POTHIEDU Não Decore a Resposta. Entenda o Caminho

Quais Os Tipos De Aborto

Quais Os Tipos De Aborto

Aborto: o que você precisa saber sobre os métodos disponíveis

Quando chego no hospital e vejo alguém com uma gravidez indesejada ou complicada, a primeira pergunta que recebo costuma ser essa: quais os tipos de aborto existem e como funcionam na prática? A resposta curta é que existem basicamente dois caminhos, mas cada um deles tem suas nuances, complicações e momentos em que falha. Os métodos medicamentosos funcionam com uma combinação de dois remédios. O primeiro, mifepristona, bloqueia a progesterona — o hormônio que sustenta a gravidez. Sem esse suporte, o endométrio se desprende. O segundo, misoprostol, causa contrações uterinas que expulsam o conteúdo. Esse protocolo é eficaz em cerca de 95% dos casos até 10 semanas de gestação. O problema é que o sangramento pode ser intenso e prolongado, durando de 12 a 24 horas, às vezes mais. No meu trabalho, já vi situações em que o protocolo falhou e precisou de curetagem de urgência. Isso acontece em aproximadamente 5% dos casos. O paciente volta para casa achando queresolveu, mas duas semanas depois aparece com hemorragia e infecção. A lição prática aqui é: se não houver evacuação completa em 48 horas após o misoprostol, fazer ultrassom de controle. Não adianta esperar.

Quais os tipos de aborto que precisam de procedimento cirúrgico

O método cirúrgico, conhecido como aspiração manual ou dilatação e curetagem, é mais rápido e previsível. Dura entre 5 e 10 minutos na sala de procedimento. O utero é dilatado e o conteúdo é removido por sucção. Taxa de sucesso superior a 99%. A recuperação é mais rápida também — dor tipo cólica menstrual por alguns dias, sangramento leve por uma semana. A desvantagem é que exige estrutura médica. Não dá pra fazer em casa. E tem um risco real, ainda que pequeno, de perfuração uterina e aderências intrauterinas (síndrome de Asherman). Já tive paciente que voltou três meses depois com amenorreia e dor pélvica crônica por causa de aderências. Foi preciso histeroscopia cirúrgica para resolver. Método misto é quando se usa o medicamento primeiro e, se não completar, faz-se a aspiração. É comum em gestações acima de 10 semanas ou quando há sangramento ativo. A maioria das clínicas segue esse protocolo porque reduz a necessidade de procedimento cirúrgico puro. Outro detalhe que ninguém conta: a via de administração do misoprostol muda tudo. Via sublingual age mais rápido (30 minutos para início das contrações), via vaginal tem efeito mais prolongado mas causa mais efeitos colaterais locais. Via oral é a que causa mais náusea e diarreia. Na prática, escolho sublingual para casos mais tardios e vaginal para os iniciais. Se você está considerando qualquer uma dessas opções, o mais importante é saber sua idade gestacional exata. Um ultrassom antes de tudo define qual método é viável e seguro. Não confie em datas menstruais sozinhas — elas erram com frequência.