Presente Do Verbo Vir
O presente do verbo vir não é só uma questão de memorização
O verbo vir no presente do indicativo em português segue um padrão que muita gente acha que domina até encontrar a primeira armadilha. A conjugação é essa aqui: eu venho
tu vens
ele/ela/você vem
nós vimos
vós vindes
eles/elas/vocês vêm O problema imediato é que o presente do verbo vir se choca com outro verbo que todo mundo conhece: ver. As formas eu vejo, tu vês, ele vê, nós vemos, vós vedes, eles veem são visualmente idênticas em três pessoas do singular. Na fala, a diferença quase não existe. O texto escrito é onde o susto aparece.
Eu já corrigi centenas de redações e textos profissionais onde o autor escreveu "eles veem" quando na verdade queria dizer "eles vêm". A confusão é natural porque os dois verbos compartilham a mesma raiz etimológica do latim venire e videre, mas na prática moderna são verbos completamente diferentes com conjugações que colidem.
Como conjugar o presente do verbo vir sem erro
A primeira coisa que todo mundo faz é decorar a tabela. Funciona para duas ou três semanas. O que realmente fixa o uso é entender o mecanismo por trás das formas irregulares, especialmente as que envolvem nasalidade. O verbo vir pertence ao grupo dos verbos com alterações no radical nas formas da primeira pessoa e na terceira pessoa do plural. Na primeira pessoa do singular (eu venho), o -n- aparece como marca de irregularidade. Esse mesmo -n- se mantém na segunda pessoa (tu vens). Nas formas de nós e vós, o radical retorna à regularidade: vimos, vindes. A terceira pessoa do plural (vêm) traz o acento circunflexo para marcar a nasalidade do ditongo, exatamente como em elas têm (do verbo ter). O detalhe que pouca gente aborda: vimos também é a forma do pretérito perfeito do verbo ver. "Nós vimos o filme" pode significar "nós vimos (=see) o filme" ou "nós vimos (=come) o filme". Pelo contexto é fácil resolver, mas em frases isoladas a ambiguidade é real. Se você precisa ser claro, pode reescrever para "nós viemos" — sim, essa forma existe e é amplamente usada no Brasil para evitar a colisão.
Outro ponto que causa confusão constante é a diferença entre vem e vêm. A regra simples é: se o sujeito está no plural, o verbo leva acento circunflexo. Exato como ele tem / eles têm. A pronúncia na maioria dos dialetos brasileiros praticamente iguala as duas formas, então o acento não é ornamentação — é a única marca gráfica que diferencia a terceira do singular da terceira do plural. Se você escrever "eles vem", está errado. Não tem como argumentar contra isso. Um caso específico que eu encontro frequentemente em revisões textuais diz respeito a constructions com "vir a + infinitivo", que indica um futuro no pretérito ou uma ação que se concretiza. Alguém escreve: "Ele vem a dizer que não pode". O correto nesse registro mais formal seria "Ele vem a dizer" mesmo, usando o presente do indicativo, mas muita gente confunde com o futuro do pretérito "viria a dizer". A diferença de sentido é relevante: vem a dizer sugere que a ação de dizer está acontecendo ou está prestes a acontecer no presente, enquanto viria a dizer situa a ação num momento posterior em relação a um passado já estabelecido. Para praticar de forma eficiente, o método mais direto é criar frases com sujeitos variados e verificar se o acento circunflexo aparece corretamente na terceira pessoa do plural. Comece com exemplos simples e vá aumentando a complexidade. Frases como "Meu irmão vem todo dia" e "Meus irmãos vêm todo dia" são suficientes para treinar a distinção básica.
A desvantagem desse verbo, na prática, é que ele convive com uma forte pressão informal no português brasileiro. Em muitas regiões, vêm é pronunciado exatamente como vem, e isso gera resistência em alguns falantes para manter a distinção gráfica. Não há como evitar essa variação dialetal, mas em contextos formais — documentos, concursos, redações técnicas — a norma culta exige o acento. Se o texto for para publicação ou para um ambiente corporativo, garantir essa diferença é o mínimo que se espera. O único momento em que o presente do presente do verbo vir se torna problemático de forma sério é em construções em que o sujeito é colectivo ou composto e a concordância fica ambígua. Por exemplo: "O grupo de alunos veio ontem" — aqui veio está no pretérito, então não entra no escopo, mas imagine a versão no presente: "O grupo de alunos vem amanhã". O verbo concorda com grupo, não com alunos. Muita gente erra nisso, atraída pela proximidade de alunos. A regra é clara: o núcleo do sujeito é grupo, que é singular, então a forma correta é vem, sem acento.
Galeria
-
Conjugação do Verbo VIR - Escola Educação -
Conjugação do verbo VIR - Indicativo, Subjuntivo, Imperativo e Infinitivo -
Conjugação Do Verbo Vir | PDF | Mecânica da linguagem | Relações sintáticas -
Conjugação Do Verbo Vir | PDF