Qual A Função Do Coração
O que o coração faz no corpo humano
O coração é um músculo oco do tamanho de uma mão cerrada, localizado no centro do tórax, ligeiramente deslocado para a esquerda. Sua principal tarefa é bombear sangue por todo o corpo através de um sistema fechado de vasos sanguíneos. A cada batida, ele empurra sangue rico em oxigênio para os tecidos e recebe sangue pobre em oxigênio de volta para ser levado aos pulmões. A função básica é a circulação sistêmica e pulmonar. O lado direito do coração recebe sangue desoxigenado das veias cavas e o envia aos pulmões via artéria pulmonar. Nos pulmões, o sangue libera dióxido de carbono e capta oxigênio. Em seguida, o sangue oxigenado entra no átrio esquerdo, passa pelo ventrículo esquerdo e é ejetado pela aorta para irrigar órgãos e músculos. Esse ciclo se repete cerca de 100.000 vezes por dia em um adulto em repouso. O funcionamento depende de quatro válvulas que garantem o fluxo unidirecional: mitral, tricúspide, aórtica e pulmonar. Cada válvula se abre e fecha em sincronia com a contração e o relaxamento dos ventrículos. Se uma dessas válvulas não fechar adequadamente, ocorre regurgitação. Se abrir de forma insuficiente, há estenose. Ambas as condições sobrecarregam o miocárdio com o tempo.
O sistema elétrico intrínseco inicia cada batida no nó sinoatrial, localizado no átrio direito. O impulso percorre o nó atrioventricular, entra no feixe de His e se ramifica nas fibras de Purkinje. Esse mecanismo permite que o coração continue bombeando mesmo desconectado do corpo, desde que receives sangue e oxigênio suficiente. Em condições normais, o ritmo é regulado pelo sistema nervoso autônomo, com influências do simpático (acelera) e do parassimpático (retarda). A contratilidade depende de cálcio intracelular. Quando o potencial de ação chega ao miócito, os canais de cálcio tipo L se abrem, permitindo a entrada de íons cálcio. Esse cálcio estimula a liberação de mais cálcio do retículo sarcoplasmático através dos receptores de rianodina. O aumento de cálcio citosólico permite que actina e miosina se liguem, gerando contração. A recalcificação ocorre via bomba de cálcio ATPase e trocador sódio-cálcio, promovendo o relaxamento. No meu trabalho com pacientes cardiológicos, já vi casos em que a função diastólica estava comprometida antes mesmo da fração de ejeção cair. Isso é particularmente relevante em hipertensos crônicos e idosos com diabetes. O ventrículo esquerdo fica rígido, não relaxa adequadamente, e a pressão diastólica sobe. O paciente pode ter falta de ar com esforço leve, mas o ecocardiograma inicial parece normal. O diagnóstico correto exige análise Doppler dos fluxos mitrais e tecido cardíaco, medindo os valores e', a' e a relação e'/e'. Ignorar essa avaliação leva a subdiagnóstico de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.
O consumo de oxigênio do miocárdio é determinado principalmente pela tensão de parede e pela frequência cardíaca. A demanda aumenta com a pós-carga e a pré-carga. A coronária esquerda se ramifica em descendente anterior e circunflexa, enquanto a coronária direita supre o nó sinoatrial em 60 por cento dos indivíduos e o nó atrioventricular em 90 por cento. A oclusão de qualquer um desses vasos causa infarto. Lesões na descendente anterior afetam o septo interventricular e a parede anterior. Lesões na circunflexa atingem o ápice e a parede lateral. Uma característica importante é que o coração não tem capacidade significativa de regeneração após infarto. Os cardiomiócitos adultos são essencialmente permanentes. O tecido necrosado é substituído por fibrose, que não tem capacidade contrátil. Isso explica por que a perda de massa funcional após um infarto extenso leva a remodelamento adverso, dilatação ventricular e progressão para insuficiência cardíaca. Medicamentos como inhibidores da ECA, beta-bloqueadores e antagonistas mineralocorticoides retardam esse processo, mas não reverteram a cicatriz. A frequência cardíaca de repouso normal varia entre 60 e 100 batimentos por minuto. Atletas de endurance podem apresentar bradicardia sinusalgica com frequências abaixo de 50, às vezes na casa dos 40, sem sintomas. Isso resulta de adaptação estrutural com aumento do volume diastólico e maior massa ventricular esquerda. Por outro lado, taquicardia sinusal persistente aumenta o consumo de oxigênio e reduz o tempo de enchimento ventricular, comprometendo o débito cardíaco em pacientes com doença arterial coronariana pré-existente.

O débito cardíaco é o produto do volume sistólico pela frequência cardíaca. Em um adulto médio, corresponde a cerca de 5 litros por minuto em repouso. Durante exercício intenso, pode atingir 20 a 25 litros por minuto em indivíduos saudáveis. O volume sistólico depende da pré-carga, pós-carga e contratilidade. A relação de Frank-Starling estabelece que maior distensão diastólica gera maior força de contração, até um limite fisiológico. Ultrapassar esse limite resulta em congestão pulmonar ou periférica. Já encontrei situações em que a medição da pressão arterial em braço direito diferia mais de 20 mmHg da pressão em braço esquerdo. Essa assimetria pode indicar estenose da subclávia ipsilateral, diseção aórtica ou coarctação. Ignorar essa diferença leva a diagnósticos errados de hipertensão resistente. A recomendação é medir em ambos os braçose usar o valor mais alto para condução terapêutica. Se a diferença persistir, solicitar angiotomografia ou ressonância magnética da aórtica. O ECG de superfície registra atividade elétrica superficial. A onda P representa despolarização atrial. O complexo QRS reflete despolarização ventricular. A onda T corresponde à repolarização ventricular. Intervalos PR, QT e segmentos ST têm interpretação clínica específica. Prolongamento do QT aumenta risco de torsades de pointes. Elevação do segmento ST em duas derivações adjacentes indica lesão aguda. Depressiondo ST sugere isquemia subendocárdica. Padrões de bloqueios de ramo alteram morfologia do QRS e complicam a interpretação de isquemia.
A ecocardiografia transtorácica é o exame de imagem mais utilizado na avaliação cardíaca. Visualiza câmaras, válvulas, pericárdio e fluxo sanguíneo com Doppler. A fração de ejeção é estimada visualmente ou por métodos geométricos. Método de Simpson modificado é mais preciso que a abordagem de Teichholz em ventrículos com geometria irregular. A avaliação da função diastólica requer análise de fluxos mitrais pela Doppler e velocidades anulares pelo Doppler tecidual. Valores de e/a maiores que 1,5 e velocidade anular medial menor que 7 cm/s indicam disfunção diastólica avançada. A ressonância magnética cardíaca oferece a melhor avaliação de volumes, massa e função ventricular sem geometrias assumptions. Realce tardio com gadolínio identifica fibrose e cicatrizes com alta sensibilidade e especificidade. Padrões de realce diferenciam etiologia de miocardiopatia. Realce subendocárdico ou transmural segue território coronariano, sugerindo infarto. Realce mesocárdico ou subepicárdico é típico de miocardite ou miocardiopatia hipertrófica. Realce padrão reticular difuso aparece em amiloidose cardíaca. O teste ergométrico avalia resposta cardiovascular ao esforço. Indicado na avaliação de dor torácica, intolerância ao exercício e prognóstico em doença arterial coronariana conhecida. Critérios de positividade incluem depressão do segmento ST horizontal ou infradeslizante maior que 1 mm, queda de pressão arterial, arritmias ventriculares ou fadiga excessiva. Sensibilidade varia de 50 a 70 por cento, especificidade de 70 a 80 por cento. Teste negativo não exclui doença coronariana em mulheres, idosos e pacientes com capacidade funcional limitada.
A coronariografia por cateterismo permanece padrão-ouro para definição anatômica das artérias coronárias. Permite intervenção percutânea com angioplastia e stent no mesmo procedimento. Indicações incluem síndromes coronarianas agudas, angina estável refratária a tratamento clínico, teste de isquemia positivo e avaliação pré-cirúrgica em cirurgia cardíaca eletiva. Complicações incluem dissecção coronariana, trombose aguda, embolização distal, sangramento no acesso e nefropatia induzida por contraste. Hidratação adequada e uso mínimo de contraste iodado reduzem risco de lesão renal. O marcapasso artificial é indicado em bradiarritmias sintomáticas, bloqueio atrioventricular de segundo grau tipo dois e terceiro grau, e em alguns casos de insuficiência cardíaca com dissincronia ventricular. Modelo biventricular com estimulação do ventrículo esquerdo via seio coronário melhora sintomas e reduz hospitalizações em pacientes com fração de ejeção reduzida, QRS alargado e ritmo sinusal. Contraindicações relativas incluem endocardite ativa, Acesso venoso obstruído e necessidade de procedimento cirúrgico cardiovascular iminente. A fibrilação atrial é a arritmia sustentada mais comum na prática clínica. Caracteriza-se por atividade elétrica atrial desorganizada e resposta ventricular irregular. Preoccupa pela elevação do risco de acidente vascular encefálico trombótico. Escore CHA2DS2-VASc orienta anticoagulação. Pontuação maior ou igual a 2 em homens e maior ou igual a 3 em mulheres indica benefício claro de anticoagulantes orais diretos ou antagonistas da vitamina K. Controle de frequência com beta-bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio não-dihidropiridínicos ou digoxina é conduta inicial na maioria dos casos. Abordagem ritmo com antiarrítmicos ou cardioversão elétrica deve ser individualizada.

Insuficiência cardíaca é síndrome clínica com sintomas como dispneia, fadiga, retenção hídrica, limitada pela incapacidade do coração de atender demandas metabólicas. Classificação NYHA divide graus I a IV conforme limitação funcional. Estadiamento A a D pela ACC/AHA considera risco e estrutura cardíaca. Tratamento reduz mortalidade e hospitalizações: inhibidores da ECA ou BRA, beta-bloqueadores aprovados, antagonistas mineralocorticoides, inibidores de neprilisina combinados com inhibitor de peptidase neutra e antagonistas dos receptores de galactose. Diuréticos de alça aliviam congestão, mas não modificam prognóstico. Dispositivos como CDI e ressincronizador têm indicações específicas baseadas em fração de ejeção, QRS e classe funcional. Endocardite infecciosa é infecção do endocárdio, geralmente valvular, por bactérias ou fungos. Streptococcus viridans é causa comum em válvulas nativas danificadas. Staphylococcus aureus predomina em uso de dispositivos intravasculares e endocardite em válvulas protéticas. Critérios de Duke modificados orientam diagnóstico: critérios maiores incluem bacteremia persistente e evidência ecocardiográfica de vegetação. Critérios menores abrangem predisposição, febre, fenómenos vasculares e imunológicos. Tratamento antibiótico depende de agente e localização. Cirurgia precoce é indicada em insuficiência cardíaca refratária, infecção persistente, abscesso perivalvar e vegetações grandes com risco embólico. Hipertensão arterial sistêmica afeta aproximadamente um bilhão de pessoas no mundo. Definição varia entre diretrizes. Sociedade Brasileira de Cardiologia usa pressão arterial maior ou igual a 140 por 90 mmHg em consultório. Sociedade Europeia adota maior ou igual a 140 por 90 mmHg. American Heart Association propõe maior ou igual a 130 por 80 mmHg para estágio 1. Medições domiciliares ou ambulatoriais de 24 horas confirmam diagnóstico e identificam hipertensão mascarada e hipertensão de bata branca. Complicações incluem doença renal, insuficiência cardíaca, acidente vascular encefálico, retinopatia e doença arterial coronariana. Redução de 10 mmHg na pressão sistólica diminui risco cardiovascular em aproximadamente 20 por cento.
Cardiomiopatia hipertrófica é doença genética com espessamento ventricular esquerdo não explicável por condições sobrecarga ou valvulopatias. Herança autossômica dominante com penetrância variável. Mutações em genes de proteínas sarcoméricas, especialmente -miosina e proteína C vinculadora de troponina, são causas frequentes. Risco de morte súbita cardíaca aumenta em presença de fatores como history family de morte súbita, espessura máxima maior ou igual a 30 mm, arritmias ventriculares, hipotensão com esforço e realce tardio extenso por ressonância. Betabloqueadores ou verapamil reduzem obstrução e sintomas. Septal myectomy ou ablação com álcool é opção em obstrução grave refratária. CDI primário é considerado em pacientes com alto risco estratificado. Teor de cole a função do coração resume-se à manutenção do débito cardíaco adequado às demandas metabólicas do organismo. Conhecimento fisiológico e clínico permite detecção precoce de doenças, orientação terapêutica baseada em evidência e redução de morbimortalidade. Acompanhamento regular, modificações de estilo de vida e aderência a medicamentos são pilares do manejo de condições crônicas. Dúvidas específicas devem ser avaliadas por profissional de saúde qualificado.
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Qual A Função Do Coração? Anatomia, Estrutura E Características – NWHVL -
Estrutura e Função do Coração | PDF | Coração | Sistema circulatório -
Anatomia e Fisiologia do Coração – ANGOMED NEWS