Projeção Azimutal Equidistante
Projeção azimutal equidistante: o que é e quando fazer uso dela
A projeção azimutal equidistante é aquela que mantém as distâncias corretas a partir de um ponto central para qualquer outra localidade no mapa. Não é mágica, é matemática esférica com uma premissa simples: você escolhe um centro, e tudo que sai dele tem a escala fiel. O resto do mapa? Bem, áreas distorcem à medida que se afastam. Isso não é segredo, mas muita gente esquece na hora de aplicar. Ela é útil quando o seu interesse é realmente a medição radial — rotas aéreas, propagação de rádio, localização sismológica, ou mapas de distância a partir de uma capital. Se você precisa comparar distâncias a partir de um único ponto, essa é a escolha mais direta. Se precisa de comparações de área ou formas fiéis em múltiplos centros, saia correndo. No meu trabalho com geoprocessamento e análise de cobertura de antenas, eu precisei mapear as faixas de alcance de repetidoras de VHF a partir de três bases distintas no interior de São Paulo. A solução foi projetar cada base no centro do azimutal equidistante, traçar círculos proporcionais ao raio de cobertura e, só então, sobrepor os pontos das estações vizinhas. O problema é que a distorção periférica começa a engrossar essas bolhas de forma absurda. Usei o raio como referência apenas até cerca de 400 km do centro; depois disso, passei a cross-checkar com coordenadas geodésicas e cálculo de Great Circle Distance em WGS84.
Como construir a projeção passo a passo
Vamos ao essencial. Primeiro, defina o ponto central — latitude e longitude do local a partir do qual as distâncias serão medidas. Depois, converta todas as coordenadas de destino para o sistema projetado. A base é usar a distância angular entre dois pontos na esfera e o azimute inicial a partir do centro. Para transformar uma coordenada geográfica (lat2, lon2) em coordenadas planas (x, y) com centro em (lat1, lon1), os cálculos seguintes são o padrão: Delta_lon = lon2 - lon1
ang_dist = arccos(sin(lat1)·sin(lat2) + cos(lat1)·cos(lat2)·cos(delta_lon)) x = R · sin(ang_dist) · cos(azimute) y = R · sin(ang_dist) · sen(azimute)

onde R é o raio terrestre (6371 km em média) e o azimute é calculado pela fórmula trigonométrica clássica. Na prática, eu rodava tudo em Python usando numpy, scipy e pyproj, exportando depois para GeoTIFF ou Shapefile no QGIS. Se você quiser evitar refazer a lógica, o GDAL já entrega a projeção com o código PROJ4 "+proj=aeqd +lat_0=
Armadilhas que quem começa costuma cair
O erro mais comum é achar que a projeção preserva tudo. Ela preserva distância e direção apenas a partir do centro. Tudo fora disso é mentira conveniente. Outra armadilha séria é esquecer de corrigir para o datum adequado. Se o seu shape vem em SIRGAS2000 e você projeta assumindo WGS84 sem transformações, o erro pode passar de 100 metros em escalas locais. E tem ainda o caso de pontos no hemisfério oposto ao centro: a projeção simplesmente estoura, mostrando coisas que não fazem sentido geográfico. Uma lição dura que aprendi: eu uma vez gerei um mapa de propagação com o centro no Rio de Janeiro e incluí pontos na Nova Zelândia. A projeção colocou a Nova Zelândia dentro do círculo de 10 mil km, mas a distância real era muito maior porque o path atravessa o antípoda. Quando alguém tentou usar aquele mapa para planejamento logístico, tivemos que refazer tudo. A lição foi simples: nunca confie na projeção para distâncias maiores que metade do raio terrestre a partir do centro.
Alternativas quando a equidistante não serve
Se o objetivo é manter formas ou áreas equilibradas em larga escala, considere projeções conformes como a Mercator ou a Lambert conformal conic. Para distâncias entre múltiplos pares de pontos sem centro fixo, o melhor é calcular Great Circle diretamente nas coordenadas originais, sem projetar nada. A projeção azimutal equidistante não é universal; é uma ferramenta cirúrgica.

Dica rápida para quem quer testar agora
Baixe o QGIS, carregue um shape global, adicione uma camada com o ponto central desejado, e rode a ferramenta de transformação com o parâmetro aeqd. O resultado aparece em minutos. Se precisar de algo mais robusto para batch processing, o GDAL command line com gdalwarp resolve em lote e custa menos de um minuto por mil features, dependendo da máquina.
Galeria
-
Trabalho De Geografia: Projeção Plana ou Azimutal -
Projeção plana ou azimutal - Geoaplicada -
A Onu Faz Referência A Uma Projeção Cartográfica - RETOEDU