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Ps4 Role Playing Games

Ps4 Role Playing Games

O que funciona e o que não funciona na biblioteca de RPGs da PS4

Acho que muita gente compra um console esperando que os RPGs sejam só "jogos com história legal", mas a realidade é mais granalha do que parece. Tem RPG da PS4 que aguenta 80 horas de conteúdo e outros que entregam o mesmo loop repetido em 15 horas com gráficos melhores. A diferença tá na arquitetura de progressão, não na narrativa. Eu comecei a catalogar minha biblioteca depois de perceber que gastava muito dinheiro com jogos que eu abandonava no segundo ato. Meu método atual é simples: testar as primeiras 3 horas em modo normal, sem upgrades, só pra ver se o sistema de combate e a curva de dificuldade fazem sentido pra mim. Se em 3 horas eu ainda não entendi como funciona um botão do combo ou por que meu personagem tá morrendo pra um inimigo qualquer, o jogo já era.

ps4 role playing games: os que realmente valem o tempo

Se eu tiver que escolher o que rodar primeiro, a lista fica curta. Persona 5 Royal é o tipo de jogo que te engana com a estética. Parece fodão demais pra ser funcional, mas o sistema de confessions e o aggro management são dos mais bem polidos que já vi. O problema é que o jogo não te dá um tutorial decente sobre como funcionam os skill cards e os arcana do no começo, então você gasta uns dois dias no piloto automático até entender que não precisa usar todos os skills de uma vez só. Minha solução foi abrir a aba de skills e separar os cards em grupos: invocação, físico, elemental e suporte. Depois disso, cada fight virou questão de saber qual grupo usar contra cada tipo de inimigo. The Witcher 3 continua sendo uma máquina de RPG, mas o erro mais comum que vejo é as pessoas tentarem completar todas as side quests antes de seguir o main story. Isso quebra completamente o level scaling do jogo, porque os inimigos das missões laterais ficam desproporcionais se você for fazer tudo em ordem. A workaround que eu uso é pular as side quests que aparecem em regiões distantes até completar o arco principal daquela área. Assim o level stay consistente e você não encontra chefes que são literalmente impossíveis antes da hora. NieR: Automata é outro que todo mundo compra e abandona na hora errada. O jogo te pune se você tentar jogar como um action game convencional, porque o sistema de armas e os upgrades de android precisam ser construídos em camadas. Eu descobri isso na marra quando levei 47 mortes no mesmo boss três vezes seguidas. Achei que o jogo era hardcore, mas na verdade eu simplesmente não tinha desbloqueado o upgrade de desvio cancelable no árbol de skills. Depois de desbloquear isso, o mesmo boss caiu em duas tentativas. O ponto é que NieR te dá ferramentas que parecem irrelevantes no começo, mas que se tornam essenciais depois.

Tem também o Dragon Quest XI, que é basicamente um JRPG clássico dos anos 90 com um engine moderno. O sistema de job é o que faz ele se destacar, mas a armadilha aqui é que muitos jobs parecem bons no início e depois ficam completamente obsoletos. Eu passei umas 20 horas no início usando só três jobs e só depois percebi que estava ignorando metade do conteúdo do jogo. A recomendação é ir alternando jobs a cada 5 ou 6 horas de gameplay, senão você cria um personagem que é bom em tudo mas eficiente em nada. Tales of Arise merece uma menção porque o sistema de artes de combate é um dos mais profundos da geração. O que ninguém explica direito é que existem dois tipos de artes: as artes de combo e as artes de finisher. Muitas pessoas confundem e gastam toda a stamina em combos curtos quando poderiam estar guardando pra finishers que dão dano multiplicado. Eu comecei a anotar em um caderno os custos de stamina de cada arte e o dano que cada uma causa em diferentes distâncias. Isso transformou meu gameplay de "apertar botão aleatoriamente" pra "gerenciar recurso e posição". O problema com a maioria desses jogos é o que eu chamo de fadiga de grinding. Depois de umas 30 horas em qualquer RPG, seu cérebro entra em modo automático e você para de notar se está realmente melhorando ou só repetindo o mesmo padrão. Eu desenvolvi o hábito de fazer pause a cada 2 horas e me perguntar: "eu aprendi algo novo hoje ou só repeti o que já sabia?" Se a resposta for repetição, eu paro por aí e volto no dia seguinte. Isso já me salvou de abandonar pelo menos cinco jogos que eu estava só jogando por hábito.

Top 25 Best RPGs (Role Playing Games) for PS4 | Best PS4 RPG Games ...
Top 25 Best RPGs (Role Playing Games) for PS4 | Best PS4 RPG Games ...

Outra coisa que quase ninguém fala sobre RPGs de PS4 é o assunto de save scumming vs. permadeath. Alguns jogos, como The Last of Us Part II (que tem elementos de RPG nas mecânicas de crafting e upgrade), punem muito mais se você tenta save scum. Outros, como Detroit: Become Human, literalmente não permitem save scum porque o branching narrative depende de você assumir consequências permanentes. A regra prática que eu uso é: se o jogo tem múltiplos finais e branches significativos, nunca salve antes de uma escolha importante. Você perde a imersão se fizer isso, e o jogo foi feito pra te forçar a conviver com as decisões. Se você tá começando agora e quer uma lista simplificada, aqui vai o que eu considero essencial nessa geração. Final Fantasy VII Remake para quem quer ação com profundidade estratégica. Fire Emblem: Three Houses para quem gosta de gestão de personagens e táticas por turnos. Resident Evil 2 Remake não é exatamente um RPG tradicional, mas o sistema de crafting e upgrade de armas tem muita coisa de RPG misturado. Kingdom Hearts III é um RPG disfarçado de action game, e o sistema de combo e limit breaks é surpreendentemente profundo se você prestar atenção. O único conselho honesto que eu tenho é: não tente jogar tudo. A PS4 tem uma biblioteca enorme e a maioria dos RPGs tem problemas similares de pacing no segundo ato. Escolha três ou quatro, investigue cada um a fundo, e depois passe pro próximo. Jogar quinze jogos rapidinho e não se lembrar de nenhum deles não é diferente de não ter jogado nenhum.