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Quais Impérios Desapareceram Ao Final Da Primeira Guerra Mundial

Quais Impérios Desapareceram Ao Final Da Primeira Guerra Mundial

O que aconteceu com os grandes impérios em 1918

A Primeira Guerra Mundial terminou com quatro impérios deixando de existir no papel e na prática. Isso não foi um processo gradual, happened in a very compressed window between 1917 e 1918, e as fronteiras desenhadas depois nunca ficaram exatamente como qualquer um esperava. O Império Alemão (Império Hohenzollern) se desintegrou com a abdicação do kaiser Guilherme II em 9 de novembro de 1918. A República de Weimar nasceu nos escombros, mas a perda territorial pelo Tratado de Versalhes (1919) foi imediata: Alsácia-Lorena volta para a França, Eupen-Malmedy para a Bélgica, a Posen e parte da Prússia Ocidental para a Polônia, e todas as colônias alemãs na África e no Pacífico foram distribuídas como mandatos da Liga das Nações. A Alemanha perdeu cerca de 13% do território europeu e praticamente todo o império colonial em dezesseis meses. O Império Austro-Húngaro (dos Habsburgos) simplesmente deixou de funcionar. Francisco José morreu em dezembro de 1916, Carlos I sucedeu, tentou negociações de paz separada sem sucesso, e o império se fragmentou em outubro-novembro de 1918. Áustria e Hungria proclamaram independência. Tchecos e eslovacos formaram a Checoslováquia. Polonesos, ucranianos e italianos reivindicaram territórios. O Tratado de Saint-Germain (1919) e o de Trianon (1920) formalizaram a partilha. A Áustria ficou reduzida a um microestado. A Hungria perdeu dois terços do território e três quartos da população pelo Tratado de Trianon. A Sérvia, via Iugoslávia, absorveu Bosnia-Herzegovina, Voivodina, Dalmácia e outras regiões. Itália ganhou Trentino, Trieste e Istria. Romênia ganhou a Transilvânia. Tudo isso criou tensões étnicas que persistiram por décadas.

O Império Otomano (dos Otomanos) foi desmembrado pelo Tratado de Sèvres (1920), que praticamente dissolvera o estado. Mas o texto mais importante aqui é que Sèvres nunca foi ratificado. A Guerra de Independência Turca (1919-1923) liderada por Mustafa Kemal Ataturk refutou Sèvres, e o Tratado de Lausanne (1923) substituiu tudo. O sultanato foi abolido em novembro de 1922. O califado seguiu em março de 1924. A Turquia moderna nasceu dos restos anatolianos e parte da Trácia Oriental. O resto do império foi repartido: França ficou com Síria e Líbano (mandato). Grã-Bretanha com Mesopotâmia (Iraque), Palestina e Transjordânia (mandatos). Arábia Saudita consolidou o interior. Pérsia (Irã) permaneceu independente, embora com zonas de influência russa e britânica previamente definidas. A Armênia declarou independência brevemente em 1918, foi ocupada pelos bolcheviques e depois dividida entre Turquia e União Soviética. A Armênia como estado moderno só voltou a existir em 1991. O Império Russo (Romanov) caiu primeiro, em março de 1917, antes mesmo do armistício. Nicolau II abdicou. O Governo Provisório tentou continuar a guerra. Os bolcheviques assumiram em outubro de 1917, assinaram a paz separada com Brest-Litovsk (março de 1918) com a Alemanha, e perderam Ucrânia, Finlândia, Báltico, Polônia e partes da Caucasiana no tratado. A Guerra Civil Russa (1918-1922) consolidou o controle soviético sobre o núcleo russo, mas a Finlândia, os estados bálticos (Estônia, Letônia, Lituânia) e a Polônia mantevieram independência, ainda que brevemente no caso báltico. A Polônia foi reconstituída a partir de territórios alemães, russos e austrohúngaros. A Finlândia já era independente desde dezembro de 1917, reconhecida pela Rússia Soviética em março de 1918. Há um ponto que frequentemente passa despercebido: a Romênia não era um império, mas saiu da guerra como uma potência territorial ampliada. A Grande Romênia de 1920 incluiu Bucovina (da Áustria-Hungria), Transilvânia (da Áustria-Hungria), Bessarábia (da Rússia), Dobruja do Sul (da Bulgária, via Tratado de Neuilly) e parte da Banato. Isso aumentou o território romeno em quase 65% e a população em 40%. A Hungria perdeu esses territórios e o ressentimento resultante alimentou a aliança húngaro-alemã nos anos 1930.

O Bienal italiano também ganhou terreno, mas de forma mais modesta: Trentino-Alto Adige, Trieste, Gorizia, Istria e algumas ilhas dalmas. A questão de Fiume (Rijeka) ficou em aberto e gerou um incidente armado quando Gabriele D'Annunzio ocupou a cidade em 1919. Mussolini usaria isso como argumento político anos depois. Um detalhe prático que ninguém ensina: ao estudar esses desmembramentos, a fonte primária mais útil não são os tratados em si, mas os mapas comparativos de 1914 versus 1923. O Atlas of the Twentieth Century do Historic Atlas ou o Perrin's Historical Atlas mostram as mudanças fronteiriças com precisão. Li muitos resumos textuais e só entendi a dimensão real quando vi os mapas lado a lado. As perdas alemãs na Prússia Oriental, por exemplo, parecem pequenas num mapa político, mas no terreno significavam que Königsberg ficou isolada do resto da Alemanha pela "Corredor Polonês". Isso foi usado pela propaganda nazista como justificativa para reivindicações territoriais em 1938-1939. O império que muitos esquecem de mencionar é o Império Colonial Português, que não caiu, mas saiu intacto apesar de estar do lado dos vencedores. Portugal ganhou os distritos de Kwilu e Kubango no Congo, uma compensação mínima pela contribuição limitada à guerra. O Império Britânico e o Francês também sobreviveram, embora o britânico entrasse em declínio relativo pós-guerra e o francês dependesse integralmente dos mandatos para manter presença no Oriente Médio.

FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - 28/07/1914 - 11/11/1918 - MUSAL
FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - 28/07/1914 - 11/11/1918 - MUSAL

Os quatro impérios que efetivamente deixaram de existir foram o Alemão, o Austro-Húngaro, o Otomano e o Russo. Os demais venceram, se expandiram momentaneamente, ou permaneceram como estavam. A ordem que surgiu em 1919-1923 durou menos de vinte anos, mas foi a estrutura básica do mapa europeu e médio-oriental até 1939.