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Quais Os Principais Autores Do Estilo Barroco No Brasil

Quais Os Principais Autores Do Estilo Barroco No Brasil

O barroco brasileiro e quem realmente fez ele existir

Quando as pessoas perguntam quais os principais autores do estilo barroco no brasil, a resposta curta já dá uma ideia do que vai acontecer: é um período longo, com muitas regiões diferentes e poucos registros escritos sobre a vida dos autores. O barroco chegou ao Brasil por volta do século XVII e ficou forte até meados do século XVIII. Ele não nasceu como um movimento artístico organizado. Veio junto com a colonização, com a Igreja Católica tentando manter a fé em um território novo e distante de Lisboa.

O barroco no Brasil tem uma particularidade importante. Diferente da Europa, onde o estilo evoluiu de forma mais contínua, aqui ele surgiu de forma fragmentada. Havia o barroco colonial nas capelas e igrejas do norte e nordeste, e depois o barroco mineiro, que ganhou contornos próprios durante o ciclo do ouro. A maior parte do que sabemos sobre os autores vem de documentos eclesiásticos, registros de guildas e inventários pós-morte. Pouquíssimo foi escrito pelos próprios artistas na época. O nome mais citado é Aleijadinho. Antonio Francisco Lisboa nasceu por volta de 1730 em Congonhas e se tornou o nome central do barroco mineiro. Ele foi escultor, arquiteto e talhador. O conjunto dos Doze Profetas em Congonhas é a obra que todo mundo conhece, mas ele fez muito além disso. Os altares da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, desenhados por ele e com decoração talhada por ele mesmo, mostram um domínio técnico que não era comum na colônia. A doença que ele desenvolvia, possivelmente a doença de Paget, limitou seus movimentos nas últimas décadas e mudou completamente a forma como ele trabalhava. Em vez de abandonar a arte, ele adaptou as ferramentas e continuou produzindo. Manoel da Costa Athayde é outro nome obrigatório. Ele nasceu em 1762 em Olinda e viveu boa parte da vida em Recife. Diferente de Aleijadinho, Costa Athayde tinha formação teórica e escreveu tratados sobre arquitetura, pintura e talha. O livro De Pintura Geometria é uma das poucas obras escritas da época que explicava como aplicar a perspectiva e a geometria na decoração de igrejas. Ele também fazia pinturas em tetos e painéis. A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco em Recife tem trabalhos dele. O problema é que muitos dos altares atribuídos a ele ainda estão sendo estudados e a autoria nem sempre é confirmada com certeza.

Fray Atanácio Cordeiro merece menção. Ele foi um padre carmelita que viveu no século XVIII e produziu obras literárias no estilo barroco, especialmente sermões. Os Sermões de Padre Antonio Vieira já são citados como barroco brasileiro, mas Vieira não era brasileiro. Ele nasceu em Lisboa e viveu no Brasil quando jovem. A obra dele, contudo, é frequentemente associada ao barroco brasileiro porque grande parte foi escrita aqui e publicada no contexto colonial. Sermões como o do Santo Antônio aos Peixes e o do Espírito Santo são textos longos, cheios de retórica e jogos de linguagem típicos do barroco português que se espalhou pela colônia. Mestre Ataíde, também conhecido como Manuel Dias de Oliveira, foi um pintor mineiro do século XVIII. Ele pintou quadros religiosos com cores vibrantes e figuras alongadas. Um dos trabalhos mais conhecidos é a pintura do teto da Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Mariana. A técnica que ele usava misturava tinta a óleo com uma base de cola, o que dava brilho mas também causou problemas de conservação com o tempo. A umidade do interior de Minas destruiu parte dessas pinturas. Tomás da Cruz FT foi um pintor e dourador que trabalhou no mesmo período. Ele assinava obras com Abreviatura "FT", o que dificultava identificar tudo o que era realmente dele. Muitos altares no norte e nordeste têm assinatura FT mas não há certeza absoluta sobre a autoria. Quando estou avaliando se uma obra é realmente dele, olho primeiro para a técnica de douração e depois comparo com obras datadas e assinadas em museus. O Museu de Arte de São Paulo tem alguns documentos que ajudam nessa comparação.

Francisco Luís Correia foi um escultor luso-brasileiro ativo em Pernambuco. Ele fez altares para igrejas da região e sua marca registrada é o uso de folhagens muito detalhadas nos entalhes. Uma coisa que pouca gente sabe é que ele também trabalhava com imagens de santos em madeira, não apenas com decoração arquitetônica. As imagens de Nossa Senhora da Conceição que ele esculpiu ainda estão em algumas paróquias de Olinda. Ao pesquisar sobre quais os principais autores do estilo barroco no brasil, você vai encontrar discussões acaloradas sobre autoria e períodos. O problema prático é que muitos documentos foram perdidos em incêndios de igrejas no século XIX, e outros foram riscados de mapas e registros sem documentação. Quando fiz uma pesquisa sobre altares atribuídos a Costa Athayde na década de passada, encontrei três inventários diferentes com descrições contraditórias do mesmo altar. A solução foi cruzar fotos antigas tiradas antes das reformas do século XX com os documentos. As fotos em preto e branco mostravam detalhes que os relatórios escritos omitiam. Outra questão que causa confusão é a diferença entre o barroco colonial e o barroco mineiro. Muitos estudantes tratam como a mesma coisa, mas são variantes com características distintas. O barroco colonial do nordeste tem mais influência portuguesa direta e usa muita talha dourada. O barroco mineiro tem uma linguagem mais dramática e escultural. Aleijadinho representou essa transição de forma clara, misturando elementos de ambos os estilos.

Barroco no Brasil: obras, autores, características e contexto - Dicio ...
Barroco no Brasil: obras, autores, características e contexto - Dicio ...

Os nomes que aparecem com menos frequência mas que existem são Mestre Ângelo e Mestre Darcy. São figuras quase invisíveis nos livros didáticos. Aparecem em listas de pagamentos de irmandades e em registros de materiais comprados para construção de altares. Não restaram obras assinadas com certeza atribuídas a eles. Isso mostra como o sistema de produção artística na colônia funcionava de forma coletiva. Os nomes que sobreviveram foram os que tinham maior visibilidade ou que escreveram algo. A maioria dos artesãos ficou no anonimato. Se você quer estudar esse período com mais profundidade, o acervo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Belo Horizonte tem documentos digitais que facilitam a pesquisa. Eles digitalizaram inventários do século XVIII e correspondências de irmandades. O acesso é gratuito. A biblioteca digital também guarda fotografias antigas de obras que foram danificadas ou destruídas posteriormente. Essas fotos são essenciais para quem está tentando fechar autoria de peças duvidosas. A principal armadilha ao estudar o barroco brasileiro é assumir que os autores eram figuras isoladas. Eles trabalhavam em oficinas, recebiam encomendas de irmandades e precisavam atender a demandas religiosas e econômicas específicas de cada cidade. Isso significa que um mesmo artista podia ter estilos diferentes dependendo do cliente e do local. A obra de um dourador em Salvador podia parecer completamente diferente da obra do mesmo artista em Mariana.

Para quem está começando a pesquisar, recomendo focar em dois ou três autores por vez em vez de tentar abraçar tudo. O barroco brasileiro é vasto demais e cheio de lacunas documentais. Quanto mais específico for o recorte, mais claro fica o cenário. Aleijadinho, Costa Athayde e Frei Coelhal são bons pontos de partida porque deixaram rastros documentais mais consistentes.