Pré Modernismo Obras
O que são as obras pré modernistas no Brasil
Você provavelmente já se deparou com isso numa prova de vestibular ou numa disciplina de literatura brasileira. O pré modernismo não é um movimento artístico organizado, mas sim um período literário que antecede a Semana de 22 e reúne autores que já começavam a questionar certas convenções da época, mesmo sem conseguir romper totalmente com os padrões do passado. As pré modernismo obras mais relevantes saíram das impressoras entre 1900 e 1922, e o resultado é um conjunto heterogêneo que não segue uma linha estética uniforme. Muitos professores ainda tratam o período como se fosse um bloco coeso, com manifestos e objetivos compartilhados. Isso não é verdade. Os autores que compõem essa fase tinham muito pouco em comum, além de viverem numa época de transição. Eu vi editores tentarem agrupar euclidianismo, romance regional e contismo urbano como se fossem partes de um mesmo projeto estético. Funciona didaticamente para fins de concurso, mas academicamente é uma forçação de barra. A lista mais citada inclui alguns livros consagrados, mas também há muitas obras obscuroas que valem a pena ser conhecidas fora do cânone tradicional. Vou listar as principais sem rodeios.
Raul Pompéia – O Ateneu (1888). Muitas vezes enquadrado no Parnasianismo ou Simbolismo, mas pela atmosfera pesada e crítica institucional acaba sendo lido como precursor do pré modernismo. A obra mostra um colégio militar com um realismo sombrio que beira o expressionismo. Euclides da Cunha – Os Sertões (1902). Esse é o livro mais importante do período. Mistura reportagem, ensaio e narrativa. O problema é que muita gente lê apenas a primeira parte, "Os Sertões", e ignora "A Luta", que é onde a análise sociológica fica mais interessante. Se você quer entender o que há por trás daquela obsessão pelo sertanejo enquanto raça distinta, precisa ler o todo. Lima Barreto – Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911) e Club dos Inváolidos (publicado postumamente em 1953). Barreto é o autor mais subestimado do período. Ele escreveu sobre o Rio de Janeiro do final do século XIX e início do XX com uma precisão cirúrgica, mostrando a burocracia, o racismo e a hipocrisia da República Velha. Eu passei dias tentando encontrar edições confiáveis de Club dos Inváolidos quando comecei a estudar o período. A maioria das versões online tinha cortes indevidos. A solução foi cross-referenciar com a edição da Cosac Naify, que mantém o texto completo.
Monteiro Lobato – Urupês (1918). Antes dos Classics, Lobato já publicava contos com um estilo muito mais agressivo. Os textos são curtos, às vezes cruéis na observação dos personagens. Ninguém fala disso, mas é interessante notar que vários desses contos antecipam temas que ele voltaria a explorar nos Classics de forma mais leve. Graciliano Ramos – As Memórias do Saramago (texto precoce, publicado postumamente). Graciliano entrou no cânone muito depois, mas os primeiros rascunhos dele já mostravam o traço seco que definiria Vidas Secas e São Bernardo.
Como identificar uma obra pré modernista na prática
Existe um conjunto de características que aparecem repetidamente, mas elas raramente estão todas presentes num único livro. O que você vai encontrar com mais frequência é: O erro mais comum é achar que qualquer livro regional dos primeiros anos do século XX é pré modernista. Não é. O regionalismo existe há séculos. O que marca o período é a intenção de usar o regional como instrumento de crítica social e reflexão antropológica, não como pano de fundo exótico. A primeira armadilha é tratar o período como um prelúdio da Semana de 22, como se tudo tivesse sido escrito só para preparar o terreno para Oswald e Manuel Bandeira. Isso apaga as qualidades próprias de cada autor. Euclides da Cunha, por exemplo, tinha objetivos que nada tinham a ver com modernismo. Ele era engenheiro e pensava como cientista social.
A segunda armadilha é ler essas obras sem considerar o contexto político. O Brasil entre 1900 e 1922 estava passando por transformações profundas: abolição recente, proclamação da República mal consolidada, primeiras greves operárias, contágio de ideias anarquistas. Ignorar isso deixa a leitura rasa. As obras ganham outra densidade quando você sabe que Policarpo Quaresma acredita no patriotismo nacional enquanto o país é governado por coronéis que negociam com interesses estrangeiros.
Onde encontrar edições confiáveis
Para a maioria das obras canônicas, a Editora Civilização Brasileira e a Editora 34 têm boas edições críticas. Para Lima Barreto, a Cosac Naify fez um trabalho excelente de restauro textual. Monteiro Lobato tem edições da Editora Globo e da Companhia das Letras que incluem notas muito úteis. Se você estiver estudando para concurso, vale a pena investir numa edição anotada, mesmo que mais cara, porque as notas de rodapé economizam horas de pesquisa posterior. Textos menos conhecidos como Club dos Inválideose os primeiros contos de Graciliano ainda aparecem espalhados em revistas digitais universitárias, mas a precisão textual varia. Sempre confirme com a edição impressa antes de citar qualquer passagem.

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