Preposição E Locução Prepositiva
Entendendo o básico antes de complicar
Preposição é aquela palavrinha que liga dois termos e estabelece uma relação entre eles. Locução prepositiva é o mesmo princípio, só que com mais de uma palavra. Isso é tudo. O resto é aplicação prática. No português, as preposições essenciais são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Quando essas se juntam a substantivos, adjetivos ou advérbios para formar um bloco funcional equivalente a uma preposição, temos uma locução prepositiva. Exemplos clássicos: apesar de, durante, mediante, relativamente a, junto a, longe de, em frente a, ao redor de, perto de, depois de, antes de.
Preposição e locução prepositiva na prática
O problema mais comum que vejo acontecer todo dia é a regência verbal. Alguém escreve "aspirar o cargo" quando o sentido é desejar, almejar. O verbo aspirar, no sentido de desejar, pede a regência aspirar a algo. Então deveria ser "aspirar ao cargo". Já li isso em dezenas de redações corretas à primeira vista, e só reparei quando comecei a revisar textos jurídicos, onde a regência errada muda o sentido jurídico inteiro. Meu workaround foi simples: quando o verbo parece estar sendo usado de forma intuitiva, eu testava substituindo por sinônimo com regência conhecida. Aspirar no sentido de desejar vira "almejar". Você não "almeja algo", você "almeja a algo". A lógica se mantém. Não é elegante, mas funciona em 90% dos casos e economiza uma hora de revisão só para uma página de texto. O que muita gente não leva em conta é que algumas locuções prepositivas aceitam contração, e outras não. "Ao redor de" não contrai nada. Já "perto de" pode virar "pertinho" no informal, mas na norma padrão permanece separado. E "em torno de" existe, mas não tem o mesmo valor que "ao redor de" em certos contextos. Um é mais figurado, o outro mais literal. A diferença é tênue mas faz diferença em texto formal.
Também existe a questão da crase antes de locução prepositiva. Isso gera dúvida constante. A regra básica é: se o termo seguinte à locução for feminino e tiver artigo, usa-se crase. "Fizemos questão de ir à medida que o tempo passava" — isso está errado, porque "medida que" é parte de uma locução conjuntiva, não prepositiva, e o "a" aqui não é artigo. Já "referi-me à moda de..." está correto, porque "moda" é feminino com artigo definido. A pegadinha é que "à maneira de" e "à moda de" levam crase, mas "segundo" e "conforme" não. Misturar isso é erro frequente. Outro ponto que passa despercebido: locuções prepositivas podem funcionar como adjunto adverbial, e aí a virgulação depende do sentido, não da estrutura. "Vamos à biblioteca para estudar" não pede vírgula. "Ontem, à tarde, fomos à biblioteca" pede vírgulas porque é um adjunto adverbial deslocado. A diferença entre adjunto e complemento essencial é que o complemento não pode sair da frase sem quebrar a transitividade do verbo, enquanto o adjunto é opcional. "Cheguei atrasado" — "atrasado" não pede preposição nenhuma, é adjunto adverbial de modo. "Cheguei da praia" — "da praia" é complemento, porque o verbo chegar pede a preposição a/de nesse sentido. Sem ela, a frase perde o sentido completo. Há ainda os casos em que a locução prepositiva se confunde com conjunção. "Durante" é preposição, mas "durante que" já não existe como locução prepositiva clássica. Já "enquanto" é conjunção temporal, não preposição. Muitos gramáticos tratam "durante" como preposição pura, mas em construções como "durante o período em que" a coisa se complica, porque "em que" é uma oração subordinada. O "durante" continua sendo preposição, mas agora rege um sintagma nominal complexo. Em análise sintática tradicional, você trata "durante o período" como adjunto adverbial de tempo e "em que" como oração subordinada adjetiva restritiva. É uma distinção importante para quem trabalha com revisão técnica ou análise jurídica.
Um detalhe prático que pouca gente anota: preposições átonas não levam acento, mas as locuções podem conter palavras tônicas. Isso significa que a acentuação gráfica de uma locução prepositiva depende inteiramente das palavras que a compõem, nunca da função prepositiva. "Relativamente a" não leva acento em nenhuma das partes. "Cerca de" também não. Mas "à proporção que" tem crase no "a" porque o "a" é preposição que se junta ao artigo "a" de "proporção". A preposição em si não muda, só o que vem depois. Se você quer consultar uma lista completa, o Ciberdúvidas e o Dicionário Priberam têm tabelas boas, mas nenhuma substitui a consulta ao Houaiss ou ao Michaelis para regência verbal específica. O Houaiss listra regência com exemplos de uso real, o que é mais útil do que definições abstratas. Para localização de ocorrências, o Corpus do Português do CBCL também serve, embora a interface seja menos intuitiva do que o COCA para inglês. O que funciona de verdade para fixar o conteúdo é ler textos jornalísticos de qualidade — Folha, Estadão, O Globo — e prestar atenção em como a regência é tratada nos editoriais, que seguem padrão formal. Quando você vê "em relação ao" ou "relativamente a" usado corretamente em contexto real, a estrutura entra na memória sem esforço. Tentar memorizar listas isoladas tem taxa de retenção baixa. Usar a preposição no dialeto escrito corrige a intuição natural que muitos falantes trazem da oralidade.
Galeria
-
Preposição e Locução Prepositiva | Download grátis PDF | Preposição e ... -
Powerpoint: Preposição e locução prepositiva_exercícios | PPTX -
Powerpoint: Preposição e locução prepositiva_exercícios | PPTX -
Blog Educação e Transformação: 👍Língua Portuguesa: preposição e locução ...