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Pronomes Indicativos

Pronomes Indicativos

O que são pronomes indicativos e por que eles confundem todo mundo

Pronomes indicativos são aqueles que apontam para alguém ou algo sem necessariamente nomeá-lo diretamente. Em português, os principais são este, esse, aquele, junto com suas flexões de gênero e número. A confusão começa porque a escolha entre eles não depende só da distância física — depende de contexto, posição do interlocutor e até do fluxo da conversa. Muita gente aprende a regra básica: este perto de quem fala, esse perto de quem ouve, aquele longe de ambos. Na prática, isso cai logo que a conversa sai do quadro negro. Eu já vi gente travar em e-mails corporativos porque não sabia se devia usar "neste ponto" ou "nesse ponto" quando o destinatário estava envolvido na situação descrita.

Pronomes indicativos na prática: como escolher certo

Vou explicar de um jeito que funciona, não da forma como ensinam na escola. O segredo é pensar em pontos de referência, não em distância física. Este (e variantes) estabelece referência em direção ao falante ou ao que ainda vai ser dito. Use quando estiver introducing algo novo ou retomando o próprio discurso. "Neste documento, descrevo..." — você está ancorando a referência no próprio texto que o leitor tem em mãos agora. Esse (e variantes) referencia algo já citado ou que está no campo de atenção do interlocutor. "Você lembra daquele projeto? Nesse projeto, tivemos problemas..." — o projeto já foi mencionado, e a referência volta a ele.

Aquele (e variantes) distancia tanto no espaço quanto no tempo. É o pronome do passado, do concreto que já passou, ou de algo fisicamente longe dos dois. "Aquele relatório de 2019 nunca foi entregue." O problema real acontece em construção com verbos de movimento e em discursos indiretos. Eu perdi duas horas num parecer jurídico porque o redator anterior tinha usado "aquele acordo" referindo-se a um contrato que as partes estavam negociando naquele momento, não a um contrato firmado no passado. Para resolver, eu substituí por "o referido acordo" — mais chato, mas inambíguo. Em textos formais, evitar o pronome indicativo quando a referência é instável é uma tática válida.

Pronomes - Aprenda sobre os tipos e exemplos de pronomes
Pronomes - Aprenda sobre os tipos e exemplos de pronomes

Armadilhas que ninguém comenta

Uma coisa que cursos e manuais raramente destacam: em português brasileiro, o uso de esse como referente a algo mencionado pelo próprio interlocutor recentemente é quase obrigatório em fala cotidiana, mesmo quando a regra clássica sugeriria este. Se alguém diz "Eu comprei um carro novo" e você responde "Que bom! Esse carro é rápido?", está usando o pronome corretamente segundo o uso real da língua, mesmo que o carro não esteja perto de você fisicamente. O importante é que a referência esteja no foco de atenção compartilhado. Outro ponto: a concordância de um e outro versus ambos. "Um e outro" exige verbo no singular quando os elementos são vistos separadamente, mas no plural quando a ação é conjunta. Na prática, a maioria das pessoas usa plural sempre, e isso é aceitável em registros informais. Em textos formais, a distinção ainda importa para quem fiscaliza gramática — bancas de concurso, por exemplo, cobram isso. Também é comum erro com o qual versus que. Não existe regra absoluta, mas uma orientação prática: se houver preposição ou se houver necessidade de especificação clara do antecedente, o qual (e flexões) evita ambiguidade. "O diretor, o qual foi questionado, não respondeu" é mais claro do que "O diretor que foi questionado, não respondeu", onde fica implícito que há outros diretores e estamos especificando qual deles.

Quando esses pronomes não resolvem nada

Em textos técnicos, contratos e documentação jurídica, pronomes indicativos frequentemente criam ambiguidade porque o referencial muda durante a leitura. O leitor pode esquecer onde estava o ponto de ancoragem. Nesses casos, repetir o substantivo ou usar sinônimos é mais seguro do que confiar no pronome. Sim, parece verboso. Masambiguidade custa mais caro do que repetição. Em inglês, a diferença entre "this" e "that" segue lógica parecida, mas o português tem a camada extra de género e número que o inglês não tem, o que aumenta as possibilidades de erro na flexão. Se você trabalha com tradução ou redação bilíngue, fique atento a isso.