e respeite a mata. Se fizer isso, a experiência costuma valer o trajeto.
Galeria
Fotos da Praia do Rio Vermelho, em Salvador, BA
Fotos da Praia do Rio Vermelho, em Salvador, BA
Exploring Praia do Rio Vermelho, Salvador, Bahia, Brazil
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